Furando os tímpanos

Fim de ano é a época mais famigerada do ano. Principalmente para listas sem sentido. Ou no máximo para listas sem sentido que só nerds, curiosos e desocupados vão atrás. As musas dos jogos de tabuleiro, os piores filmes mudos franceses, os quadrinhos mais bacanas pra se ler embaixo d’água e milhares de outros tipos…

Devo me encaixar em uma destas categorias, já que fiquei deveras tentado a seguir a lista feita pelo meu amigo Rafael Campos, que usou – olha só que idéia brilhante para preguiçosos e esquecidos como eu – o ranking de artistas mais ouvidos do seu perfil no LastFm para organizar um TOP 15.

E segui, enfim. Para deixar a coisa mais interessante, cada artista ganha um verso que ilustra/justifica a sua presença neste ranking.

Eis aqui os 15 artistas mais ouvidos por mim em 2008.

The Beatles – 3,190 execuções

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Estes são clássicos, mas foi em 2008 que a nossa relação ficou incrivelmente próxima. Incrivelmente profunda. Sei lá, incrível. Ian Black vai dizer que é só uma banda como outra qualquer, e eu até concordaria, se não fosse por Why Don’t We Do It in the Road. Que não é nada demais senão a proposta mais sacana do mundo da música que eu conheço. Wando sentiria inveja. Mas não é apenas essa canção que vale o primeiríssimo lugar para estes garotos. Recomendo ouvir os discos Abbey Road e White Album com atenção. Só esteja preparado para ser humilhado. Vai ficar fácil entender as quase 3,200 audições apontadas acima.

and when at last I find you
your song will fill the air

[the beatles – i will]

The Walkmen – 1,647 execuções

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Thom Yorke tem a capacidade de fazer os mais felizes seres humanos de todo o globo chorarem por sua existência, mas o The Walkmen é quem tem a verdadeira pegada de fazer de você um nada completo. Por que não basta um olhinho caído e uma boca torta, Thom Yorke, tem que ter órgão Hammond e guitarras realmente desesperadas. Isso sem falar dos berros. Ou das letras. Tá, nas letras o Radiohead tem certa vantagem. E esta frase está aqui só pra fazer polêmica.

i’ve seen you with your new boyfriend
it’s funny how you look at him
i know we won’t be seeing him again

[the walkmen – the north pole]

Hurtmold – 1,618 execuções

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Tinha o Cozido dos caras desde, sei lá, muito tempo. E nunca achei nada demais. O erro estava apenas no horário em que ouvia o disco, sempre em horários não muito ideais. Um dia, coloquei o disco no meio do almoço e, enquanto comia, veio a iluminação. Os paulistanos do Hurtmold têm uma incrível obra que, além de manter o pique, não sacia a fome por boa música. O menu é interessante e a vontade é repetir todos os pratos discos ad infinitum.

o dia já vai raiar, é melhor você ir embora
não insisto, desisto
discutir pra quê, quem está disposto a isso?

[hurtmold – desisto]

Justice – 1,406 execuções

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Gaspard Augé e Xavier de Rosnay são doentes, Cross é um disco perturbador e tive ótimas noites/dias/sonecas com eles me deixando um pouco mais surdo. É o tipo de música que me faz encarar a música eletrônica com outros olhos. Experimente ouvir Stress quando estiver com raiva de alguém e separe o seu melhor saco de pancadas para a reação provocada.

rockin’ high-tops and sayin’ no to stilettos
cuz i might get drunk off my ass and I don’t wanna fall

[justice – the party]

Radiohead – 1,383 execuções

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Thom Yorke e sua patota vêm ao Brasil em 2009 para nos dar uma dose de leseira e perturbação ao vivo e em cores. 2008 foi o ano de ouvir In Rainbows e, junto com ele, ouvir todos os outros discos do Radiohead. Nessas, perdi a birra com The Bends e cantar a plenos pulmões “And if the world does turn and if London burns, I’ll be standing on the beach with my guitar. I want to be in a band when I get to heaven. Anyone can play guitar and they won’t be a nothing anymore” foi, como sempre, coisa linda de deus. Chora, malandragem. Quer dizer, deixa pra chorar em março do próximo ano.

i won’t let this happen to my children
meet the real world coming out of your shell

[radiohead – i will]

Chico Buarque – 1,101 execuções

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Este é mestre sempre, está aí para trazer sossego ao coração deste poeta frustrado.

eis que do nada ela aparece
com o vestido ao vento
já tão desejada
que não cabe em si

[chico buarque – bolero blues]

Muse – 1,072 execuções

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Com a criatividade sumindo e lançando discos cada vez mais dementes [uma demência diferente da dos dois primeiros discos, frise-se], ir no show era tudo que me faltava na veneração ao Muse. Agora é esperar para ver o que vem na próxima bolachinha e quem sabe decorar o nome de todas as músicas e suas respectivas letras, como no passado.

