“Never hear the bad news”

Oh, I’m just like you, I never hear the bad news – and I never will. We won by a landslide, our troubles are over.
[The WalkmenIn The New Year, in You & Me (2008)]

Só mais um passo, mais um dos passos longos – esse ligeiramente maior que as pernas, mas insuficientemente grande para apagar a satisfação do momento.

Repete-se que a comunicação ocorre quando os lados de um diálogo se entendem. Pois que o não seja entendido como algo que diminua, algo que incuta descaso. O mora nesta fala para deixar claro que o que importa, mesmo, por mais incríveis que sejam os passos, é a caminhada.

Você concorda comigo que os defeitos do todo ficam muito mais expostos quando se enxerga esse todo em pedaços, não é? Mora aí o sentido: só mais um passo, um dos mais arriscados, um dos mais longos.

Ainda há uma caminhada inteira pela frente.

~ publicado originalmente em 2009 ~

Ser Alice ou ser a Rainha de Copas?

Ser Alice é ser tola ao nível máximo, a expressão mais pueril das consequências de ser curioso.
[não faço qualquer ideia de qualquer teoria séria sobre isso, quem ler que esteja consciente disso]

Porém, acho que parte do que nos faz viver melhor vem da curiosidade. Como será estudar mais e passar num vestibular bacana? O que acontece se eu me jogar na vida e ir morar sozinho? Será se eu dou conta de mudar de profissão depois de tanto tempo?

Ímpeto, busca, dúvida, querer. A curiosidade é formada um pouquinho que seja por essas coisas e sempre que nosso espírito gato se manifesta, deve ser por essas muretas que ele passeia. Ser Alice é ser protagonista de uma história que acontece independente da sua vontade. É crescer e encolher por comer o que não deve. É correr o risco de morrer queimada. É ser chamada de serpente. É dar trela para gatos e coelhos.

A inocência que blinda a personagem quase não dá espaço para dúvida.

Ser Rainha de Copas é ser tirana? Ser tirano é ser egoísta? [divago enquanto é possível]

Pesam sobre os ombros da Rainha de Copas muitas decisões e quereres. Ganhar no jogo. Ter um marido submisso. Rosas carmim. Cabeças para enfeitar o passeio público. Ser mimada e ter seus desejos atendidos num grito.

The Tudors me lembrou da reflexão de Maquiavel: Ao rei é melhor ser amado do que temido?

Mas o que difere um do outro? O amor não é um tipo de medo? Ter medo não é um tipo de amor? O que uns amam, outros não odeiam?


Quanto mais próximo das engrenagens da vida, menos mistério o planeta nos revela. Ser protagonista é egoísmo? Coadjuvância [perdão!] subentende eterna cessão?

Li um artigo hoje pela manhã [bem cedo] a seguinte frase: ‎”Algumas vezes saber algo é exatamente o que nos torna cegos perante outras possibilidades: o fascínio com uma peculiaridade nos deixa cego perante outras.”

Um texto que fala do gerenciamento das nossas ignorâncias. O não-saber a serviço da descoberta, do que instiga e do que nos falta [e vai ficar faltando].

Como diz os Novos Baianos: Mostrar como sou, ser como posso, jogar o corpo no mundo, andar por todos os cantos, deixar e receber um tanto, passar os olhos nus, participar do mistério do planeta.

Mas as engrenagens, ah!, as engrenagens.

Da série ~MP3 perdidas no meu iPod: Sebastien Tellier – La Ballade du Georges

Da série ~Last Night Shuffle ‘Cabou Comigo: The Walkmen – Revenge Wears No Wristwatch

“Anger, anger treats me hard”. 
I tell her I say. “I’ve heard it all before, I’ve had it up to here. Such a mess, I am”.
You say: “something’s wrong, this kind of life style doesn’t work”. 
I’m trying something else for a change, for a change. “That’s ok, ok, ok”.

