Inspirado no som da sua risada

Tal como cheiro de terra molhada depois da chuva, ela veio descendo a ladeira, pedindo atenção de leve.

Chegou, sentou à mesa, pediu um trago, falou sem som, olhou de canto, conversou miúdo, beijou de leve, contou da vida, caminhou na rua, dormiu vestida de edredon – em pleno verão -, quis chá e vestiu as meias obrigada, inspirou receita de macarrão, provou uisque, tocou gaita, dormiu no sofá, varou noites e dias, reclamou do calor, reclamou do frio, inventou receitas, mostrou vinhos, reclamou quando saí para o trabalho sem beijo de despedida [“não pode. mesmo se brigar”], retardou prazeres, retardou prazeres, mostrou os dentes, cravou os dentes, respirou aliviada, dormiu sorrindo, acordou sorrindo, provocou sorrisos e cantorias.

E tal como cheiro de terra molhada depois da chuva, ela invandiu meu corpo pelas narinas, tomando meu peito, minhas veias, meu sangue, lascando certezas, oferecendo caminhos, rindo e confessando e mostrando que o amor é fonte inesgotável de surpresas.

nós

Pensei que poderia tê-la sem grandes sustos, sem grandes soluços.

Estava certo: teria a ela, seu bom sorriso, sua conversa adorável, sua teimosia implacável, suas piadas nerds perfeitas; pois o amor é construído de olhares inocentes e de risos no meio da noite.

Estava errado: poderia perde-la mesmo que não percebesse, mesmo que não quisesse, se não mudasse [mas sem perder a essência]. E então mudei [mas sem perder a essência], cresci, tornei, fiz, errei, quis, pedi, esqueci, lembrei, adorei, xinguei, desejei, pedi, cuidei, precisei, vendei, envergonhei, ri, deixei, esperei.

Amei. Digo, amo. Digo, amarei.

Amarei você para sempre.

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