Na pele de outros

Jader Pires convidou a mim e ao nosso amigo Rafael Campos para um top, uma lista, um meme em que eu elencaria personalidades que eu gostaria de ser mas “fugindo um pouco dos pequenos notáveis da vez”, para citar.

Vamos então às categorias, nomes e explicações:

MÚSICA

Andy Bell

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Favor não confudir com o outro Andy Bell.

O Andy Bell que eu estou falando me veio depois de muito bater cabeça sobre fugir dos pequenos notáveis.

Então vamos aí. Este Andy Bell é hoje baixista do Oasis e já foi vocalista/guitarrista de uma banda que pode não estar entre as minhas mais ouvidas, mas que tem sua imensa importância na minha paixão pelo britrock, britpop, shoegazing e afins: o Ride. Mesmo que tenha sido tudo ao contrário, começando com o Oasis e voltando até as origens com o próprio Ride, Teenage Fanclub, etc.

Há quem diga que o cara se perdeu indo para o Oasis, assumir o posto de baixista, coisa que ele nunca foi.

Para mim, não importa se ele se perdeu. Importa que o trabalho dele continua ótimo, que ele veste umas camisas bizonhas mas estilosas, que ele ataca de DJ e que ele é responsável por um dos lados B mais adoráveis do Oasis, a incrível Thank You For The Good Times. Além de suportar os Gallagher a quatro discos, claro.

Saca o talento do cara aqui, ó.

E aqui também, né, malandragem?

LITERATURA

Bernard Cornwell

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O cara é meu autor de livros de capa-e-espada predileto. Não que eu tenha lido muitos autores do gênero, mas acho difícil encontrar outro que me fascine tanto. Desde criança tenho essa idéia fixa [escrevi dois livros quando moleque, à mão, e um deles contava uma história medieval, capa-e-espada. Mas isso rende outro post] e quando vi As Crônicas de Artur na livraria, aquele livro grande e escrito na capa VOLUME 1, me interessei de cara e era fã já nas primeiras páginas.

Cornwell tem a capacidade de escrever com clareza, encadeando fatos históricos com maestria e sem perder o foco, mesmo com longas narrativas. Recomendo MESMO a tod@s aqueles que insistem em dizer que As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley [cuja tetralogia não li], são a melhor história sobre o Rei Artur unicamente pelo enfoque que as mulheres ganham. Cornwell também faz isso sem parecer sexista, paternalista ou machista em nenhum momento.

O cara escreveu diversos outros livros que misturam história com ficção e pelo menos o primeiro volume da trilogia A Busca do Graal vale à pena. Tenho os outros dois mas ainda não consegui parar para ler.

E para os que ainda estão de birra, até o site do cara é do tempo da Idade Média.

CINEMA

Dustin Hoffman

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O cara é meu ídolo definitivo em The Graduate, fez de quebra Rain Man, I Heart Huckabees, Desventuras em Série e Mais Estranho que a Ficção

Ok, aposto que o sujeito tem filmes mais louváveis, mas pra mim, que sou mediano MESMO em cinema, ou era o Dustin “Ben Braddock” Hoffman ou era pagar de indie com o Woody Allen. Vamos ficar no feijão-com-arroz, então.

***

Como a graça do meme é ferrar convidar os outros, convoco Ana Clara Jansen, Liv Brandão e Talita A. para este singelo exercício. 

As marcas que carrego em mim

Há pelo menos dois anos tinha na cabeça a minha primeira série de tatuagens. Seriam os nomes do meu povo, das pessoas que eu posso chamar de família, dentro daquele esquema de “família de verdade são pais e irmãos”.  Adicione aí uma sobrinha completamente fantástica e então temos as primeiras cinco [um dos meus números da sorte] tatuagens.

Mas surgiu então o sexto elemento na minha “customização” do corpo. Memento Mori, no sentido BEM estrito, é uma frase que era habitué na literatura barroca e que significa “lembra-te que morrerás”. A mim, ser que escondo mais do que mostro [sim, é verdade], a frase cruza qualquer fronteira do entendimento raso do “nossa, que mórbido” e cai na larga e aconchegante vala do “vai fundo, velhote, que a vida é só uma”.

Seguem, então, as tatuagens explicadas, respondendo inclusive à suposição da querida Kellen Carvalho e dispensando quaisquer outras teorias ou opiniões sobre as garras da cidade grande terem ferido meu coração puro. As fotos das tatuagens são da amiga e fotógrafa Juliana Alves.

pais

Meus pais estão nas pernas por que são minha base. Meu pai me ensinou sentindo, mesmo sendo bem distante em relação a sentimentos. Por isso está do lado esquerdo. 

Minha mãe, por sua vez, está do lado direito, racional, minha mão forte, por que foi com ela que eu aprendi as coisas da vida de verdade. A suar a testa, a correr atrás, a me esforçar…

irmas-memento

Minha irmã Ana Clara foi no ombro direito por motivo parecido. Nosso amor nasceu principalmente depois que eu saí de Teresina e ela teve que fazer as vezes de homem da casa, e eu senti nela a energia que minha mãe despertou em mim. 

Minha irmã Carolina está no ombro esquerdo por que minha relação com ela é completamente emocional, sem qualquer traço de sobriedade. Sou todo amor pela minha irmã, pelas coisas que ela fez e é. 

O Memento Mori vai no bíceps direito, que é o meu braço realmente de força, pra me mostrar SEMPRE que a vida é curta e eu preciso fazer o melhor com ela enquanto tá rolando. Ateu que sou, não posso ficar pensando que depois tem mais. É isso e pronto. Força e determinação, num lembrete constante.

eva

E por fim, minha sobrinha Eva vai no braço esquerdo para me abençoar, para balancear as coisas, para me mostrar que eu preciso ser forte em tudo, que eu tenho uma menina linda para mostrar pro mundo e para ficar do ladinho do coração.

São seis e eu ando à procura de uma árvore. Se alguém achar, me mostra.

DVNO

– a vida da gente é feita de silêncios constrangidos, disse eu.

– de verdades não ditas e de situações cômodas. mas dai a gente vai longe né…… – retrucou ela, distante.

– vai sim – aquiesci, frio.

Dado o falar vazio e o tratamento seco, fica a certeza de que o ciclo de cá se fecha. O não-suspirar, o não-tremer, o não-desejar torna absurda outra coisa senão o pensamento de pequena vingança. É como eu tenho dito ultimamente… “no need to ask my name to figure out how cool I am”.

Dado o carinho e as pequenas expressões de saudade silenciosa, fica a impressão de que o ciclo de lá não se encerrou, e que esta não foi a última conversa sem sentido. Ou como ela disse certa vez… “half of what I say is meaningless, but I say it just to reach you”.