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Eu não tenho nenhuma atração por fogos, diferentemente que por fogo. No ano novo, quando a contagem se apruma para começar, todos com suas taças na mão e alguém encarregado em acender rojões e morteiros, eu geralmente fico quieto. Olho para além daquelas luzes estourando, olho as estrelas. Eu gosto de olhar as estrelas quando o ano vira, quando um dia começa igualzinho logo depois do outro, num tom de descrença e certeza de insignificância diante do que não podemos mudar e com um gosto de resignação e tristeza pelo que podemos mudar e simplesmente não vamos.

Mas o certo é que gosto de olhar as estrelas quando o ano vira. Elas lá, tão imóveis, distantes, sozinhas, conectadas mas sozinhas, tristes ou alegres pouco importa, elas estão lá, olhando de volta pra gente, sem dizer nada, apenas ali. Eu gosto quando nesses momentos a gente não sabe o que dizer e fica apenas por ali, por perto, sorri com o peito, ama com abraço, beija com os olhos, entende os silêncios e principalmente: não faz perguntas. As estrelas não fazem perguntas, elas esperam você contar o que te angustia. As estrelas seriam umas pessoas fantásticas.

Dois mil e treze foi um ano tão intenso, poluído, desviado, engraçado, terrível, temeroso, indeciso, prático, alucinado, chapado, bêbado, nicotinado, dormente, silencioso, distante, festivo, alegre, de encontros, de despedidas, de lembranças, de partidas, de partilhas, de muitos erros e uma porção de acertos, de decisões, de descobertas, de reencontros, de falhas, de acertos, de tudo que é rotina na vida de qualquer pessoa que eu não deveria me sentir nada especial em relação a ele. É apenas a vida, sabe? Seja a que levamos, seja a que nos leva. É só uma sequência de dias e noites e beijos e cigarros e salivas e doses de cachaça e agasalhos esquecidos no sofá e pulseiras deixadas sobre o criado-mudo. Com uns detalhes mais ou menos felizes/tristes a depender da tua sorte, mas de resto é tudo igual. Em 2014 quero lamentar menos que a vida seja o que ela é. Em 2014 quero aceitar mais o que eu não posso mudar. E não ficar triste pelo que posso mudar e simplesmente não vou.

Para 2014, deixo uns recados:

Pense mais nos sonhos que você tem.

No ano passado o Walkmen acabou e isso me deixou triste pra caralho. Tudo que eles escreveram e cantaram, por outro lado, segue por aí, para degustação pública irrestrita. Mas mais que falar da importância do Walkmen e da tristeza que foi vê-los partir, é importante que se diga: pense mais nos sonhos que você tem. Não porque são premonitórios, reveladores. Mas porque são sonhos. Se a vida já é nonsense sem ajuda de ninguém e a realidade está aí para humilhar a ficção o tempo inteiro, prestar um pouco de atenção nos teus sonhos pode ser um escape. Pra quê? Isso eu já não sei.

Saiba que acontece.

Sim, Paulinho. Sim, Cartola. Acontece. Acontece e ninguém tem o direito de deixar que aconteça impunemente, com ninguém, seja consigo, seja com outrem. Só acontece. A vida que siga (a vida sempre segue).

Faça, ao invés de falar.

Pois ação vale mais que mil palavras.

Seja o aquariano que a Capricórnio queria.

Não tô aqui pra falar de novo namorado, veja bem. A verdade é que: Energia sexual mal dirigida pode ser uma fria. E se pode. Pra corrigir essa vibe, leia a Garota Siririca.

Sempre vai ter outra tarde ensolarada.

“Dê tempo ao tempo e tenha paciência” foi o maior conselho que recebi esse ano. Da minha mãe, essa senhora que me ensinou a usar o relógio 10 minutos adiantado para nunca chegar atrasado a um compromisso. Dosar a ansiedade, se dedicar aos exercícios e aos estudos, comer bem, dar tempo ao tempo e ter paciência. Eu sempre fui mais fã dos Beatles que de Elvis, então que haja mais Tomorrow Never Knows que It’s Now or Never (muito embora dançar um It’s Now or Never de rostinho colado tenha seu valor demais). Serei eternamente grato ao Oasis por ter composto esta canção. Nesse vídeo aqui de cima, tem até Andy Bell tocando baixo.

Que tal se perdoar mais?

As pessoas têm padrões, critérios e coisas para se agarrar que implicam mais pecados do que deus é capaz de nos impor. Então porque ligar justamente para esse excesso de vigilância? Desde que a balança do karma se mantenha positiva, não há porque ligar para os critérios dos outros impedindo tua vida. Porém, atenção: deus, como a gente sabe, não só perdoa como pune. Os outros talvez só punam.

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