Ótimo jeito de começar a noite

Depois de ler seu e-mail, sucumbir à reação lógica e, em seqüência [mas quebrando a linha narrativa], receber sua ligação com aquele tom de voz que me assustou tantas vezes durante noites a fio, me vem à cabeça que talvez você não tenha parado pra pensar que eu prefiro perder meu pinto a trair a sua confiança de novo [frise-se].

Assim, nada melhor do que mais um mal-estar para começar a noite. Não é sempre que se tem essa dádiva.

Logo, aproveitem vocês também, ok?

Passar bem…

Reflexões ao despertar

Uma das coisas mais complicadas que pode acontecer na vida de qualquer ser humano é obedecer ao coração ou a mente no lugar dos instintos.

Dizem que é isso que faz da gente não só uma colônia meio organizada de bichos muito loucos, mas exatamente seres humanos.

Duvido. Juro que duvido. Às vezes, resistir aos instintos é não só uma prova de que você não é só uma massa humanóide rodando que nem peru doido por aí. É um atestado de que você tem algo de santo.

É como já dizia um professor meu: a lei foi feita para o homem, e não o homem para a lei. Essa é uma filosofia de outro cara, provavelmente do Boff, e não dele, mas tudo bem. Acho que eu não vou ficar com peso na consciência.

Essa busca torta pela santidade faz de nós, reles mortais, um pouco mais interessantes. Corrijo-me… essa busca pela santidade não, essa resistência aos instintos. Resistir, seja por meios físicos, psicológicos ou mentais, é um mérito a ser aplaudido de pé. Uma salva de palmas, por favor.

Outra questão que me instiga muito é a capacidade do ser humano de sentir culpa, e isso pensar tanto sobre os seus ombros como um espírito maligno ou um bigorna. E sente-se culpa por tudo, no fundo no fundo, sente-se culpa por tudo. Pelo cigarro fumado, pelas contas, pelo minuto extra na rua, pela palavra a menos no trabalho, pelo bom dia boa tarde boa noite que não se fala.

Sentir culpa é algo inerente ao human being, homem, eu tu ele, ainda mais e principalmente num país católico como o Brasil. Ser criado sob a égide [hahaha] do catolicismo nos faz assim, gaiatos pra caralho. Sentimos culpa por tudo que nosso senhor jesus cristo põe no mundo, desde a bituca de cigarro que cai no lugar errado até aquela dada sem camisinha.

E nesse primeiro volume das minhas “Reflexões ao Despertar”, há uma necessidade de se completar o texto com a produção anterior, “Reflexões durante um porre de Mangueira com Cajuína”, vide a interligação clara e óbvia das duas temáticas.

Certa vez um professor meu de português me perguntou, durante uma aula, de modo bem jogral, o que o homem seria caso a mulher não existisse. Eu, sabiamente, aos meus 14 anos [por favor, leiam as entrelinhas!], disse que sem a mulher, o homem seria apenas uma massa disforme vagando pela terra.

Ao fim da minha filosofada sem noção e altamente canastrona [já aos 14 anos, que orgulho!], um sorriso de aprovação.

Mas alguém já pensou que o Homem é um ser filho da outra o suficiente para destruir o mundo só por tesão guardado? E não adianta vir com papinho de que mulher sabe se segurar, não sente tanta falta, compensa com chocolate. O caralho! O Homem é um ser tosco, culpado e instintivo. Graças a deus a gente ambiciona uma salvação [é?], por que já se nasce pecador, pode ter certeza.

Mas aí é que vem certa graça da vida. Já se nasce com tanta coisa contando contra [ou a favor, depende de que cartilha você reza], que subverter a ordem das coisas pode ser interessante. O Homem também é subversivo, toma cerveja de manhã, fuma, trepa, também em árvore, uma confusão.

Maravilhoso, não?

Reflexões durante um porre de mangueira com cajuína

Tudo que eu deixei pra trás me traz um vazio tão grande, me tira a paz, me dói demais

Eskimo – Canção Para Os Amigos

Se a solidão tem uma verdade, talvez a maior de todas seja: as coisas que a gente deixa pra trás são as que mais fazem falta. Você não se importa tanto em não ter conseguido seus objetivos, você talvez nem se dê conta de que esses tais objetivos não foram alcançados, as diretrizes mudam muito rápido para que a sua consciência consiga acompanhar.

O que incomoda mesmo é deixar de lado, meio que esquecendo [por ter que ocupar a mente com outras coisas], tudo aquilo que você já tinha conquistado. Provavelmente esse seja um pensamento pequeno, esquisito e incongruente. Mas dane-se. As coisas são assim mesmo. Embora muito se pense no futuro, a dor maior seria perder o referencial do seu passado.