passing by you light up my darkest skies
you’ll take only seconds to draw me in
so be mine and your innocence i will consume

[muse – dark shines]

Ludovic – 861 execuções

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O som que mais me lembra/remete a São Paulo é feito por paulistanos e me rendeu um dos shows mais viscerais da minha vida, com direito a tirar os óculos com medo de ficar sem no meio da destruição, digo, apresentação dos rapazes. E janeiro, o pior dos meses, está chegando novamente. Com ele, mais um show na Outs e mais um espetáculo imperdível. Né, Jader Pires?

vinte meses em claro
quase dois anos sem dormir
prece rezada em longos atos
– senhor, arraste-os para onde eles não possam mais mentir

[ludovic – um grande nó]

Os Novos Baianos – 802 execuções

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Descoberta antiga, mas esquecida, retomei com gosto em 2008 para nunca mais largar. A Baby pode ter abraçado a religião e o Boca de Cantor pode ter sumido, mas ainda há registros dignos de nota, sorriso na cara e prontos para serem trilha sonora daquela pelada no sábado de manhã ou do samba no domingo à tarde. Esteja à vontade para escolher.

ou pensas que é à toa
que nego diz: – oi, bicho!
então marcou e marcar
é pior que perder gol

[os novos baianos – guria]

10º Iron Maiden – 681 execuções

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Uma vez apaixonado por Iron Maiden, apaixonado pelo Iron Maiden para sempre. A 10ª e surpreendente posição deles por aqui só me lembra do tal artigo que tenho esboçado na cabeça e no pc chamado “Razões para ser devoto do Iron Maiden”, que tem validade para os três primeiros discos, pelo menos. Ainda vai sair, tenho certeza.

you walk through the subway
his eyes burn a hole in your back
a footstep behind you
he lunges prepared for attack

[iron maiden – killers]

11º Led Zeppelin – 670 execuções

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Muito Led Zeppelin I, II, III e IV embalando madrugadas de redação e vendo o tempo passar, Houses of the Holy confortando caminhadas. Merecia estar acima no ranking, mas já está acima do bem e do mal para mim.

spent my days with a woman unkind
smoked my stuff and drank all my wine
made up my mind to make a new start
going to california with an aching in my heart

[led zeppelin – going to california]

12º Billie Holiday – 622 execuções

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Aqueceu camas e gelou corações, tudo a seu tempo e durante o ano inteiro. Lugar merecido.

you came, you saw, you conquered me
when you did that to me
i knew somehow this had to be

[billie holiday – these foolish things]

13º The Strokes – 617 execuções

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Is This It ainda vai fazer você chorar. Room On Fire ainda vai fazer você chorar. First Impressions of Earth ainda vai fazer você chorar. Por motivos diferentes, mas vão.

i wanna steal your innocence
to me my life it dont make sense
those strange manners, oh i love ‘em so

[the strokes – barely legal]

14º Bob Dylan – 577 execuções

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Prefiro me manter em silêncio sobre a presença de Bob Dylan nesta lista.

you walk into the room
with your pencil in your hand
you see somebody naked and you
you say: – who is that man?

[bob dylan – ballad of a thin man]

15º Grandaddy – 549 execuções

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Uma pena que acabou. O Grandaddy é o tipo de banda que te parece som de gente esquizofrênica, e que no fim se prova um pouco disso mesmo. Muitos barulhinhos, distorções, músicos capengas [mas incrivelmente competentes] e uma voz que incentiva qualquer sapo da lagoa a cantar. Perfeito. Os caras possuem uma discografia fascinante e absurdamente criativa. Faz falta, faz muita falta.

so there’s my baby
laughing at me in the sun
wonder if i’m the weaker one
i feel so far away from home
always so far away

[grandaddy – el camiños in the west]

E você, o que ouviu esse ano?

A pequena fábrica de amores

Num fim de semana de setembro fui ao RJ e propositadamente deixei o crachá do meu motivo de viagem para minha sobrinha, a pequena-já-ficando-grande Eva.

– Pra quando você sentir saudades, Vida. O tio vai estar sempre por aqui
– Tá bom, tio

Eva é menina sensível e dona das frases mais desconcertantes. Como criança, ainda guarda a inocência que o mundo vai destruir logo logo, naquele processo também conhecido como amadurecimento. E é a inocência dela que me faz passar mal de tanto amor e saudade.

Como da vez em que, depois de um passeio pela Lagoa Rodrigo de Freitas, uma cabisbaixa sobrinha me acompanhava no banco de trás do carro de minha irmã, já no caminho da casa de meu pai.

