DVNO

– a vida da gente é feita de silêncios constrangidos, disse eu.

– de verdades não ditas e de situações cômodas. mas dai a gente vai longe né…… – retrucou ela, distante.

– vai sim – aquiesci, frio.

Dado o falar vazio e o tratamento seco, fica a certeza de que o ciclo de cá se fecha. O não-suspirar, o não-tremer, o não-desejar torna absurda outra coisa senão o pensamento de pequena vingança. É como eu tenho dito ultimamente… “no need to ask my name to figure out how cool I am”.

Dado o carinho e as pequenas expressões de saudade silenciosa, fica a impressão de que o ciclo de lá não se encerrou, e que esta não foi a última conversa sem sentido. Ou como ela disse certa vez… “half of what I say is meaningless, but I say it just to reach you”.

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Prato ideal para pré-feriado

Vingança com gosto de desforra

 

Ingredientes:

1 kg de vingança bem temperada [de preferência deixada no sol por uns 5 dias]
1/2 kg de veneno
200 g de inquietação
300 g de angústia
2 punhados de dignidade fora do prazo de validade
3 dúzias de choro
4 dúzias de ilusão despedaçada
Pimenta nos olhos dos outros à vontade

Modo de preparo:

Junte tudo, misture bem até ficar consistente. Quando a massa começar a inchar, bata, mas bata com gosto. Vale de tudo. O que importa é amaciar o preparado.

Assim que a massa ficar no ponto em que não grude mais nas mãos, jogue numa forma qualquer, deixar assar. 30 minutos devem ser suficientes [ou quando começar a cheirar a queimado, faça como preferir].

Tirando do forno, pegue a forma com firmeza e vire o conteúdo todo no chão. Pise em cima com vontade. Saboreie o momento. A seguir, caminhe até a geladeira, pegue uma cerveja, puxe uma cadeira, abra um sorriso e admire o seu talento como gourmet.