“Como é perversa a juventude do meu coração”

No apartamento, oitavo andar, abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa: teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu
[BelchiorParalelas, in Coração Selvagem (1977)]

Sou feito das caminhadas na noite, da correria para chegar em casa, da comida arriscada, do silêncio, do vazio, do absorto e do absurdo.

Muita gente interpreta mal a solidão, acha que é coisa de gente depressiva, de quem não tem amigos ou de quem carrega consigo um estigma – o da timidez. Mas todos, até os tímidos, teriam por quem gritar da janela do oitavo andar, se auto-proclamando infinito do gritado.

Mas se gritam, arriscam o solitário silêncio. Isso é o de menos, considerando que o silêncio, o grito, a multidão e a solidão estiveram e estarão por tempo suficiente dentro de você.

~ publicado originalmente em 2009 ~

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