“Bota no SBT, por favor?”

Então desde o ano passado que desistimos de ter TV em casa. O aparelho continua na sala, ligado ao DVD e ao Wii, mas sem cabo de NET, TVA ou Sky que pudesse levar até ele toda aquela programação variada e empolgante.

Passamos a viver de janela, sofá, filmes e seriados baixados, partidas de Rock Band, discos novos tocando no aparador, noites vendo qualquer coisa no PC enquanto uma torta fica pronta, lemos um livro. Ao passo em que ela ainda reclama um tanto, aqui e ali, de não ter uma Globo pra ver o JN ou um GNT pra ver os programas de moda, ou ainda que a gente nunca mais tenha parado pra discutir o que tomam as gatas de faculdades americanas que recheiam aqueles programas do Multishow depois da meia noite, eu passei muito bem, obrigado.

Não ter TV é… ok, até irrelevante. Basta ficar um tempo sem para você ver que ela nunca foi necessária. Não falo aqui de um ativismo contra a influência das TV sobre nossos cérebros e como as TVs criam as crianças, mas simplesmente que, assim como fumar e give valuable time to people who don’t care if I live or die, assistir TV é algo a que se está acostumado apenas.

Na última ida a Teresina, fui visitar a casa de dois amigos de adolescência que casaram recentemente. A casa deles tem duas TVs, uma na sala e outra no quarto do casal. Enquanto os gurizões ocupavam a sala em partidas de SFIV, a guria assistia ao Fantástico no quarto. Durante quanto tempo minha vida não foi assim, com uma abundância de aparelhos e de tempo diante da telinha, vendo programas pela metade? Enquanto jantávamos, me espantei com uma notícia que era comum a todos que assistiram o JN do sábado. O amigo então perguntou: tu não tem TV, cara? Vocês não assistem TV?

“Não, ué. Normal”
“Nossa, vocês são diferentes mesmo”.

Para pessoas que se conhecem há 15 anos, um comentário desse tipo é acompanhado de uma carga irônica típica, o amigo só queria me encher o saco. O estranhamento, no entanto, dava pintas de ser real. Por quê?

[Tirando o fato de que não dependo apenas da TV e dos telejornais para me informar, estar em férias seria a perfeita justificativa para o isolamento informacional. – fim do disclaimer -]

TUDO ISSO para dizer que ontem evitamos fazer jantar em casa indo ao boteco da esquina tomar cerveja. E que os botecos, bares e restaurantes sabem disso, com suas TVs de telas planas e muitos canais.

Com duas tvs ligadas no salão, me veio o clique, não tão eureka assim, de que sair de casa, ir a restaurante, bares, botecos e congêneres é também a oportunidade de ver em que pé anda aquele circo, quem é protagonista de onde, como é a abertura do seriado novo da Globo, que ator da Praça é Nossa sumiu misteriosamente?. E o vício dos nossos olhos em buscar a telinha só mostra que não fumamos enquanto ninguém passa cheirando a Lucky Strike do nosso ladou ou não ligamos para quem pouco se lixa se vivemos ou morremos [sorry, Morrissey] enquanto mantivermos alto grau alcoólico e celulares longe da mesma equação.

E isso porque demos na telha de não levar o celular, senão corria o risco da telinha ganhar da telona.

Estamos condenados…

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2 respostas em ““Bota no SBT, por favor?”

  1. Boa parte de nossos vícios e hábitos são meramente sociais e/ou familiares. Tradições e costumes bobos passados e aceitos de ser para ser de forma impensada.

    E acredito que, quanto mais você respirar fora dessa bolha, mais *cliques* como esse você terá.

    Então, continue com o bom trabalho de ser um real ser pensante.

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