Romance perdido #1

Há pessoas que escrevem e são romancistas, poetas e contistas, há pessoas que escrevem e são jornalistas e há pessoas que escrevem e, bem, não sei onde me encaixo. Ou se me encaixo.

Algumas vezes meu ego diz que escrevi algo que seria digno de nota/interessante o suficiente para provocar um romance  ou um conto. Como há muito não tenho tesão por esse [nenhum] tipo de escrita, muito embora o desejo de fazê-lo permaneça, vou [me] enrolando, um dia depois do outro. O que resiste vai para debaixo da tag “romances perdidos” e da categoria “Literatura?” [é favor não ignorar o irônico ponto de interrogação]. Este é só mais um trecho, chamado de #1, mas nem de longe o é.

Bem, ei-lo.

Se você passa tempo demais abafando, calando, fica difícil depois simplesmente querer falar. Porque o vício do silêncio e do sorriso é perverso. Claro, que vício há de acometer alma, corpo ou mente e não ser perverso? O vício, a bem da mentira, não é fraquejo ou dor sempre. Há sempre aquele que se engana: só mais uma noite, só mais um copo, só mais um beijo. Mas o cigarro arranha a garganta desde o primeiro trago, a cachaça adormece a garganta já no primeiro gole, a mentira já aperta a garganta desde a primeira vírgula a mais. “Never complain, never explain”, ela gostava de viver. Ele? Ele era viciado nela. Ou algo assim.

Trecho de abertura de “A história dos vícios e dos amores”, de Pedro Jansen.

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16 respostas em “Romance perdido #1

  1. perverso e aconchegante. ele te abraça como uma cama de noite inteira dormida, pela manhã. te envolve e te faz sonhar em viver ali. só aquilo e tudo isso basta. ele te convence de qualquer coisa. não há argumento mais forte que o do vício.

  2. Não tenho muito tempo e nem saco prá ficar fuçando tudo que há on line, mas possuo até sem querer um faro , um poder intuitivo que me arrasta para o que me é necessário, até vital para continuar neste mundo. Uns diriam que são os anjos, outros um milagre ou algo só casual…apenas uma coincidência. Aí, abro o dreamule e antes de verificar os arquivos que estou baixando algo me impulsiona e dou de cara com uma enchurrada de palavras que tal qual uma chuva de verão vem apaziguar o meu interior, vem aliviar a minha dor sem razão. Sim, porque existem dores sem razão e essas são as mais perversas e piores que o ser humano pode sentir. Querido pedro , você é visceral e tudo que assim é não se enquadra em categorias criadas pelo homem. Se enquadra sim em sentimento e este vaza dos poros, escorre das mãos, forma letras, palavras, teoremas, texto e contexto que nós sorvemos como se fosse o licor mais saboroso do mundo. Pessoas como voce e outros, anônimos ou não, não criam e sim conseguem parir das entranhas sabores e dissabores que nos alimentam a alma… continue e continue, deixando fluir, deixando o fruto se formar tal qual deseja vir aos nossos olhos, ouvidos e corações!!!!!!

  3. acho bem da hora a história de escrever um romance, ou uma história. Eu mesmo ja comecei escrever algumas, mas nunca dei continuidade e nem nada. Mas uns dias atraz no meu ócio, tive a ideia de criar um blog e quando tiver ideias ir dando continuidade em um romance que ja comecei. E confesso que foi o unico modo que deu certo.

  4. o problema de abafar demais é que uma hora nao cabe dentro de si. igual a cachaça. aí a gente sempre cai. com rótulo ou sem rótulo, são letrinhas emaranhadas e bonitas. (elas vao me fazer voltar).

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