“A vida é chata mas ser plateia é pior”

Se eu tivesse que escolher um verso das músicas da Tulipa pra justificar porque o disco dela é um dos mais tocados dos últimos muitos meses [é música pra sábado, pra acordar de bom humor, pra dançar, pra ficar no janelão..], seria esse aí de Às Vezes.

Quantas divagações inocentes a alma faz ao ouvir as palavras certas…. Ontem li uma matéria que falava sobre as divisões ˜tribais~ que o Tumblr abriga. Hipsters, moda, nutella, anos 90, Harry Potter, Game of Thrones, memes, Disney, gatos, Supernatural, The Hunter Games, crossover… É basicamente disso [e de muita pornografia, claro], que se alimentam os tumblers.

Cheguei nessa matéria porque buscando referências para um conta infanto-juvenil aqui da agência e indo aqui e acolá, me deparei com a profunda e inerente necessidade de estar rodeado, imerso, soterrado de momentos felizes, de “juicy life”, de riso, de boas lembranças, de gozo, de felicidade… Coisa de gente que quer e demanda ser feliz, como um direito constituído e entregue numa bandeja de ouro. Como uma vez me falou um amigo, fazer parte de uma geração que cresceu sem precisar racionar gasolina ou comer menos carne porque não tinha para todo mundo no super [nem dinheiro para comprar pra todo mundo que quisesse comer] fez da gente um povo que não se contenta com nada que não seja tudo.

Mas olha que falar de consumo, né, é a coisa mais fácil do mundo. Ontem mesmo li outra matéria sobre um cartão de crédito que está chegando ao mercado oferecendo até 200 meses para parcelar compras e que quer ser a Apple desse mercado. O que isso quer dizer, sei lá, mas a gente bem sabe que esse tipo de consumo virou até natural. Não adianta ninguém falar em crise, não adianta economista falar pra poupar. O povo [descrito em tantas letras que não encaixa nem em A ou B ou C, ou D, E….] quer comprar e vai.

Tenso é pensar no direito a vida feliz. A Eliane Brum falou a respeito e se eu a repito me ignorem, mas… Pra ser feliz essa quantidade de tempo [todo], é preciso ser plateia, batendo palmas pra o que a vida no palco faz, talvez até cobrando a grana do ingresso no fim se a pilha não divertir o quanto imaginava. O duro é que pra ser feliz mesmo, tu tem que subir no palco e a vida é chata, mas ser plateia é pior.

Ser plateia sempre vai ser pior, mas é o que a gente quer – grosso modo. Só que…

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