– O que foi, Vida, porque você está tristinha?
– É por que você vai embora, tio

Um estremecer me sacudiu a alma, o olho turvou e o cheiro do cabelo dela me deixou sem jeito para dizer algo além de um “mas o tio volta logo, amor”.

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Somos tão unidos que ela nasceu um dia antes de mim. Este ano, quando da minha ligação de felicitações, a sinceridade dela explodiu como eu desejo que seja para sempre.

– Oi, Vida! Feliz aniversário!
– Brigada, tio!
– Tá boa a festa?
– Tá sim!
[em off, para a mãe que estava do lado]
– Mãe, eu quero ir brincaaar!
[responde a mãe]
– Fala com seu tio, Eva
[Eva volta a falar comigo]
– Oi, tio
– Hahaha, vai brincar, meu amor, vai!

Para que submeter a menina a ficar gastando tempo ao telefone se o bom mesmo era brincar de pique-esconde com as amigas da escola? E lá foi ela, com o coração leve e as pernas ágeis. No dia seguinte, no meu aniversário, uma ligação da irmã, e a voz da minha Vida surge de repente.

– Parabéns, tio!
– Meu amor, brigado!
– Te amo

Assim, sem meias palavras, sem vacilo.

Então hoje, de novo ao telefone, para desejar um feliz natal que ela ignorou [parece que as lições de budismo para crianças estão sendo bem dadas], um diálogo surge.

– Tio, sabe o crachá do Yahoo! que você deixou aqui?
– Sei, Vida, que tem?
– Sempre que eu fico com saudade de você eu dou um abraço nele

Dia após dia, a tatuagem no ombro esquerdo vai perdendo o jeito de mero pigmento impresso na pele e se torna uma marca de nascença.

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Eva é minha declaração de independência do sofrer, é meu passeio em dia de sol, é meu antídoto para todas as dores do mundo.

Ofereço

Quando te conheci, no meio do acaso, não tinha um puto no bolso e apenas um álbum com fotos suas. Não só fotos suas. Tinha também uns quadros do Klimt. Mas eu me liguei mais na última foto. Na sua. Era sua.

Claro que o Klimt me chamou a atenção, é meio impossível passar incólume pela tensão das obras dele. Bom, o que eu quis dizer é que a sua foto e o seu “quando eu crescer quero pintar como ele” me despertaram a libido intelectual, aquela que excita o cérebro.

Depois o apelo do corpo, o seu “oi” quando eu entrei no carro e o trajeto chamando o outro de “velhote maldito”. E a volta para casa, o olhar vindo de cima, o dia seguinte, o sorriso de manhã, achar que já não era assim tanto, me certificar do contrário, a faxina perdida, a espera, as mensagens, “acho tão sexy quando você dirige…”, a distância, o silêncio, o retorno, a conversa, “vamos ouvir Bethânia”.

Então eu decorei a data e, pelos velhos tempos, te ofereço aqui dois singelos presentes: um quadro do teu querido Klimt e um dia com gosto de maracujá.

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Feliz aniversário.

Não esqueça a minha Caloi

Eu não posso dizer que sou uma pessoa pouco afeita a tosqueiras. Afinal, já tive cabelo grande [DUAS VEZES], sou amigo do Rafael e do Ennio, torço pro Vasco…

Bom, mas aí que o Ian Black, meu amigo e colega de trabalho, conseguiu se superar. Participante do Desafio LG, ele teve que gravar um vídeo dublando uma música. A escolhida para a humilhação pública de Blacko foi What A Feeling, tema do filme Flashdance.

E daí? Daí que ele precisa de gente postando essa coisa horrenda pela internet para ganhar a prova e levar o prêmio do Desafio, um puta notebook LG.

Como sou do time do malandro e digital myth, estou cá fazendo a minha parte, ajudando o cara e queimando o meu filme. Quem sabe eu não levo o outro notebook da promoção?

Lindo, né?

Se você se animou em ajudá-lo, quer imitá-lo, ajudá-lo ou falar mal dessa tosqueira sem tamanho, basta seguir as instruções no Enloucrescendo.

s/t zerodois

despite all my rage, I’m still just a rat in a cage

[smashing pumpkins]

 

tira de Laerte®

tira de Laerte®

Não, caro amigo, não estranhe, por favor. Não estranhe a boca molhada e o nariz escorrendo, a face vermelha e a respiração intermitente, entrecortada por um soluço que não passa, por uma dor que não se esconde. Nem mesmo depois do vinho e do sono.

Ok, então também não se espante com a cena: dois amigos, um colchão e um vídeo na tela. Um clipe. Palavra-por-palavra como na recitação adolescente. O venerar de quem diz “como há dez anos atrás”. Como forma de libertação final da angústia ou passo último do ritual de aceitação da mesma dentro do peito que, “desiste, bate por costume”. E nós? Nós seguimos somente por não sabermos morrer. E nossos amigos, todos, todos, estão procurando emprego, sentido, abrigo ou fim.

