~ we’ve been had ~

Quantas vezes a gente já não parou pra pensar naquela manhã da taça de vinho esquecida no braço do sofá que cheirava a gato, no meio de uma manhã quente do fim de janeiro? Quantas vezes?

Sempre que ouço A good woman is hard to find, meu radar procura por ti. Tu é a minha referência maior de mulher, encontrada ~ por acaso ~ nessa internet tão vasta, vasta internet… Da taça de vinho para a madrugada de ontem, quando pensávamos na lista de músicas para a tua festa de aniversário, muita coisa aconteceu. Óbvio. Que bom – imagina três anos e meio de amor e vida dividida pra não acontecer nada?

Da taça pra cá teu espírito, respiro e agir se mostraram pra mim e me apresentaram uma mulher que não só é forte, como gosta do ser forte, de ter rédeas nas mãos, de tocar a própria vida. Um exemplo de determinação, de parceria. Uma bon vivant romana, minha romaninha [ainda tenho que te providenciar um estoque infinito de penas de faisão…].

Daquela taça de vinho, daquela música ouvida enquanto nos pegávamos por todo o apartamento, pra hoje, teu aniversário, todo tipo de obstáculos foram enfrentados, e as mais loucas provas de verdade amorosa foram postas em prática. Eu não sabia de nada disso quando sai daquela padoca no Itaim depois de ter conversado com meu roommate e anunciar a minha partida. Ao entrar na tua vida e me tornar teu [pode falar marido? (;], a gente não sabia bem o que ia encontrar e são desses muitos encontros que o nosso amor é feito.

Todos os dias é possível descobrir coisas novas a seu respeito. A meu respeito. Todas são maravilhosas? Não. Ainda assim, o que é a vida senão um compilado caótico de experiências que te enlouquecem e maravilham?

Sou louco e maravilhado ao teu lado. Os teus trejeitos mais íntimos, aquele sofrer pela fome na alta madrugada ou o desejo de tomar só mais um drink, ou ainda a preguiça de sair de casa para fazer compras… Estarmos juntos me ofereceu conhecer você de forma profunda e inesquecível – ainda que incompleta. Tudo que acontece é bom. Até o ruim, o péssimo, o duvidoso. Se você insiste – e a vida é uma insistência diária – com o amor, o retorno vem. Nem sempre o dedo é verde no plantio da paixão [lembra de quando eu acordava breguíssimo e me declama e derramava nas mais pavorosas e bobas declarações de amor? acho que no fim das contas essa época nunca passou (;]. É a insistência que leva à verdade. Ainda que elas sejam muitas [que bom que as nossas são as que nos fazem ficar juntos e felizes] e nem todas nos façam sorrir.

E como é bom estar ao teu lado e dividir contigo o riso, o choro, a fatura de cartão de crédito de quatro dígitos, a volta pra casa de madrugada, a viagem de carro até o litoral desconhecido, falar sobre o ultraromantismo da adolescência, descobrir teu canto, tocar pra ti cantar, te fazer sorrir e que pena se tantas vezes já te fiz chorar.

Que bom te ter ao meu lado. Que bom que você existe e vive plena. Estou meio que envolto em lágrimas agora [verdade] porque é difícil não pensar na gente e não se emocionar. As pessoas [“essa entidade chamada ‘eles'”] têm uma preconcepção do que é o amor como uma coisa envolta em névoa e com castelos Disney, com cristal por todos os lados. Se ao menos eles soubessem as rasteiras que a vida nos dá para que o sorriso tenha o sabor perfeito…

Obrigado por tudo, vida minha. E que feliz que estamos mais um ano da tua vida juntos. Que feliz… (:

Ser Alice ou ser a Rainha de Copas?