The Walkmen, Heaven, uma das capas mais lindas do [meu] mundo e um trailer-amor

Ao clicar o botão “Connect” do Twitter hoje pela manhã não esperava encontrar do lado de lá uma notícia tão maravilhosa [obrigado mesmo, nana!] quanto a da divulgação da data de lançamento do novo disco do The Walkmen, Heaven. Sou fã de suas músicas, gosto de seus arranjos, de seus covers, de seu blog, de suas fotografias e acompanho com fervor e paixão cada um de seus discos, descobrindo as músicas que mais me emocionam, ficando bobo com os versos, com as capas, desejando ter todos os vinis, camiseta, apresentando ao amigos…

E aí eles anunciaram Heaven, com direito a trailer e a capa mais minimalista [essa que você viu lá em cima] de todos os trabalhos da banda. Pra ter ideia do tamanho do passo desse disco novo, o vocalista Hamilton Leithauser contou a seguinte bola no press release.

The detachement you can feel throughout our younger records is gone. We felt like it was time to make a bigger, more generous statement.

Agora que eu já tenho uma data para esperar chegar, vou dividir aqui no blog um email que enviei para um parça que ia se aventurar num festival em que o Walkmen tocaria e não sabia bem qual era a da banda. Como linkei muitos dos vídeos que já vi e revi milhares de vezes no YouTube, mantenho assim, ao invés de embedar, por motivos óbvios. Todas as fotos desse post foram retiradas do próprio blog do Walkmen. O texto abaixo é praticamente o que enviei para o amigo.


Outro dia vim arrotar coisas sobre o Led Zeppelin, falando da minha admiração pela banda e outros que tais sendo que definitivamente o The Walkmen os supera em admiração e apreço. Nos tempos de graduação, cheguei a escrever para o selo que os lançava nos EUA, o StarTime Internacional, dizendo que era estagiário de um caderno de cultura de um jornal do Nordeste que tinha uma coluna de música e que queria muito escrever sobre o The Walkmen. O cara me mandou um disco do French Kicks e outro do…. esqueci.

MTV trouxe o Walkmen para o Brasil em 2009, no Rio, para fechar um festival universitário. O MADA [Música Alimento da Alma], que rolava em Natal, os trouxe uns anos antes [nem os conhecia]. Fui ao Rio [voltando para casa afônico e incapaz de fazer outra coisa senão rir] e às vezes até agradeço não ter ido ao MADA: vídeos feitos lá me mostram um som deplorável e uma banda assustada com o calor e com o desconhecimento do público.

São os artistas que superam a minha admiração pelo Led Zeppelin porque, definitivamente, eles são os caras que falam as coisas que eu quero ou preciso ouvir e também as que eu quero e não consigo dizer – mas conectados à minha realidade e meu cotidiano de uma forma que falta aos ingleses. Sabe aquele verso do China, “estou feliz, mas às vezes choro”? É do Walkmen o posto de trilha sonora perfeita para esses momentos nublados.

Do mesmo jeito que é a minha relação com Beatles, Chico Buarque, Led Zeppelin [também], The Strokes [no início da carreira], Radiohead [!!!] e tantos outros artistas e momentos de artistas [Bethânia, Gal, Roberto, Oasis, Silverchair e sei lá mais quantos]… Só que com eles acontece uma identificação especial, sendo que eu nunca tive esse tipo de idolatria PARA COM artista nenhum.

Vamos por discos.

Do Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone tu pode ouvir They’re WinningWake UpEveryone Who Pretended to Like Me Is GoneRevenge Wears No WristwatchThe Blizzard of ’96 [detalhe], We’ve Been Had [maior música do meu relacionamento] [no vídeo são os caras da banda], It Should Take a While e Rue the Day. Eu te diria pra ouvir inteiro, mas aí é conselho de fã e poderia se estender à discografia inteira, então vamos por partes.