Se acorda para o mundo e se fala de angústia. Mas também se fala de raiva e de dor. E de torpor, auto-destruição, saudade e amor. Uma pitada de amor para sacramentar abraços e enfeitar sorrisos. E todo o resto para mostrar que o sofrimento é a base da estruturação do ser humano. Do ser. De ser algo, algo firme, algo centrado.

E mesmo que não se busque centros ou certezas, sofrer é a preparação que o mundo nos mostra para que o espírito saiba aproveitar qualquer segundo de prazer. Distante disso, tudo é exagero e dele sabemos que não se tira quase nada.

Silêncio. Pensa, matuta, reflete. E-s-c-o-l-h-e.

quando cedia, na solidão de suas noites intermináveis, à tentação de telefonar para um deles, sempre se sentia triste depois, triste e derrotado

[philip roth]

E não há derrota pior do que se sentir sozinho mesmo no meio de tanta gente. E essa é uma reclamação recorrente, é um choro que já nasce abafado, já sai do canal lacrimal com vergonha de se mostrar ao mundo.

É quando a barriga da gente cresce mais do que a cerveja e os sanduíches na alta madrugada são capazes e tornam nosso umbigo a força que move o universo, mantendo tudo no seu campo gravitacional, sendo mais pesado que um buraco negro e mais guloso que um também, sugando toda a atenção disponível num recinto qualquer. É uma eterna disputa de quem está mais fudido, de quem mais  precisa da mão estendida, de quem mais precisa de colo. Invariavelmente o resultado aponta para o seu próprio umbigo. Péssima a sensação constrangedora e a absoluta e vergonhosa certeza do egoísmo. “Mas eu preciso!!!”, diriam todos.

Enquanto isso, os analistas de porta de boate esfregam as mãos e riem.

Um olha um garoto e pensa.

Chapado, bêbado e de pau duro, achando que sabe fuder alguém além de si próprio. Esse vai ser bem feliz no meu divã, vai ser ótimo lhe incutir pequenas loucuras que sempre o trarão de volta para mim

Ao seu lado, o raciocínio de outro é quase mastigável, não fosse o amargor.

Maxilar travado, mamilo rasgando o vestido, sorriso débil e vergões no pescoço. Quando, amanhã de manhã, ela não for mais a dona do mundo, muito menos tão gostosa quanto a fizeram acreditar esse tempo todo, que delícia vai ser tomar o dinheiro do pó dela para comprar o meu próprio pó

Ou como disse outro, “há meia hora que procuro incutir-lhe as verdades eternas, mas ele resiste”.

Mas no fim, todos concordam: o mal do século é a solidão, o mal do século, o responsável pelos suicídios, pela destruição de lares e pelos filhos tão calados e tristonhos é a doce e falsa ilusão de que ser sozinho é bom.

Aí um dia você acorda, de ressaca, zerado, sem nada para fazer e fica olhando para o teto. Vomita um pouco. Olha no espelho e não consegue pensar em nada que não seja o seu umbigo. O seu lindo, tranquilo e tão aconchegante umbigo. E nem escuta a porta da rua bater, e nem lembra da menina largada na cama, e nem se importa com o que vai ser daqui pra frente, “afinal de contas, a vida é essa, não?”.

Eis que o ciclo se abre e novos personagens se mexem dentro dele, mas você sempre, sempre, sempre vai ser o sujeito voltando para casa sozinho. O último a pegar o metrô, o esquecido que não tem para quem ligar, o surdo-mudo que tenta gritar e, vejam que delicioso, NUNCA vai conseguir.

A angústia, meu caro, faz você conversar com a sua imagem no espelho, como se treinasse poses para um ensaio, como você fazia quando criança.

Um dia, no entanto, tudo isso explode e o que mais você pode fazer a não ser deixar as coisas fluírem? Acompanhar de longe a desgraça dos outros enquanto administra a sua?

De que me serve o amor próprio se não posso me dar carinho, me abraçar, me beijar, me fazer dormir, me fazer companhia, me fazer sorrir, me levar pra jantar, dizer que preciso de mim, se nem mesmo me pedir colo ou me fazer chorar eu posso?

Mas se for pra amar o próprio, prefiro a mim mesmo amar porque o próprio não tem a quem dar amor

[g.l.]

E então, numa tarde nublada, tudo que se quer é um lugar legal para ir, onde alguém lhe sufoque o silêncio que vibra dentro de você como uma força, tudo que se precisa é esquecer desta noite, já que “a cada hora que passa envelhecemos dez semanas”…

Tudo que se precisa é de algo que aquiete ou mate o bicho que te rói por dentro, que te suga, te abusa, te maltrata.

Um bicho chamado você.