Ser Alice é ser tola ao nível máximo, a expressão mais pueril das consequências de ser curioso.
[não faço qualquer ideia de qualquer teoria séria sobre isso, quem ler que esteja consciente disso]

Porém, acho que parte do que nos faz viver melhor vem da curiosidade. Como será estudar mais e passar num vestibular bacana? O que acontece se eu me jogar na vida e ir morar sozinho? Será se eu dou conta de mudar de profissão depois de tanto tempo?

Ímpeto, busca, dúvida, querer. A curiosidade é formada um pouquinho que seja por essas coisas e sempre que nosso espírito gato se manifesta, deve ser por essas muretas que ele passeia. Ser Alice é ser protagonista de uma história que acontece independente da sua vontade. É crescer e encolher por comer o que não deve. É correr o risco de morrer queimada. É ser chamada de serpente. É dar trela para gatos e coelhos.

A inocência que blinda a personagem quase não dá espaço para dúvida.

Ser Rainha de Copas é ser tirana? Ser tirano é ser egoísta? [divago enquanto é possível]

Pesam sobre os ombros da Rainha de Copas muitas decisões e quereres. Ganhar no jogo. Ter um marido submisso. Rosas carmim. Cabeças para enfeitar o passeio público. Ser mimada e ter seus desejos atendidos num grito.

The Tudors me lembrou da reflexão de Maquiavel: Ao rei é melhor ser amado do que temido?

Mas o que difere um do outro? O amor não é um tipo de medo? Ter medo não é um tipo de amor? O que uns amam, outros não odeiam?


Quanto mais próximo das engrenagens da vida, menos mistério o planeta nos revela. Ser protagonista é egoísmo? Coadjuvância [perdão!] subentende eterna cessão?

Li um artigo hoje pela manhã [bem cedo] a seguinte frase: ‎”Algumas vezes saber algo é exatamente o que nos torna cegos perante outras possibilidades: o fascínio com uma peculiaridade nos deixa cego perante outras.”

Um texto que fala do gerenciamento das nossas ignorâncias. O não-saber a serviço da descoberta, do que instiga e do que nos falta [e vai ficar faltando].

Como diz os Novos Baianos: Mostrar como sou, ser como posso, jogar o corpo no mundo, andar por todos os cantos, deixar e receber um tanto, passar os olhos nus, participar do mistério do planeta.

Mas as engrenagens, ah!, as engrenagens.

Da série ~MP3 perdidas no meu iPod: Sebastien Tellier – La Ballade du Georges

Da série ~Last Night Shuffle ‘Cabou Comigo: The Walkmen – Revenge Wears No Wristwatch

“Anger, anger treats me hard”. 
I tell her I say. “I’ve heard it all before, I’ve had it up to here. Such a mess, I am”.
You say: “something’s wrong, this kind of life style doesn’t work”. 
I’m trying something else for a change, for a change. “That’s ok, ok, ok”.

“A vida é chata mas ser plateia é pior”

Se eu tivesse que escolher um verso das músicas da Tulipa pra justificar porque o disco dela é um dos mais tocados dos últimos muitos meses [é música pra sábado, pra acordar de bom humor, pra dançar, pra ficar no janelão..], seria esse aí de Às Vezes.

Quantas divagações inocentes a alma faz ao ouvir as palavras certas…. Ontem li uma matéria que falava sobre as divisões ˜tribais~ que o Tumblr abriga. Hipsters, moda, nutella, anos 90, Harry Potter, Game of Thrones, memes, Disney, gatos, Supernatural, The Hunter Games, crossover… É basicamente disso [e de muita pornografia, claro], que se alimentam os tumblers.

Cheguei nessa matéria porque buscando referências para um conta infanto-juvenil aqui da agência e indo aqui e acolá, me deparei com a profunda e inerente necessidade de estar rodeado, imerso, soterrado de momentos felizes, de “juicy life”, de riso, de boas lembranças, de gozo, de felicidade… Coisa de gente que quer e demanda ser feliz, como um direito constituído e entregue numa bandeja de ouro. Como uma vez me falou um amigo, fazer parte de uma geração que cresceu sem precisar racionar gasolina ou comer menos carne porque não tinha para todo mundo no super [nem dinheiro para comprar pra todo mundo que quisesse comer] fez da gente um povo que não se contenta com nada que não seja tudo.

