Ser Alice ou ser a Rainha de Copas?

Ser Alice é ser tola ao nível máximo, a expressão mais pueril das consequências de ser curioso.
[não faço qualquer ideia de qualquer teoria séria sobre isso, quem ler que esteja consciente disso]

Porém, acho que parte do que nos faz viver melhor vem da curiosidade. Como será estudar mais e passar num vestibular bacana? O que acontece se eu me jogar na vida e ir morar sozinho? Será se eu dou conta de mudar de profissão depois de tanto tempo?

Ímpeto, busca, dúvida, querer. A curiosidade é formada um pouquinho que seja por essas coisas e sempre que nosso espírito gato se manifesta, deve ser por essas muretas que ele passeia. Ser Alice é ser protagonista de uma história que acontece independente da sua vontade. É crescer e encolher por comer o que não deve. É correr o risco de morrer queimada. É ser chamada de serpente. É dar trela para gatos e coelhos.

A inocência que blinda a personagem quase não dá espaço para dúvida.

Ser Rainha de Copas é ser tirana? Ser tirano é ser egoísta? [divago enquanto é possível]

Pesam sobre os ombros da Rainha de Copas muitas decisões e quereres. Ganhar no jogo. Ter um marido submisso. Rosas carmim. Cabeças para enfeitar o passeio público. Ser mimada e ter seus desejos atendidos num grito.

The Tudors me lembrou da reflexão de Maquiavel: Ao rei é melhor ser amado do que temido?

Mas o que difere um do outro? O amor não é um tipo de medo? Ter medo não é um tipo de amor? O que uns amam, outros não odeiam?


Quanto mais próximo das engrenagens da vida, menos mistério o planeta nos revela. Ser protagonista é egoísmo? Coadjuvância [perdão!] subentende eterna cessão?

Li um artigo hoje pela manhã [bem cedo] a seguinte frase: ‎”Algumas vezes saber algo é exatamente o que nos torna cegos perante outras possibilidades: o fascínio com uma peculiaridade nos deixa cego perante outras.”

Um texto que fala do gerenciamento das nossas ignorâncias. O não-saber a serviço da descoberta, do que instiga e do que nos falta [e vai ficar faltando].

Como diz os Novos Baianos: Mostrar como sou, ser como posso, jogar o corpo no mundo, andar por todos os cantos, deixar e receber um tanto, passar os olhos nus, participar do mistério do planeta.

Mas as engrenagens, ah!, as engrenagens.

Da série ~MP3 perdidas no meu iPod: Sebastien Tellier – La Ballade du Georges

Da série ~Last Night Shuffle ‘Cabou Comigo: The Walkmen – Revenge Wears No Wristwatch

“Anger, anger treats me hard”. 
I tell her I say. “I’ve heard it all before, I’ve had it up to here. Such a mess, I am”.
You say: “something’s wrong, this kind of life style doesn’t work”. 
I’m trying something else for a change, for a change. “That’s ok, ok, ok”.

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