Escrevendo e humilhando

 Tem dias em que as palavras, os links, os poemas, tudo nos persegue. Qual não foi a minha surpresa ao me deparar com os seguintes versinhos no blog do amigo André

diz uma coisa,
só para que eu não erre:
nessa estória de nós dois
quem é o Tom?
quem é o Jerry?

[andré gonçalves – hanna barbera]

André Gonçalves é publicitário, fotógrafo, escritor, poeta e blogueiro. Ou blogueiro, publicitário, fotógrafo, poeta e escritor. Ou poeta, blogueiro… Um cara que é vários, entendam aqui…

Mas, quando ele escreveu esse poeminha, assim, singelo, bobo, mas verdadeiro até o talo, quando ele escreveu essa pequena pérola [mais uma pequena/grande pérola pra coleção desse moço], mal sabia o bem que me fazia [embora me fazendo “mal”]…

Escreve e humilha, esse André… nunca vi…

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O que realmente (me) interessa?

Essa era a pergunta do trabalho final da disciplina de Jornalismo Literário da minha especialização. Eis a resposta…

Uma dúzia de manhãs depois da morte de sua filha, Maria Julieta, o coração de Drummond parava. Em agosto de 1987, o Poeta Maior morria de saudade. Assim, simplesmente. Morria. No atestado de óbito, problemas cardíacos.

O que fez do amor de Drummond um peso que o coração dele não pôde suportar foi a sacal idéia de não conseguir deixar para trás algo que julgamos interrompido, não terminado. Nada mais natural. Instintivo, até. Sempre buscamos conservar ao nosso redor aquilo que nos mantêm eretos.

E antes desse ser um peso que se escolha carregar ou não, ele se mostra ser o tipo de tormento que carregamos por não saber o que fazer com aquilo. Saudade, meu povo, é uma dor cega, tropeçando por dentro da gente.

Uma dor que mata, mata mesmo de verdade, e mata a esmo, mata silenciosa.

Então eu confesso que, confesso que não posso nem quero, nem tenho mais estrutura ou cabeça, que meu corpo já não agüenta mais saudade. Que eu já conto, invariavelmente, meus dias em dúzias.

O fim só pode ser um, e que me desculpe Drummond, não será o meu.

O que me interessa hoje é que tudo ao meu redor adormeça, e eu tatue e costure uma única verdade do lado de dentro do meu corpo inteiro, pulsando e repelindo a saudade como se repelisse a um vírus. Na tatuagem e no bordado, uma frase simples: “home is where your heart is”.

[desculpa, Karine, mas eu não consegui fazer de outro jeito.]

“Você conhece o cabeção?”

É, é o Cabeção, sim. Quer dizer, o Cabeção não, cara, o Fábio Lima. Jornalista, publicitário, produtor, blogueiro referência no Nordeste [eu já achava, mas quem assegurou foi ele, blogueiro de referência no Brasil… vai duvidar?], o cara é O fodão!

Mas me digam se tem cabimento o sujeito parar de postar tendo um blog bom desses… O Avante! sempre atraiu os olhos de deus e o mundo por essa blogosfera imensa, sempre teve bom texto, conteúdo, boas críticas e dicas… Rapaz, é um despautério..

O blog [e o Fábio, minha gente…] foram até pro Pan, mas de lá não voltaram. O último post dessa fase do Avante! [que começou no Blogspot, em idos de 2003?…] foi sobre a chegada no nosso cabeçudinho ao RJ e o início das atividades do PAN. O último post é do dia 13/07/2007 [isso mesmo, uma sexta-feira 13……]…

Depois desse, o emprego do cara [precisa dizer que o blog deu o peteleco que faltava?] consumiu a sua existência e hoje ele é apenas mais um espectro pela blogosfera que paga por um domínio mas não faz uso dele.

Assim, estou lançando a campanha “VOLTA COM O AVANTE!, FÁBIO!“, que se inicia hoje e só pára quando o infeliz nos der uma resposta plausível sobre o seu retorno. Os que quiserem participar, peguem a arte tosca aí de cima e postem no blog de vocês. Vamos ver se a pressão dá resultado… \o/

E tenho dito!

“Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos”

Quando eu era um menino novinho lá em Teresina, eu nem sabia que existia o indie rock, o rock alternativo, o rock de garagem… eu só curtia o rock das montanhas e fazia casacos com pele de alce que eu mesmo matava com a minha espada

Mas aí eu me deparei com Strokes, Hives, Muse… e The Vines. Lembram? Naquele tempo em que baixar uma música demorava 3 dias… em que se levava a mais nova pérola do Metallica de uma casa para a outra por disquete… E era um tesão. Ninguém sabia onde procurar informações, a internet para música ainda era uma incógnita [como descobrir os melhores sites?! onde eles estavam? onde morava o melhor conteúdo?]…

Bom… tava aí eu falando do Vines, né? [Não, não estava] E o Vines, cara, era o tipo daquela banda que todo mundo queria ter como novo Nirvana, todo mundo assim, da imprensa, muita gente não pagou pau hype pra eles, mas outra pá de gente queria por que queria que eles fossem o novo Nirvana. [já já vocês vão entender por que minhas idéias estão assim desconexas]

O vocalista, senhor Craig Nicholls, tem uma doença muito legal chamada de Síndrome de Asperger. Legal por que ela causa dificuldades na comunicação, convivência social, entre outros problemas [é uma parenta do autismo, gotta?]. Ok, longe de rir das desgraças alheias, quero dizer que sinto muito se ele é portador de tal doença. Mas que ser rockstar, ter a tal síndrome [ou não, diga-se] e ser responsável por tal fuá no Letterman é digno de inveja.