Do Bows + Arrows, vem o The Rat, que tu já conhece e uma das mais famosas [foi minha introdução – foi esse vídeo o primeiro deles que eu vi, junto com We’ve Been Had], e duas outras que entraram numa trilha de The OC, Little House of Savages and What’s in It for Me [olha isso]. Além dessas, ouça No Christmas While I’m TalkingMy Old Man138th Street – essa aquiHang On, SiobhanNew Year’s EveThinking of a Dream I Had. Foi o disco inteiro, de novo, mas fazer o quê.

Terceiro da lista: A Hundred Miles Off. É médio um tropeço deles, porque eles exageram em tudo, parecem que tão expurgando. Rolam uns HARDCORE mas em geral é um disco ciente de que poderia ser melhor mas era isso que tinha pra hoje.

Louisiana é exagerada, vejam pelo vídeo que selecionei. Aí vamos pra Danny’s at the WeddingGood for You’s Good for MeAll Hands and the Cook [nesse vídeo que escolhi dá pra ouvir um grito meu. patético, mas quem pode me julgar? Esse outro aqui também é incrível] e Another One Goes By, que nesse vídeo é executada dentro do GUGGENHEIM. O Walkmen tem essa manha de participar de diversos programas, projetos e malandragens, de vez em quando se topa com algo desse tipo por ai. Mas os caras não estouram…

Eles têm um “quarto disco“, renegado.

Daí temos o verdadeiro quarto disco, o início da redenção, aquele que eu ouvi me perguntando se nunca mais os veria descendo o cacete novamente, o You & Me. é um disco calmo mesmo, o que o torna mais bonito ainda.

Ouça Dónde está la playaOn the WaterIn the New Year [dona de versos absurdamente lindos], Postcards from Tiny IslandsRed MoonCanadian GirlThe Blue RouteFour ProvincesI Lost YouIf Only It Were True.

No quinto disco, os caras firmaram essa marra de tocar um som mais tranquilo, mas “dramatic”, como eles dizem numa entrevista, com essa pegada BOLERO ROCK. Esperei Lisbon por meses e quando ele veio foi um bálsamo. Lembro que era uma sexta feira, ela estava no hospital há pelo menos 18 dias. Minha chefe me fuzilava e fazia cara de CU todas as vezes em que eu precisava me ausentar para ir vê-la. Nunca vou esquecer a cara que essa chefe fez quando disse que precisava ir até o hospital para transferir minha esposa da UTI para um apartamento, dentre outras coisas que me fazem ficar preocupado com a criação que os dois filhos que ela tem recebem.

POIS BEM. Nessa tal sexta feira saiu um vídeo do Walkmen tocando uma das minhas preferidas do disco novo, Angela Surf City [versão que eu vi foi a deles no Jimmy Fallon, mas a NBC mandou tirar do YouTube]. Sai do trabalho crente de que a vida ia ficar boa de novo. E ficou. (:

Ouça mais JuvenilesBlue As Your BloodStrandedVictoryWoe Is MeTorch SongWhile I Shovel The Snow e Lisbon.

No Lisbon, as B-Sides também são lindas, em especial, Orange Sunday.

Também tem eles covereando REM e Deerhunter.

Talvez se eu tivesse citado um monte de trechos das minhas músicas prediletas [todas estas que cito daqui pra cima] ficasse mais óbvio porque o Walkmen me emociona tanto, mas se alguém se aventurar a clicar em qualquer um dos links deste post, certamente vai entender em questão de segundos.

Que venha cinco de junho. (:

heartbreaker/broken-hearted

we’ve been had

i see myself change as the days change over
i hear the songs and the words don’t change
i write them out of the book right there
we’ve been had, you say it’s over
sometimes I’m just happy I’m older
we’ve been had I know it’s over
somehow it got easy to laugh out loud

on the water

all the windows are glowing
the branches bending low
the skyline is swinging
rocking back and forth
walking down this dirt road
watching at the sky
it’s all I can do

all hands and the cook

and by the way, it won’t last
the rain will come, the summer’s passed
three shots fired to call us back
you were lost
when I found you
after all, you promised me
a broken nose, a twisted knee