Ser menos artista, ser mais artesão

Lendo a Cachalote entrei em contato com a ideia de raciocínio do escultor, que olha o bloco de pedra tentando entender e descobrir que escultura mora dentro dele. Uma hora ou outra a figura sairá e ele terá louros e palmas, ou vaias e rebanadas. Lendo o cartum de Laerte, entendi que a diferença entre o trabalho do artista e do moldureiro é que o do moldureiro precisa ficar bom, não pode ser ruim.

Talvez seja por isso que temos menos esculturas e molduras pelo mundo: o contemplar artístico pede, muito além do talento, da inspiração, da técnica, da dedicação.

Trabalho todos os dias como escultor e moldureiro. Olho para tela em branco como o primeiro, lapidando com o teclado, retirando as lacunas alvas, imprimindo ali um texto que, com sorte, utilizará poucos backspaces e CTRL+Zs. Porém, antes de ser o primeiro, abraço ser o segundo, entendendo, descobrindo e avaliando que moldura o que escreverei gostaria ou merecia receber. Darei tom de comédia ou ironia, usarei de sarcasmo ou dúvida, serei aberto ou fechado, disposto ou contrariado?

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