Mas olha que falar de consumo, né, é a coisa mais fácil do mundo. Ontem mesmo li outra matéria sobre um cartão de crédito que está chegando ao mercado oferecendo até 200 meses para parcelar compras e que quer ser a Apple desse mercado. O que isso quer dizer, sei lá, mas a gente bem sabe que esse tipo de consumo virou até natural. Não adianta ninguém falar em crise, não adianta economista falar pra poupar. O povo [descrito em tantas letras que não encaixa nem em A ou B ou C, ou D, E….] quer comprar e vai.

Tenso é pensar no direito a vida feliz. A Eliane Brum falou a respeito e se eu a repito me ignorem, mas… Pra ser feliz essa quantidade de tempo [todo], é preciso ser plateia, batendo palmas pra o que a vida no palco faz, talvez até cobrando a grana do ingresso no fim se a pilha não divertir o quanto imaginava. O duro é que pra ser feliz mesmo, tu tem que subir no palco e a vida é chata, mas ser plateia é pior.

Ser plateia sempre vai ser pior, mas é o que a gente quer – grosso modo. Só que…

E agora são dois anos

Era madrugada de 26 de janeiro de 2007. No aeroporto estavam comigo minha mãe, minha irmã, um primo querido, alguns poucos amigos e ela. Sâo Paulo havia completado 453 anos dois dias antes e agora lá ia eu dar meu parabéns ao vivo e em cores.

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Minha mãe já não dizia mais grandes coisas, só me olhava. Eu podia sentir o aperto no peito dela. “Cuidado, meu filho. E boa viagem”. Assim, sem delongas, sem choro. Um último abraço na irmã [“cuida da mamãe, tá?”], outro nos amigos, um beijo demorado com sabor de lágrima e saudade nela e lá vim eu.

Durante este tempo todo em que estou por aqui, depois de ter passado por períodos dos mais diversos, intercalando solidão sofrida, andanças pela cidade, descoberta de pontos preferidos, saudade, saudade, saudade e saudade, eu finalmente me toquei de que não adianta reclamar de nada. Que o que adianta mesmo é simplesmente seguir, seja na vida, no trabalho, no amor. Seja sozinho ou mal acompanhado, o ônibus vai permanecer cheio, a chuva vai continuar de canivetes, o tempo vai seguir passando rápido demais.

Depois de certo tempo batendo perna por aí, quando consegui me orientar olhando apenas para um ponto qualquer da Avenida Paulista [e decorando a sequência de ruas que desembocam na Consolação], senti sim que São Paulo poderia me abraçar como filho.

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Na virada de 2007 para 2008, laços que não quero perder nunca, qualquer que seja a minha posição no globo, já estavam estabelecidos. Foi a primeira vez em que eu senti saudade de São Paulo, das suas ruas, avenidas, fumaças e barulhos. Foi o primeiro sinal de que me sinto realmente em casa por aqui.

Outros vieram com o passar do tempo. Como quando penso em ir morar no Rio de Janeiro, para ver minha sobrinha crescer, ou quando pensei em ir embora, e uma saudade bem típica da minha personalidade despontou.

Hoje, enquanto trabalho e comemoro dois anos de Sampa, fico feliz em pensar que não tenho data para deixar a paulicéia desvairada. Fico feliz de me sentir em cima do muro e não saber onde chamar de “lar”, não porque tenha que ser um ou o outro, mas porque podem ser os dois, Teresina e São Paulo.

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Afinal de contas, home is where your heart is. E uma parcela do meu já se sente à vontade para tirar o sapato e abrir a geladeira quando chega por estas bandas.

Que outros anos venham.