Da arte de perder aviões e amar

Ontem minha sogra assistia a Antes do Por-do-Sol na sala enquanto eu e a queridona jantávamos na cozinha. Dava pra ouvir a Celine tocando ao violão “A Waltz for a Night” e ela e eu começamos a conversar sobre o filme, nuns olhares cúmplices de quem sabia que dali a uns cinco minutos o filme terminaria e então saberíamos como a sogra iria reagir ao desfecho da história [vou poupar aspas e indiretas, quem já viu sabe porque, quem não viu merece a surpresa].

Acaba o filme e sogra e filho [dela e nosso, história para outro post] vêm sentar com a gente à mesa. Aí divido o que já falava sobre o amor: todo mundo busca essa manifestação de completude e encontro. Sim, estou sendo genérico e até torço para que apareça alguém que me diga que não busca o amor, que não busca amar, preu saber como é isso.

Mas enfim, todo mundo busca o amor, todo mundo busca essa manifestação de completude e encontro, de forma tão urgente e cega, de forma tão necessária, e muitas vezes se esquece de como ele é caro. Não irei nem forçar uma teoria sobre o assunto, acho simplesmente que seja o caminho de todas as pessoas. Não sei da psicanálise, não sei da antropologia, só sei da experiência. Por isso a generalização sem medo de ser feliz ou triste. Por isso o desfecho realista da frase.

Queridona e eu temos muitos amigos e amigas nessa busca. Buscam o amor, buscam o parceiro, buscam a companhia. Lindo, digno, louvável. Apoio muito. Frases como “tô namorando!”, “encontrei alguém que me adora e que eu adoro”, “nunca me senti assim” e suas são variantes recebem meu aplauso mental.

Sou fã dos amores, já tive oportunidade de me sentir assim algumas vezes – no último ano tenho estado envolto nessas sensações de modo perene. Mas saca aquele VT que mostra primeiro uma cama balançando e vai jogando na tela uns dados sobre como vai nosso planeta, aquecimento e o escambau? Que termina com um casal sorrindo depois de um sexo gostoso [por isso a cama balançando] e um texto que diz algo como “o mundo está perto de se acabar em fogo e fúria e, mesmo assim, tem muita gente na pegada de colocar filhotes do mundo”? Pois é. Lembrem sempre de como o mundo é cruel, de como as pessoas são difíceis, que como o imprevisível sempre joga contra e não deixem de… amar. Porque o amor cobra seu quinhão, o amor anula, o amor te permite ser você [o que, decididamente, é ótimo e péssimo], espalha seus medos e defeitos, troca, o amor tem um preço [como tudo, na boa].

Só que quando vocês ouvirem a Celine tocando “A Waltz for a Night”, abram sempre um sorriso, por favor. O amor é uma coisa boa. Então se ele te convidar pra sentar e tocar um disco da Nina Simone enquanto prepara um chá, por favor, abra um sorriso. E fique.

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4 respostas em “Da arte de perder aviões e amar

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