Um corre pelo sustentável

Desde segunda tenho participado, aqui na firrrma, da I Semana de Sustentabilidade, evento realizado pela Cultura em parceria com o Instituto Baraeté e que se propõe a fazer diversos questionamentos sobre essa palavrinha que tá virando carne de vaca, a última cocacola do deserto, a bala que matou Kennedy e todos os outros chavões para repetição exaustiva e atenção exarcebada.

O que tem rolado por lá vocês podem acompanhar nos mini-posts que tenho feito no Blog da Cultura. Aqui eu queria falar sobre a repetição exaustiva, a atenção exarcebada e outra coisa, que fica lá pra frente.

Repetição exaustiva

Está em todos os lugares. Nas propagandas de TV, mas embalagens do fast food, nas sacolas do supermercado… Considero praticamente impossível qualquer ser humano vivente e íntimo dos meios de comunicação de massa não ter sido exposto à tal “sustentabilidade“, suas aplicações e desdobramentos. Ainda mais com a onda de marketing verde que acompanha o fenômeno. Corrida modista ou preocupação real, EU ACHO que não há diferença se algum bem está sendo feito [provavelmente estou errado, se um mal maior estiver aliado a tal bem]. A questã é que não vou reclamar se o supermercado perto da minha casa sumir com as sacolas plásticas com o único intuito de fazer uma média, assim como não condeno quem pára de comer carne só porque faz mal pra sua saúde e não pela dó que sente pelos bichinhos.

Todas essas mensagens [e esse texto também] fazem parte de uma “repetição exaustiva” que dá origem aos “ecochatos”, mas que também procuram vencer uma enorme barreira de desinteresse e desapego – meu, inclusive, não me excluo da conta. É como o Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace, disse no papo de ontem: a mudança para o desenvolvimento sustentável passa, claro, por uma mudança de valores. O que hoje “pode” ser individual ou desregrado, futuramente será obrigatoriamente coletivo. A preocupação em não ter um carro poluente, em passar um pouco de frio enquanto espera a água do chuveiro esquentar, reduzir o desperdício de energia elétrica [indo do standby da TV na sala às milhares de cargas ao seu PSP] é apenas um sinal do que vai acontecer ao coletivo se as células individuais da sociedade não reverem suas ações.

Aqui eu incluo você, niilista-individualista-egoísta sujeito que brada não ligar para o desenrolar do drama climático-ambiental em que todas as pessoas do mundo estão sendo inseridas aos poucos. Pense bem, meu caro exemplo do mal: se você tem 25 anos, mas não pretende passar dos 40 [“life fast, die young”], 15 anos serão suficientes para a situação estar bem pior do que está hoje [chuvas exageradas aqui, secas megalomaníacas acolá, mais derretimento das calotas, aumento da temperatura dos oceanos…]. Então, se você não tem a vibe de ajudar, pelo menos não atrapalha, né? 🙂

Atenção exarcebada

“Não é nada”. “Tão exagerando, né?”. “Ai, que chatice esse papo de sustentabilidade”. Uma das coisas que eu ouvi ontem, do climatologista Carlos Nobre, membro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é que o ceticismo faz muito bem para a ciência e para a sociedade como um todo, mas que não se pode – em hipótese alguma – aplicar o ceticismo à questão ambiental e da sustentabilidade. Então, precisamos considerar isso ponto de pauta/questão de ordem/última cocacola do deserto de atenções. Não dá para ignorar, não dá para fazer que não viu, que não vem sentindo. Falei bastante da questão climática aqui, mas a preocupação por um desenvolvimento sustentável se reflete no clima mas começa em outras frentes.

Como falei lá em cima, numa mudança de valores. E essa é a terceira coisa que eu quero falar sobre, e à qual me referi no início do texto.

Mudança de valores

Aqui é que começa o verdadeiro papo. O que nós podemos fazer para ajudar o planeta a sofrer menos e suportar um pouco mais a nossa existência? Sim, porque não se iluda: quem vai acabar, depois de todas essas traquinagens, somos nós, humanos [e alguns outros bichos também…], mas o planeta vai continuar aqui e em umas centenas de anos, tudo vai estar de novo nos conformes.

– Não, não estou sugerindo que você pare de andar de carro, porque já tem muita gente falando isso.
– Não, não estou falando para você substituir suas sacolas plásticas por caixas de papelão ou ecobags. Já tem muita gente fazendo isso também.
– Não, não estou te pentelhando para você trocar todas as lâmpadas de casa por econômicas, checar vazamentos e pontos que provoquem perda de energia. Você já deve estar fazendo isso naturalmente para que as contas não pesem no seu bolso.

A minha proposta é que a gente procure mudar alguns hábitos que denotam nossa modernidade e desenvolvimento, nossa individualidade e tentar adaptá-los a uma realidade mais restrita. É um exercício do meu egocentrismo, mas vamos às ideias que eu tive para tal:

– Se for jogar videogame, vou priorizar jogar em dupla ou trio, ou quadra. Isso significa que vou dar um tempo no Prince of Persia que já estava na metade e focar em dar consecutivas surras no FIFA 05 no cunhado querido;

– Sempre que eu pensar em ver tv pra derreter o juízo, vou pegar o baixo que está enferrujado, os livros que estão empoeirados e vou me dedicar a mudar esses status;

– Diminuir progressivamente o consumo de carnes nas minhas refeições;

– Andar sempre que possível de ônibus e a pé e limar o táxi da rotina;

– Focar o uso do computador em casa para o estritamente necessário.

