Rotinas, carros, um par de bicicletas

Acordo. Tomo um copo de água. Escovo os dentes. Vejo alguma coisa no Facebook, bato um olho nos emails. Tomo banho. Apronto o café. Acordo a preta. Ela se arruma. Tomamos café. Saímos de casa.

Ela desce o resto da Frei Caneca, o escadarão da Nove de Julho e toma um ônibus para o trabalho, lá na Berrini. Nos dias bons, leva 40 minutos. Nos ruins [para voltar, geralmente], pode levar até 2 horas.

Eu atravesso um estacionamento, subo um pedaço da Augusta, tomo mais um pedaço da Dona Antônia e pego o bus na Consolação. A oferta é grande, então logo estou no trabalho. 15 minutos, geralmente, 10 se o motorista estiver freaking out.

É uma rotina. Li numa matéria da Vida Simples sobre como os hábitos acostumam nosso cérebro. Para o nosso coletivo de sinapses, a rotina é boa porque é o que a gente faz todos os dias e dá resultado [prazer, recompensa]. E é por isso que impor uma nova rotina ao teu/nosso corpo é tão difícil: se tu sempre foi feliz comendo um doce depois do almoço e se convencendo de que fruta não é sobremesa, vai ser praticamente impossível trocar uma barra de chocolate por uma frutinha.

Daí, se te ensinaram que carro é o jeito mais simples de fazer todas as coisas, claro que tu vai querer colocar teu carro na rua até pra ir na padaria. E é por isso, entre muitas outras coisas, e razões, e desculpas, que temos a foto abaixo.


Estamos, ela e eu, nas raias de comprar um par de bicicletas. Pra mim, o despertar duma vontade de mudar de rotina: ir e voltar do trabalho fazendo um exercíciozinho maroto e não usar mais carro ou transporte público para os trajetos que eu possa fazer a pé ou de bike. Ela quer ir para a natação, quer dar rolê no parque, quer ir passear, ir na feira aos domingos de manhã… Ir para o trabalho ela não pode. Distância, vilania das vias e motoristas… Não é prático.

Ontem uma amiga me contou sobre os mega rolês que deu no fim de semana de bicicleta com o namorado e da dificuldade que é se meter a enfrentar a cidade nas duas rodas. As calçadas ruins. Os muitos carros, motos, caminhões. A falta de espaço. O medo de morrer e levar a culpa.

Imagina a situação, escolher ir para o trabalho ou para uma festa ou para o parque de bicicleta, morrer atropelado e levar a culpa. Mesmo que tu tenha andado na linha, à direita, de capacete e sinalizadores, e sempre atento, sem discutir com os motoristas.

Acho que por mais que São Paulo seja uma cidade que totalmente unfriendly PARA COM bicicletas, se todo mundo pensasse que rotinas ruins estão aí para serem quebradas, talvez déssemos um passo pra mais pertinho da educação pelo outro. Não acho que o ciclismo seja a solução do mundo, e praticando o umbiguismo libertário, nunca me imaginaria indo de SBC à Vila Leopoldina de bicicleta apenas por acreditar numa causa – por exemplo. A necessidade é a mãe [prima, tia, avó, cunhada] da adaptação. Para algumas pessoas, adaptar-se é conseguir ir ao trabalho de bicicleta. Não falo nem de mim, mas de quem precisa de outras maneiras de ir ao trabalho que não seja no transporte público lotado.

Algumas reflexões ficam mesmo pela metade….

No Clue, do The Dø, é um bônus do último disco deles, que não vou me dar ao trabalho de buscar a referência. Trilha de algumas das últimas noites lá em casa e bom bom bom bom bom som pra quem quer ficar de boréstia olhando o povo passar na rua.

E lá do Ricifi, A Banda de Joseph Tourton conta como foi O Triunfo de Salomão.

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