Um jantar para as quintas

Quem me segue no Twitter ou já bateu um papo comigo nos últimos 17 meses sabe que desde o ínicio do meu namoro com a queridona, duas coisas mudaram na minha vida: passei a apreciar vinhos e a me interessar por cozinha, receitas e pratos. O vinho foi o resgate de um trauma antigo [que não, não contarei] e a cozinha, a apresentação de um mundo novo. Eu, que vivera de 2007 até o Carnaval de 2009 na base da pizza, delivery e lasanha de microondas, larguei a cara de pau e decidi cozinhar pra ela, que tinha saído de casa para o trabalho em plena quinta feira de folia. Foi ali que bolei o primeiro prato que fiz: um macarrão com presunto, salame, queijo e pimentão em pedaços.

Foram bons meses de massas, sopas [sempre tendo como base aqueles sopões em pó tenebrosos] e virados que, sinceramente, não tinham quase nada de especial ou de louvável. Com Sabine como professora, tive que conter a euforia do mundo novo de sabores e orgulho de ser capaz de bolar aqueles sabores para aprender tudo do início. A chegada no nosso queridão Renan também ajudou muito. As férias da sogra mais querida foram praticamente uma pós graduação [hoje, faço uma sopa de levantar morimbundo, pode perguntar por aí].

O primeiro arroz foi um sucesso, o primeiro filé de frango não, o fígado em cubos na manteiga com cebola foi o melhor tira gosto que já comi na vida, a alcatra em cubos com molho de tomates amassados e ervilhas foi absurdamente incrível… Fiz minhas estripulias e com esses primeiros passinhos já garantidos, pude enfim me soltar pra fazer coisas maiores. Numa viagem dela para Curitiba, Renan e eu nos metemos a preparar uma língua de boi recheada, prato típico dos sábados em família e das ressacas teresinenses. Sucesso total e absoluto.

Com Renan do lado, sempre tive quem me lembrasse que o corte da cebola é assim, não assado, que não precisa descascar a cenoura na faca, basta passar a esponja da cozinha que já resolve. Essas coisas. Sempre cozinhando juntos, um cuidando do arroz e outro da carne, salada, afins, os almoços de domingo foram ficando mais fartos e mais tranquilos. O que eu nunca tinha feito era cozinhar dois pratos ao mesmo tempo. Até ontem. Ontem, Sabine e eu resolvemos comemorar a quinta feira e bolamos um jantar. Eu bem que não queria cozinhar sozinho, mas como ela estava enroscada no trabalho, tive que ir eu mesmo na marra.

E lá fomos nós. As duas receitas que eu fiz foram conseguidas no portal de receitas do Uol [olha a prata da casa]. Escolhi um risoto de palmito e um filé de peito de frango ao molho de champignon e gorgonzola, duas receitas simples mas que eu nunca tinha feito na vida [claro].

Risoto de palmito

Ingredientes
1/2 xícara de chá de vinho branco seco
400 gramas de arroz arbóreo
100 gramas de palmito
1/2 lata de molho de tomate temperado
800 mililitros de caldo de legumes
1/2 cebola picada
2 dentes de alho processados
queijo parmesão a gosto
salsinha a gosto
sal a gosto

Modo de preparo
Doure a cebola e o alho no azeite. Acrescente o arroz e refogue por mais alguns minutos. Em fogo médio, adicione os 500 ml de caldo até pré-cozer o arroz por volta de 12 minutos. Salgue a gosto. Acrescente o vinho branco. Mexa por mais um minuto. Deixe o arroz esfriar. Em fogo médio regar o arroz com o restante do caldo por volta de quatro minutos. Adicione o palmito, o molho de tomate e o parmesão. Misture bem e deixe por mais um minuto até dar o ponto. Adicione um punhado de salsinha. Sirva imediatamente.

Frango ao molho gorgonzola, com champignon e ervas finas

Ingredientes
5 filés de peito de frango
70 g de queijo gorgonzola
150 g de champignon fatiado
150 g ou 1 xícara de creme de leite
2 colheres de sopa de requeijão cremoso
1 colher de margarina
Pimenta branca, sal e salsa desidratada
Orégano e alecrim

Modo de Preparo
Tempere o frango com o sal, a pimenta e a salsa desidratada
Frite até começarem a dourar
Retire os filés e na mesma frigideira doure o champignon na margarina
Então é só juntar o creme de leite, o requeijão e o gorgonzola
Deixar de 5 a 10 minutos, em fogo baixo, sempre mexendo
Por fim, coloque o orégano e o alecrim
Retornar os filés para aquecer novamente

Não tenho foto de nenhum dos dois pratos [um pecado que pretendo corrigir daqui pra frente], mas tenho certeza de que foram as duas comidas mais gostosas que já fiz na vida. O meu maior receio, que era empapar o risoto, não aconteceu: ficou no ponto, molhadinho [esse é o ponto legal? eu não sei], sal no ponto. Gostoso mesmo [sério, Sabine até repetiu].

Do filé, a única bronca foi que na hora do molho esqueci do requeijão. Foi até bom, ficou mais leve. Também exagerei um tico na pimenta branca em alguns pedaços, mas o tempero combinou tão bem que, beleza.

Depois da agonia de dar o ponto certo ao risoto, meu grande medo era dar conta dos dois pratos ao mesmo tempo. O terror era real: além do ponto no risoto, dar conta do molho de gorgonzola e creme de leite que tinha que mexer SEMPRE. Depois dos filés fritando, fui encarar o arroz [pelo modo de preparo, era o encaixe que eu precisava pra não por tudo a perder] e olha, não posso reclamar, viu? Deu tudo muito certo. A bebida ideal pra acompanhar seria um vinho branco, mas como não encontramos nenhum que apetitasse, fomos de champagne. Casou muito bem.

Próxima fronteira? Sobremesa. Como será que faz um mousse de limão?

[sem título, só sorrisos #1]

Mal sabia eu, quando daquele post, quantas coisas ainda precisaríamos enfrentar, quantos bicos e dramas, noites e campanas, quantas dores e sabores ainda iríamos ter que derrotar.


Pois enfrentamos, derrotamos, saboreamos, diluímos e todos os dias celebramos a certeza naquele bom amor que sacode peitos, arfa nucas, eriça bocas e seca olhos que tanto tem para admirar, se instalou em nós com forca de desenho de criança nova e sons dos bichos saindo do inverno de São Paulo que nós dois tanto amamos ver pelo nosso janelão.

Parece um despropósito afirmar isso, posto que não há instrumentos que meçam tal feito: sinto cá dentro meu gostar por ti se transformar em matéria minha e ser extraído de mim em palavras, beijos e carinhos para espalhar por aí os sinais da minha paixão pelos teus dentes abertos e pelos teus olhinhos fechados em sorriso.

Sou um admirador teu, do teu juízo, dos teus impulsos, dos teus suspiros, do teu vocabulário vermelho, acompanhado das unhas nas costas; e da tua inteligência, sexy e provocante como o melhor dos decotes. Tu é, para mim, única e primeira. Parceira ímpar, mulher sem igual.

Hoje, se uma foto pudesse ser tirada do eu que habita entre minhas ideias, apareceriam nela só sorrisos. Todos de amor, pequena. Todos inspirados em você.