Sweet dreams are made of…?

Cerveja, muita cerveja, várias vezes eles, luckies, fotos, grama, umas árvores pra dar sobra, uma coberta pra fechar do frio, vodca, muita vodca, suco de maracujá, laranja, morango e um pouco de kiwi picado.

Uma panelada da Paixão, macarronada da minha mãe, um pouco de doce de casca de limão da minha avó, um licor de umbu de Pedro II, uma dose gelada de mangueira com cajuína, várias vezes eles, várias vezes eles, um pouco de Strokes e Walkmen, um jazz com a Billie… E quando a cachaça batesse, Oasis pra levantar a bola, um pouco de Jimi Hendrix pra esquentar e Led Zepellin pra acabar com tudo.

Levantar e correr um pouco, brincar de alguma coisa patética e infantil, mas sempre divertida, rir um pouco, tirar umas fotos, tomar uma água, conversar sobre coisas aleatórias as usual, um beijo roubado e outros desejosos de outros desejados, um silêncio demorado, ver o pôr-do-sol, ou fechar o olho mais um pouco, num abraço pra rebater o frio que a coberta não garante.

E à noite, um banho quente, uma roupa confortável e um bom show de rock n’ roll, para tomar cerveja na beira do palco. Berrar pedindo pela música preferida, gritar pra ser escutado, arrotar disfarçando pra não ser chamado de mal-educado, puxar alguém no canto e confessar algum segredo engraçado, contar umas piadas, e ir embora quando o dia já fosse outro, o sol já fosse outro e as coisas fossem de novo as mesmas.

Como em julho de 96

Hoje São Bernardo amanheceu ensolarada, preguiçosa e com um vento que batia na porta da varandinha aqui do apê desde cedo. Com compromissos pra resolver, bermuda, camiseta e havaiana de pedreiro, botar o pé na rua foi um movimento sóbrio e tranquilo. Tem um bom tempo que nostalgia nenhuma me abate. Claro, há saudade de certas coisas, alguns momentos, mas essas vêm mais à noite, naqueles segundos que duram uma noite inteira de sono, como é natural…

Mas como aconteceu no julho de 96, nas férias de julho de 96, andar pelas ruas de SBC e ver as copas das árvores balançando e o vento desalinhando o cabelo das pessoas me fez calcular qual o local mais indicado para soltar uma pipa, onde eu poderia arranjar um bom pedaço de bambu, se a venda da esquina teria linha .10 e seda e como eu poderia fazer uma boa rabiola, se com seda ou se com saco de supermercado. Pensei rápido se eu ainda saberia fazer os “besouros” que meu pai me ensinou naquelas férias, a coisa mais simples do mundo mas que eu não faço tem uns 10 anos.

Eu me toco que não é nostalgia, lembrança do meu tempo de criança, vontade de voltar à infância nem nada disso. São só lembranças boas, daquelas que fazem você sorrir do nada e dar ‘bom dia’ pras senhoras que voltam da feira caminhando. Faz parte do mesmo grupo de recordações o tempo que eu ia para o centro de Teresina rodar de banca em banca lendo as revistas aos pedaços, ver as pessoas nas praças, comer pastel com caldo de cana… Essas coisas pequenas…

Será se a Eva gosta de pipa?

All things must pass?

– Então é isso, George? “All things must pass” mesmo?
– É, Jansen, é por aí, cara…
– Tem certeza?
– Tenho, velho… “All things must pass away…”
– Você se importa se eu não acatar o seu conselho assim de cara?
– Claro que não, velho. My sweet lord be with you. “Some things take so long, but how do I explain?”
– Só se sabe fazendo, né?
– A idéia é essa, cara, a idéia é essa…