Top 5 filmes para dias de crise [e para ouvir The Walkmen]

Tudo começou com um chamado do Denis Pacheco no Twitter:

“colaborem comigo twitters: top filmes q vc assiste qdo tá em crise (não q eu esteja ou algo assim…)”.

Quem me conhece [toda vez que eu falo sobre isso, repito essa frase, mas acho o aviso tão necessário…] sabe que eu sou simplesmente péssimo para fazer listas. Por que temas restringem minha memória e, depois que eu passei a ter um sono irregular, esta tem ficado cada dia pior. Mas me empolguei com aquele pedido e de cara saquei uma lista basicona, sem pensar muito [feita tão na pressa que errei até o nome do primeiro filme].

Nas minhas sugestões entraram The Graduate, Closer, Before Sunrise, Before Sunset e Lost in Translation. Daí que o Denis escreveu o Top dele, coincidindo com três das minhas dicas. O comentário dele sobre a indicação The Graduate, no entanto, me levou a explicar meu próprio Top 5. E é por isso que estamos aqui.

Para acompanhar tão desesperado Top 5 de filmes para dias de crise, convoco a obra de uma banda que me acompanha nos mais diversos tipos de emboscadas emocionais, os meus preditelos, o The Walkmen e cada filme vem acompanhado de uma possível música-tema/trilha sonora. Vamos lá.

The Graduate [The Walkmen – What’s in It for Me]

Divido a opinião com um antigo e distanciado amigo de que as resenhas e sinopses que tratam esse filme como comédia são A piada da história. The Graduate conta as tragédias de Benjamin Braddock, recém-formado, 21 anos, de volta à casa dos pais, aprendendo a lidar com a vida adulta, mulheres, expectativas e o maldito futuro. Para todos que estão saindo da universidade ou pensam em amar alguém loucamente.

Mr. Braddock: What’s the matter? The guests are all downstairs, Ben, waiting to see you.
Benjamin: Look, Dad, could you explain to them that I have to be alone for a while?
Mr. Braddock: These are all our good friends, Ben. Most of them have known you since, well, practically since you were born. What is it, Ben?
Benjamin: I’m just…
Mr. Braddock: Worried?
Benjamin: Well…
Mr. Braddock: About what?
Benjamin: I guess about my future.
Mr. Braddock: What about it?
Benjamin: I don’t know… I want it to be…
Mr. Braddock: To be what?
Benjamin: [looks at his father] … Different.

Closer [The Walkmen – We’ve Been Had]

Parece ser uma constante esse filme figurar em listas de gente em crise. Na primeira vez em que vi Closer, estava tão mais interessado no sexo que viria depois que não percebi como ele fala muito de relacionamentos “modernos”, efêmeros-eternos e de como cada pessoa sempre se dá o justo e válido direito de pensar só no seu umbigo. Com diálogos perfeitamente rascantes, seu único defeito é a trilha PATÉTICA de abertura, a mega-chata The Blowers’s Daughter, do Damien Rice.

Anna: We do everything that people who have sex do!
Larry: Do you enjoy sucking him off?
Anna: Yes!
Larry: You like his cock?
Anna: I love it!
Larry: You like him coming in your face?
Anna: Yes!
Larry: What does it taste like?
Anna: It tastes like you but sweeter!
Larry: That’s the spirit. Thank you. Thank you for your honesty. Now fuck off and die, you fucked up slag.

Before Sunrise [The Walkmen – Hang On, Siobhan]

Aqui a coisa atinge outro nível. Da imaturidade de The Graduate, passando pela fragilidade das relações de Closer, chegamos ao “first sigh love” de Before Sunrise, um filme que conta um dia de duas pessoas que se encontram, conversam, ouvem uma música fantástica da cantora Kath Bloom, chamada Come Here e só então se conhecem. Nesse ínterim, já é hora de partir, mas nunca de dizer adeus.

Jesse: Sometimes I dream about being a good father and a good husband. And sometimes it feels really close. But then other times it seems silly like it would ruin my whole life. And it’s not just a fear of commitment or that I’m incapable of caring or loving because… I can. It’s just that, if I’m totally honest with myself I think I’d rather die knowing that I was really good at something. That I had excelled in some way than that I’d just been in a nice, caring relationship.

Before Sunset [The Walkmen – In the New Year]

Before Sunrise nos leva diretamente a Before Sunset, sua continuação. Os dois personagens, Jesse e Celine, envelheceram, viveram, lutaram, perderam, se decepcionaram e enfim se encontraram novamente, agora em Paris. E como todas as pessoas que envelhecem e amam [nessa combinação exageradamente fascinante e prejudicial], se tornaram um pouco mais cínicas, amargas e, por que não?, esperançosas.

Celine: Memories are wonderful things, if you don’t have to deal with the past.

Lost in Translation [The Walkmen – The Rat]

A redenção de todos os desajustados, de todos os perdidos [sem trocadilhos]. Sofia Coppola aposta nesse longa numa combinação de isolamento pessoal e social, levando dois americanos a se encontrarem no meio de Tóquio. A língua e a agudez das personalidades de Charlotte e Bob levam o incauto espectador a um estado de agonia constante, se identificando [mesmo que insista em não admitir] com os pequenos grandes silêncios que permeiam o filme. “Just like honey”, saca?

