“Can’t always get what you want”

I can’t get no, I can’t get no. I can’t get no satisfaction.
[Otis Blue – I Can’t Get No (Satisfaction), inOtis Redding Sings Soul (1965)]

Um grande amigo já deu a letra: não se pode ter tudo. E então o drama do que te satisfaz fica suspenso. Não posso ter tudo e isso inclui, claro, a satisfação.

Sim, mas vamos pensar além do clichê. Porque, quando Keith Richards e Mick Jagger lançaram essa I Can’t Get No (Satisfaction), em 1965, talvez eles ainda não nem tivessem ideia de que, quatro anos depois, lançariam sua You Can’t Always Get What You Want. Não sou nada fã dos RS, não gosto de seus discos clássicos e só uma ou outra canção [essas duas inclusas] me levam a dar um sorriso para os caras.

Mas, na combinação perfeita de clichês, não conseguir satisfação e ter certeza de que você nem sempre consegue o que você quer só poderia resultar mesmo no refrão da outra, aquele do “but if you try sometimes you might find – you get what you need”.

Que tal concentrar seus esforços em conseguir o que você precisa? Porque se você é ser humano como eu, satisfação é algo que você nunca vai conseguir ter de verdade, não é?

~ publicado originalmente em 2009 ~

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“É tarde pra pensar”

Eu ouvi dizer que o seu olho encheu quando na roda um outro alguém cantou aquele Beatle que era meu e seu. Porque você não me ouviu?
[TeófiloA Volta do Zorro, in Com Fusão (2003)]

É duro encarar a dor de ter perdido alguém com quem você realmente desejava dividir ainda muitos momentos, muitos Beatles, muitos passeios, muitos beijos. Dentre todas as pequenas diferenças que existem entre as pessoas, são essas quebras [e alguns pares de ótimas lembranças, claro] que elaboram o intrincado modo com o qual você reagirá a uma nova paixão, amor, veneração.

Uma vez você ama, então quebra, ai conserta e ama de novo e quebra de novo. Então, para o terceiro amor, vem você inteiro, mas já sabendo como é a dor de estar aos cacos. E nos seguintes, sempre se sentindo diferente, e armado de outras mínimas defesas, feitas das imperfeições que se encontra em algo que partiu e foi refeito tantas vezes.

~ publicado originalmente em 2009 ~

“I’m so happy”

I’m so happy, I’m gonna join the band. We are gonna dance and sing in celebration, we are in the promised land.
[Led ZeppelinCelebration Day, in Led Zeppelin III (1970)]

Imagine-se em 1970, andando de carro tranquilamente, com o rádio ligado. Muda de estação uma, duas, três vezes. Até que, num sinal de trânsito, você muda de estação pela última vez. Do rádio vem a voz de um locutor e o texto empolgado. “O Led Zeppelin lançou há menos de um mês o seu terceiro trabalho, Led Zeppelin III. A falta de criatividade para nomear seus discos não atinge suas músicas e, depois do primeiro single, Immigrant Song, o Led Zeppelin agora apresenta para o mundo Celebration Day“.

Entra vinheta da rádio, você espera ansioso aqueles poucos segundos que levam até a faixa começar e então…

… você acorda três minutos e trinta segundos depois com as buzinas do mundo inteiro tentando tirar você do transe em que a faixa te mergulhou.

Você então faz a única coisa que pode ser feita: engata a primeira marcha, acelera enquanto tira o pé da embreagem e segue para a loja de discos mais próxima. Afinal, depois disso, esse álbum tem que ser seu.

~ publicado originalmente em 2009 ~

Guia impreciso dos energéticos brasileiros

Não foram fáceis os últimos dias de corrida e invariavelmente tivemos que apelar para o energético. Depois de um fim de ano abusado e abusivo, de muito grampo e pouca cancha, “o gosto amargo” das smartcaps deixou seu posto de predileção, dando lugar para suquinhos com soja, vitaminas, água de côco da única, caldinho de sururu…

Mas deu-se então o real e entramos na espiral de fazer um TCC em 35 dias. Hoje estando o trabalho final feito, concluído, apresentado e aprovado, posso falar do viés gaseificado que foi sua feitura, principalmente quando decidimos pelo chute ao pau da barraca e experimentamos cerca de 8 marcas diferentes de energético. São eles os comentados abaixo, citarei um nono que provei há muito e na seqüência fecho a lista de 10 com uma saudade.

Da esquerda para a direita, de baixo para cima: Monster, Red Bull, Flying Horse, TNT, Fusion, Flash Power, Night Power e Burn. Do mesmo período, fica de fora da foto o Bad Boy, que vem acompanhado de uma ampola de concentrado de guaraná (!!!)

Se pudermos poupar linhas e paciência, melhor, então agrupo os energéticos em experiências. São elas:
– refri de adulto: MONSTER, FUSION e TNT

Muito doces, muito gaseificados e, o mais notável, pouco saborosos. Todos têm sim boa pilha e ajudam a segurar pelo menos mais duas horas de trampo a cada lata (o Monster fica na vantagem por ter 500ml). Mas pelos motivos que listei acima, são ideais para quem quer dar uma malhadinha extra no coração da molecada. {5 de 10 raiovacs}

– baladeiro: FLYING HORSE, NIGHT POWER e FLASH POWER

Cheios de coice, têm retrogosto de vodca subconsciente. Pedem gelo, canudo e os dois últimos também inspiram um tanto de coragem. Acompanham muito bem pista fervida e pegação irrestrita e em ambiente controlado, foram peça-chave para amanhecer duas noites em sequência. {7 de 10 raiovacs}

– pilhação: RED BULL e BURN

Nada mal. Nada mal mesmo. O primeiro é famoso pelo bordão, mas notadamente também pelo sabor, característico, fidelizador e recompensante. Já o segundo tem “o selo de qualidade” inconfundível da Gigante Vermelha e muito embora não seja delicioso como seu companheiro de categoria, é mister afirmar que tem ótima entrega.

Foram ambos fundamentais na conquista das madrugadas mais longas, recuperando o fôlego tomado por outro complementos, agredindo pouco o paladar e não nos fazendo pensar em bolo de criança. {9 de 10 raiovacs}

– Provado há muito: PLUSENERGY

Vai aí a foto do PlusEnergy, primeiro energético que vi no formato de garrafa pet e com mais de 500ml. O sabor era bem esquecível, mas o tamanho do dito não, então fica como registro. Hoje em dia, vejo muitos outros que imitam a proporção nos supermercados, mas não posso citar nenhum de cabeça. {3 de 10 raiovacs}

– Uma saudade: MAD CROC

Uhuuu! Aqui sim tu toma um desse às seis da tarde e só vai pensar em destravar o maxilar algumas horas depois. Em lata das grandes na vibe Monster ele era saboroso gaseificado na medida pilhador no estilo bomba energética da dona Fulaninha. Era porque depois dos meses trabalhando vizinho à Villa Grano, na Vila Madá, nunca mais vi essa delícia em gôndola alguma do meu Brasil. Que SAUDADE IMENSA, melhor experiência no quesito aditivos líquidos. {11 (alguma dúvida?) de 10 raiovacs}