O tamanho da minha sorte

No primeiro fim de semana depois que comprei o long, botei a preguiça de lado e fui pra Paulista testar o novo animal. Satisfação imensa, prazer redobrado, mais velocidade, mais estabilidade, mais segurança nas remadas [mais esforço…].

Na volta pra casa, o diabo atentou. ~ E se tu descer a Peixoto Gomide? Vamos ver se esse tal de long é massa mesmo ~

Claro que cedi. Durante a meia hora em que esperei pelo alívio do trânsito da Peixoto, respiro também necessário à cada-vez-mais-próxima urgência em fazer uso da minha sorte, não pensei em nada. Enquanto se passaram aqueles 30 segundos sem que nenhum carro apontasse na curva do Hospital Nove de Julho, não pensei em nada. Ao apontar o long para a ladeira, também não pensei em nada.

Mas assim que subi no maldito e comecei a primeira descida de ladeira com aquele artefato estranho e agora bem menos estável embaixo dos pés, pensei, óbvio, que havia me fudido em diversos aspectos. Os carros – que agora naturalmente voltavam a preencher todas as faixas da Peixoto – foram suficientes para transformar o pensamento em certeza.

Sinalizei o quanto e como pude que me manteria junto à calçada e torci [rezei, esperei…]. Quando não dava mais – sempre chega essa hora -, pulei do skate, explodi mais uma bomba de impacto nos meus saudáveis joelhos de ex peladeiro de basquete e decidi que ainda não era hora para aqueles desafios.

Quando mais a frente no caminho topei com a roda do long numa vala, fui ao chão e não sei se por milagre ou por ironia, nenhum carro me atropelou, bem, achei que já era demais e voltei pra casa humilhado pela minha falta de senso.

Uns fins de semanas depois, saí para andar com um amigo, ele com um skate “normal” e eu com o long. Depois de subirmos e descermos a Paulista, enveredamos pela Angélica na esperança de um bom lugar para tomar um suco ou quebrar um osso.

Achamos o segundo. Numa manobra comprometida pela presença inesperada de um abacate no pouso de um ollie, meu amigo quebrou a clavícula.

Meu medo, sempre tão presente a cada saída para andar de skate, de quebrar uma perna ou um braço e ter que ficar um, dois, três meses de molho, se concretizou ali na minha frente. Uma manobra errada = 45 dias de gesso e tipóia, mais não sei outros quantos de fisioterapia.

Eu abuso da minha sorte.

Onde estavam essas gurias durante a nossa adolescência, certo?

Best Coast chegou como bomba indie, passou a ter umas três musiquinhas legais e agora tem até música da semana. Não só porque é ótima ou porque fala de uma guria muito satisfeita com o relacionamento dela e com o cara que está com ela [uau], mas também porque o clipe dessa When I’m With You é ótimo.

E aqui, um caramelo:

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2 respostas em “O tamanho da minha sorte

  1. eu ainda não tou nessa onda. ando de patins no anfiteatro da federal morrendo de medo. dia desses, andando com a Juliana, demos um encontrão e foram as duas para o chão. velocidade baixa, quase nada. e eu ja tava me cagando de medo.

    me envia cotoveleira e joelheira, por favor.

    [cuidado, menino. cuidado.]

  2. Pingback: Casar é fácil. Difícil é ficar casado | Crônico

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