O futuro é algo que não nos pertence [e também não pertence a Deus, caro leitor(a) beato(a)…]. O futuro é um conjunto de incertezas que nos faz apenas aceitar o que for acontecendo. Por que não adianta muito você se programar para que tudo saia do jeitinho que você quer. Definitivamente não adianta. É mais além, o buraco é mais embaixo.

Quando você dorme e não sabe o que vai fazer no outro dia, ou não sabe como vai fazer para dar conta do que já se tem programado para o outro dia, toda essa agonia é válida apenas para preparar seu coração para sustos maiores. São as doses extras de adrenalina antes de dormir [e que não te deixam pregar o olho] que te levam a aceitar melhor as merdas da vida. E essas merdas estão diretamente ligadas à broxante certeza de que o seu futuro não vai ser do jeito que você quis.

Claro que sempre se pode tomar uma cerveja no fim do dia e conversar sobre fotografia, futebol e mulheres, mas tudo isso é apenas uma maneira de desviar sua maneira da idéia principal de que tudo que você conquistou na sua vida ficou para trás. Toda a segurança que você um dia teve ficou em algum lugar do passado, por que agora é o momento em que o futuro começa a fazer das dele, se programando para quebrar suas pernas na próxima esquina.

E é nesse momento que as lembranças de um passado seguro, tranqüilo, feliz, são tão importantes. Quando você consegue lembrar que seu passado [ou as coisas deixadas para trás] te traz um vazio filho-da-outra, é aí que você se toca que esse vazio é o teu chão, é o que te segura. Ele é a tua outra dose extra de adrenalina para preparar o teu coração para a percepção mais clara [embora se insista em negar…] do futuro deixado para trás e da impossibilidade dele te esperar. Não, não vai mesmo.

Tudo que você deixou para trás, amigo, ficou lá. As coisas à frente não são seguras e então você só tem o presente. No fim das contas, você só tem o hoje. Só o hoje te possibilita decidir tudo que você quer fazer, deseja, consegue, ambiciona.

No hoje você pode tomar um porre, fumar um beck, trair seu marido, roubar uma maçã, perverter um menor de idade, fazer sexo com uma galinha, sem se preocupar efetivamente com o que vai acontecer no futuro e em que tipo de passado aquilo vai se transformar.

Pode ser que você seja vá pro trabalho ainda de porre e dê tudo certo [ou errado], pode ser que a polícia te pegue e te enquadre como usuário de maconha, pode ser que você seja traída em retorno. Pode ser que você mate sua fome e perca um pouco de dignidade, seja atacada por uma mãe raivosa ou ganhe um amante imberbe, mas duro como um touro, ou finalmente tenha um filho com um bico e algumas penas.

Mas nada pode definir exatamente como tudo aquilo vai ser processado. Pode ser que se der tudo certo, então esteja tudo realmente errado. Pode ser que você se ferre e isso sirva para iluminar seu caminho. Só que a principal verdade de tudo é ignorada: tudo isso vai trazer conseqüências, mas não se sabe quais. E nunca vai se saber até se tentar [ou até se ferrar…].

E assim o hoje se mostra como uma tela em branco, uma folha de papel ainda não escrita. Tudo aquilo pode se transformar em todas as outras coisas ao mesmo tempo.

Resta saber se você vai querer descobrir o que tem do outro lado.

Eu continuo covarde o suficiente para pensar nas conseqüências antes de fazer as coisas. E por isso o que eu deixei pra trás me traz um vazio tão grande.

Homem-aranha, homem-aranha… nunca bate só apanha

Jesus, Maria, José…

eu sei que pros meus amigos insensíveis isso talvez não signifique muita coisa [como você podem achar que ganhar um cd do The Walkmen é uma coisa normal, como outra qualquer!?!?!?!?], mas para mim, que tô pouco me lixando pro Aranha [conversa, o Rafa sabe que não…], essa notícia é muito mais foda do que todos os trailers que já saíram do III do Cara de Teia.

Tava lá na coluna do Lúcio Ribeiro, dizendo que a OST do filme largou o emo de lado [não chore, Ennio Sales] e colocou rock de culhões na porra da película. Assim, temos no set list bandas como Yeah Yeah Yeahs, Flaming Lips, The Walkmen, Wolfmother e Snow Patrol, todos com faixas inéditas.

THE WALKMEN, CARALHO!!!

Nada como escutar o Hamilton Leithauser berrando a música inteira, as veias do pescoço à mostra, quase explodindo. Nada, nada, nada.

Putaquepariu… dei um jeito de escutar aqui na Metodista, mas dê um jeito de escutar aí na sua casa também. Aproveite e escute o YYY domado [mas nunca com o freio de mão puxado!], com Karen O’ cantando calminha [jeeeeeeeesus!].

Putaquepariu, eu vou ver a porra desse filme só por causa da trilha sonora… ahhhh! A notícia mais empolgante do ano, pra mim. Pó de crer!