Bob: I don’t want to leave.
Charlotte: So don’t. Stay here with me. We’ll start a jazz band.

É… e depois as pessoas não entendem por que eu gosto tanto de American Pie e Austin Powers. [suspiro…]

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Challenge [ou como humilhar um leso pra filmes como eu]

Quem conhece um pouquinho de mim sabe da minha total e completa incapacidade de fazer listas. Top 5, Top 10, Top 50, Top 100… todos só me remetem ao bom e velho “top top” [got it? o/]

Mas o Rafa me jogou no colo um desafio que eu aceito de bom grado pra fazer média com ele, por que é preciso enfrentar suas deficiências e supera-las …

O desafio é escolher, sem pensar muito, 10 momentos aleatórios no cinema na minha [na sua, na vossa] lembrança, porém importantes.

Traduzindo? M-E-F-U-D-I! Mas vamos lá, honrar o que levo no meio das pernas [gordura?]…

1 – Match Point:
– o texto do início com a bola de tênis parada no ar: “The man who said ‘I’d rather be lucky than good’ saw deeply into life.” o///
– diálogo entre Nola e Chris, durante o ping pong:

Nola Rice: Has anyone told you you play an aggressive game?
Chris Wilton: Has anyone told you you have very sensual lips?
Nola Rice: A very aggressive game. 


– Pegação no campo de centeio

2 – Rei Leão:
Scar jogando o Mufasa do desfiladeiro [FILHO DA PUTA!!! Xohrey litrus nessa hora]

3 – The Graduate:

Benjamin: Mrs. Robinson, you’re trying to seduce me.
Mrs. Robinson: [laughs]
Benjamin: Aren’t you? 

 

Essa cena só não ganha da cena final, a cara de alegria desesperada [ou seria desespero alegre?] do Ben e da Elaine, se olhando e provavelmente pensando: “e agora?!!??! fudeu!”

[SPOILER!] 4 – No Country for Old Men:
– Cena do balaço de escopeta e o Llewelyn Moss não diz nem “ai!”. Macho pra caralho!

5 – Lord of the Rings III:
– Legolas matando um olifante SOZINHO!!!!! o///////

6 – O Homem que Copiava:

CARDOSO
Normalmente eu gosto de dançar. É que esse lugar
aqui… Eu comprei uma coleção de cds, Rock
Greatest Hits, muito boa. Chuck Berry, Little
Richards. Mais tarde, se você quiser, a gente
passa lá em casa e eu te mostro. 

MARINÊS
Tem My Ding A Ling?

CARDOSO
O quê?

MARINÊS
Na coleção. Aquela música do Chuck Berry: (canta)
My, Ding a Ling…

CARDOSO
Deve ter. São quatro cds. Uma caixinha, super
legal.

MARINÊS
Eu vou lá com você.

CARDOSO
Vai?

MARINÊS
Vou. Mas eu quero deixar bem claro que eu não vou
dar para você.

CARDOSO
Como é?

MARINÊS
Nós não vamos transar.

CARDOSO
Bom… Isso a gente nunca sabe.

MARINÊS
Você não entendeu, é isso que eu estou tentando
dizer. EU sei. Em primeiro lugar, você fuma. Não é
nem pela fumaça, nem pelo câncer, essas coisas. É
que eu detesto gosto de cigarro na hora do beijo.

CARDOSO
Bom… Eu estou pensando em parar.

MARINÊS
Você é legal, mas é um duro. Como eu. Não tenho
nada contra, mas acontece que… eu não vou sentir
tesão. Não o suficiente para transar.

CARDOSO
Ah, entendi. Você só dá se o cara for rico.

MARINÊS
Não. Ainda não encontrei o cara. Eu sou virgem.

CARDOSO
Você é virgem?

MARINÊS
Sou.

CARDOSO
Tá bom.

 

HAHAHAHAHA

CARDOSO
Posso tomar uma aguinha? 

MARINÊS
Não.

 

Ok, imagine a Luana Piovanni vindo, de “gatinhas”, pra cima de você, uma cama bem grande e a certeza de que o sexo vai rolar. Quem não pediria água?

7 – Diários de Motocicleta:
Che atravessando o rio do caralho a quatro a nado…

8 – O Cheiro do Ralo:
O início do filme inteiro, com a bunda enorme contida por um short de temas havaianos [mas hein!?] e a trilha “havaiana” e sapeca ao fundo.

9 – Alfie:
Alfie chega todo todo na casa da Liz [Susan Sarandon], pega ela com outro e faz a pergunta proibida: o que ele tem que eu não tenho?

“He’s younger than you are” 


PEGA, CARAI! o/////// [mas é triste, caran… cena foda!]

10 – The Fountain:

Izzi: Will you deliver Spain from bondage?
Tom Verde: Upon my honor and my life.
Izzi: Then you shall take this ring to remind you of your promise.
[hands him the ring]
Izzi: You shall wear it when you find Eden, and when you return, I shall be your Eve.
[he looks at her]
Izzi: Together we will live forever 

 

Caralho, filme do caralho, putaquemepariu, chorei que nem bezerro desmamado.

E é isso.

UPTADE

Créditos pelas cenas de “O Homem que Copiava” vai para o Roteiro de Cinema, portal que abriga vááááários roteiros de filmes nacionais com-ple-ti-nhos!

Fica a dica!