Senhoras e senhores, Mr. Devil Himself.

Entenderam agora o meu estado apoplético? Eu quero ser ele quando crescer… =~

O “pinta-de-porco”

Poizé, minha gente, eu acho super válido declarar aqui que o meu irmão, amigo e ídolo, Rafael Campos, tem a famosa “pinta-de-porco”, tão disseminada pelo Viviane Salinas, e ganhou o importante prêmio de melhor reportagem sobre a 12a Caminhada da Fraternidade, na categoria Jornal Impresso.

O rapaz, que ficara todo putinha de ir cobrir o tal evento, mostrou que é mesmo um profissional de futuro e não fez corpo mole. Botou foi pra fuder.

EDITADO: Você pode fazer o download da matéria aqui!

Um viva pro Rafa, que ele merece! \o/

Se meter a besta é pra poucos

“A crise traz oportunidades e mudanças”, dizia biscoito de comida chinesa que eu devorei outro dia. Frase espertinha, deve ter sido retirada de algum livro de auto-ajuda ou coisa parecida.

Mas como as referências quase sempre aparecem na nossa frente pura e simplesmente por que achamos que tudo se encaixa de maneira perfeita, então não custa nada abrir a resenha do livro do Tom Wolfe, “Radical Chique e o Novo Jornalismo” [apenas um dos vários livros da coleção da Cia das Letras sobre o assunto], com a tal frase citada acima.

Por que era diante de uma crise tremenda no jornalismo que o new journalism, e todos os seus desdobramentos, apareceram. Os jornais andavam sem graça, com textos distantes, sem aprofundamento. Repórteres cansados demais para correr atrás da notícia. A rotina sufocante… E aí apareceu o novo estilo, valorizando as histórias, as vivências, a experimentação.

Por que foi um tempo de experimentações, minha gente. De textos livres, focando em diversas histórias, mas principalmente nos personagens, mas não só nos personagens e o que eles estavam fazendo ali, mas também o que os levou até ali, o que mais eles pensavam da vida. Não tenho certeza, mas quero crer que foi aí que surgiu a expressão “melhor pecar pelo excesso que pela falta de informações”.

Junto a um resgate da história e da evolução do jornalismo literário até a chegada nos Truman Capote, Lester Bangs, Gay Talese e afins da vida, Tom Wolfe apresenta alguns textos seus [coisa para saborear aos poucos, como caqui maduro fora da estação].

Na leitura dessa evolução vê-se que o estilo começou a ser construído muito antes de 67, mas sim no século não sei quanto, com o início do uso do realismo nos romances, aí encaixando o meu pouquíssimo lido mas sempre preferido, Fiódor Dostoiévski

Na segunda parte do livro, vem uma série de reportagens do próprio Wolfe, explicitando como se parece uma das várias formas do jornalismo literário se expor para os outros no papel. Aqui sim vê-se recursos infinitos, desdobramentos impossíveis, perguntas e mais perguntas a serem respondidas até o fim da vida.

Tom Wolfe, senhoras e senhores…

E pensar que um dia fui defensor ferrenho do lead e suas possibilidades retardadas pela preguiça. Obviamente que o caminho de um ponto ao outro é árduo e não encontra abrigo nas atuais redações [basta dar uma geral nos jornais pela manhã. É muito difícil encontrar o jornalismo literário sendo desenvolvido por aí. Uma pena.]. Leitura obrigatória para quem não entende de onde o sucesso da revista piauí veio.

Bom, para finalizar, só anotando mentalmente, vamos lá: assim que for professor da UFPI, associar “A Arte de Fazer um Jornal Diário”, “O que é ser Jornalista”, ambos do recifense Ricardo Noblat, com o “Radical Chique e o Novo Jornalismo” de Tom Wolfe. Leitura obrigatória dos três, em seqüência, com resenha escrita, além de debate oral na quarta semana de aula envolvendo a realidade do jornalismo teresinense, piauiense e brasileiro com o que foi absorvido dos livros. Quem viver, verá!

The Strokes na minha vida

Ontem, até o metrô queria que eu escutasse Strokes. Fazer o que, né? Obedecer, claro…

Strokes no Metrô

Mas esse não é exatamente o ponto. O ponto é o bootleg Lasting Memory que eu encontrei ontem, fuçando pela net. Essa compilação traz músicas do Strokes em versões ao vivo ou gravações caseiras e bastante diferentes das que saíram no “Is This It?“, em 2001. Além de canções nunca lançadas oficialmente [algumas delas mudaram de nome e foram parar no ótimo álbum do guitarrista Albert Hammond, Jr.]

As versões para The Modern Age e Barely Legal são paudurecência pura. Para os fãs e devoradores de versões, um prato cheio…