Tá certo que o resto do disco traz ilustres desconhecidos [ou como diz a Rine, bandas muito conhecidas por pouquíssima gente…], mas esse combo daí de cima é…. putaquepariu…

No MySpace oficial do filme, você pode sacar três músicas, a do Walkmen, a do YYY e a do Snow Patrol, em ordem de importância para salvar o mundo. Lá você confere também o resto do track list…

ps.: é bem isso mesmo… acabei de ouvir a terceira canção liberada e Walkmen é foda, YYY é bom e Snow Patrol é médio. mas tire suas próprias conclusões, claro…

São Bernardo do Campo fica no Leste Europeu

Descobri, finalmente eu descobri.

Depois de tanto tempo admirando e pensando a respeito da arquitetura das cidades do ABC, depois de ter visitado Santo André, depois de ter visto uma parte do caminho de São Bernardo do Campo para São Paulo, finalmente descendo no Parque Dom Pedro II, pegando o metrô, vendo a paisagem, finalmente descobri.

Descobri o que me chama tanto a atenção por aqui: as cidades me remetem a uma imagem mental do que seriam as cidades do Leste Europeu à época da Guerra Fria, com praças amplas, ruas largas, pessoas caladas, locais ermos, arquitetura fria, pouco convidativa.

Talvez tenha sido Santo André o local que tenha mais me chamado a atenção para isso. Não sei explicar bem, como disse antes, é uma coisa que agora vem à minha cabeça muito claramente, mas que anteriormente me passava apenas uma idéia de desconforto, como se tudo ali não me pertencesse, imageticamente falando. Falo de imagética por que é a construção das imagens, como as imagens desses lugares são construídas para mim, como esses ambientes me são não reais, mas percepções adquiridas em viagens de ônibus calado, olhando para as ruas pela janela.

Agora que os dias têm sido mais frios, com o tempo nublado que está, fica mais simples ainda de ter esse tipo de percepção. Tudo fica mais sóbrio, as pessoas ficam mais quietas, não saem tanto na rua, tudo fica um pouco mais calmo e um pouco mais sombrio. O céu, nas noites, fica até parecido com o céu que tanto me encanta aí em Teresina [engraçado que o pôr-do-sol aqui tem tons dourados…], e aumenta a sensação de vazio espacial. Você pode andar muitas e muitas quadras até cruzar com alguém que te olhe nos olhos.

O Grande ABC me parece muito, de verdade, com a imagem que eu tenho na minha cabeça, a imagem recorrente e mais do que verdadeira do que eram as cidades do Leste Europeu à época da Guerra Fria: gélida, distante e impessoal. O pior é que, de uma maneira ou de outra, eu ainda me sinto meio que em casa.

Chapéu de otário…

É… chapéu de otário é marreta, diz sempre meu caro amigo Dhuba…

Então… paguei geral de otário inventando essa especialização que tá me fazendo estudar mais do que em toda a minha vida.

Hoje de manhã acordei cedo pra terminar um artigo de 14 mil toques sobre Henry Ford, o trabalho… [terminei colocando a Legião Urbana e Aldous Huxley no meio do artigo, não me pergunte como!].

Engatei com a Fundamentação Teórica de um paper sobre um fodão da Folkcomunicação [um assunto que nos foge, pobres mortais da UFPI que somos…] que Orlando Berti, Tyci Vaz e eu queremos mandar prum encontro de comunicação.

Agora recebi as diretrizes e regras de um trabalho da disciplina de Música Popular…

Saca só…

“A proposta consiste em analisar a obra, no todo ou parte específica (uma fase, um disco, uma canção etc.), de um compositor/intérprete do momento. A escolha deve seguir os critérios de atualidade e inovação.

O texto deverá ter entre 9 mil e 10 mil caracteres, com espaços (Fonte Times New Roman 12, espaço 1,5), exceto Referências Bibliográficas (ver orientações abaixo) e possíveis anexos (letras, fotos etc.), e deverá ter um caráter analítico. Não poderá ser biografia, nem perfil profissional.

[…]

As argumentações deverão estar acompanhadas de citações de outros autores e, se for o caso, de entrevistas feitas com estudiosos do assunto.”

É mole!?!?!? Não sei pra que dia é, mas já sei que a Pepsi X vai ter que me ajudar.

E, definitivamente, eu vou falar de algum artista do funk carioca. Nem que seja o funk carioca produzido em Curitiba [o time se escreve com O, a cidade com U]. Já que tem que ser novo, recente e o cacete a quatro, já elimina a consulta arqueológica ao Edu K e subverte mais um pouco a ordem das coisas.

Senão, eu falo do Ludovic…

ps. no final do mail do professor ele se despede com um singelo “Aproveitem o feriado e estudem mais um pouco!!”… COMO ASSIM, DOIDO!?!?!?