Parece pouco? Certamente. Umbiguista, egoísta, supérfluo? Talvez. Há muito mais que pode ser feito para melhorar a minha presença nessa vida, nesse mundo. Mas, além destas serem atitudes que impactam diretamente no meu cotidiano, como disse antes, mudar essa situação climática-ambiental envolve também uma mudança de valores, de hábitos e valores/hábitos não mudam do dia pra noite. Então vamos com calma, aos poucos. Principalmente para que essas mudanças sejam intencionais e não obrigatórias [já pensou um decreto governamental te dizendo quanto de água você pode usar por dia?].

E aí, o que você pode fazer para ajudar? 🙂

Comunicação e expressão, essa saudade

Escrivaninha

O texto nasce primeiro como ideia, antes de ser texto. Fagulha na cabeça e daí tu pensa “tenho sim sobre o que escrever”. Tem gente que anota, tem gente que escreve, tem gente que cospe, tem gente que deixa guardada pra amadurecer.

Eu costumo anotar: “preciso escrever sobre festas de família”, “preciso escrever como tem sido essa coisa de ser pai”, “a conversa de ontem rende um post”. Mentalmente vou me cobrando, monto o texto, acho os argumentos, penso numas frases. A coisa vai tomando forma.

“Tomar forma” provavelmente seja a maior enganação da vida de quem [eu] escreve. Como “toma forma”, você [eu] relaxa, manera, fica até satisfeito achando que “beleza, agora numa hora em que eu parar, vai dar pra escrever, não vou ter que pensar, só jogar no Word”.

Claro que é mentira, né? Claro. Primeiro que você nunca consegue parar para escrever. Ou escreve no celular, voltando de viagem, no elevador, ou vai anotando as coisas num caderninho e aí se contenta em juntar tudo depois, dar um tapa, editar e publicar, ou pára tudo que você está fazendo de importante e vence a ideia do “tá tomando forma, que massa” e escreve logo duma vez, sem enrolação.

Tenho apelado pra segunda opção porque, se eu não gosto nem de me imaginar revisando um post, que dirá escrevendo-o aos poucos. Tenho essa obsessão bem burra e ególatra por publicar a primeira versão do que escrevo e é bem provavel que seja por isso que eu nunca consigo levar adiante minhas ideias de romances ou novelas [mais provável ainda é que estas falhas todas sejam por falta de talento puro e simples para tal]. Então tô aqui, parando um pouco do meu dia para escrever essas linhas que não dizem nada. A tentativa de resgatar as ideias sobre o papo de ontem, o texto sobre a família e sobre a experiência de ser pai acho que nunca sairão, não tenho mais como resgatar tudo, as frases se perderam e eu já parei para escrever isso aqui.

Então é isso.

Um abraço e até a próxima ideia que eu consiga transformar em texto.

CLIC!

"Ei, Lourdes!"

“Virei” “fotógrafo”. Há anos quis comprar uma máquina “de filme” e a oportunidade enfim apareceu quando a grana dum freela sobrou. Claro, é a questão das prioridades, a aplicação da renda nas contas certas. Digressões a parte, passei a sair por aí com a câmera embaixo do braço. Renan e ela costumam ser os alvos mais comuns, mas como eu não tenho foco [nunca tive mesmo] vamos de gente, amores, janelas, arquitetura, ruas à noite…

Sorriso Desfoque

Até eu domar o fotômetro [que já me foi declarado quebrado e que eu ainda não me dignei a reparar], muitas fotos subexpostas sendo upadas no Flickr. Como exercício da autocrítica, estas serão as primeiras a serem apagadas quando eu atingir o máximo de espaço no Flickr. Não, conta pro não está nos planos, já me basta pagar pelos filmes e pela revelação dos mesmos. Depois destas, as que estiverem tortas ou photoshopadas demais entram na faca.

Sebastian

Passar bem.

Do que é feito teu cérebro?

cerebro

Teu cérebro é feito de massa, daquelas de modelar, daquelas que tua mãe cozinhava nos fins de semana.

Teu cérebro é feito e tomado e cheio de todos aqueles caminhos da infância, dos livros que leu e nunca decorou o nome dos autores, de quando sabia que conhecia as pessoas mas não tinha a menor ideia de de onde as conhecia. Eram apenas pequenos traços.

Teu cérebro é formado por aquele tijolos de construção de brinquedo que os pais dão aos filhos quando sonham que o cêrebro do moleque vai ser capaz de projetar casas, prédios, pontes e histórias além daquelas rabiscadas sem firmeza num pedaço de papel.

Teu cérebro é feito de massa, daquelas de modelar, daquelas que tua mãe cozinhava nos fins de semana.