Meu Eldorado

originalmente publicado no Yahoo! Posts.
Dom Quixote de La Parnahyba

Dom Quixote de La Parnahyba

Acordar, olhar pela porta de vidro da varanda: chuva. Abrir a porta, sentir o frio e o vento, e então lembrar de Teresina.

Quem conhece ou sabe o mínimo que seja sobre a capital do Piauí vai logo perguntar como alguém pode sentir frio e pensar em Teresina, cidade que até a próxima quarta vai ter média de 39ºC. Bom, eu penso, e não há muita coisa que eu possa fazer contra isso. Nostalgia é um sentimento que, fazendo bem ou mal, eu gosto de manter por perto.

Eu penso, penso, penso e coço a cabeça querendo achar a razão de escolher ter a nostalgia por perto. E aí eu lembro de um texto que escrevi há mais de um ano em que eu dizia que a saudade é “uma dor cega, tropeçando por dentro da gente”. E esse tropeço é constante, mas mais ainda quando se mora longe da sua terra natal. Da sua casa, do seu quarto.

Teresina às 17h30

Tudo isso potencializado pelo caráter matutativo da chuva, da santa chuva que mantém os meninos dentro de casa, pensando na vida, as mães tão temerosas do poder do Influenza. Chuvas me lembram os fins de ano da minha infância e início de adolescência em Teresina, quando as aulas acabavam, o asfalto ficava mais amigo dos pés descalços e eu passava dias e dias lendo e jogando video game. Ou esperando as festa de fim de ano, primeiro na casa de uma avó, depois na casa da outra. Mas festas de fim de ano em outubro, camarada? Como me deu o toque Rachel Juraski, próxima segunda-feira é meio de outubro e, com Chronos comendo tudo ao redor com muito mais ferocidade, logo estaremos ouvindo os sinos de Natal.

Daí então o dia amanheceu chovendo, seguindo nublado. E, como aprendi com meu avó materno – homem que arou, plantou e colheu com as próprias mãos até os seus 96 anos – quando o céu fica nublado está “bonito para chover”. Uma das expressões mais lindas e típicas que eu já ouvi. E que me lembra Teresina.

El Camiños in the West

El Camiños in the West

No meio do dia atribulado, recebo mensagem do amigo André Gonçalves, falando das novidades em seus projetos. São dele as fotos que ilustram esse texto. O que vai numa das imagens está em Teresina: um Dom Quixote que mira as águas do Rio Parnaíba. Mas que mira também a passagem do tempo e o envelhecer das horas e das pessoas.

Essa nostalgia, essa saudade que me anima e me entristeze não tem razão de ser nem de sumir, apenas é. Até por que eu me sinto muito bem em São Paulo, obrigado. Ok, claro que sinto vontade de voltar para casa e comer a lasanha da minha mãe e cair no abraço dos amigos e rever as ruas da adolescência. Mas estar longe de casa é, como eu dizia antigamente para uma certa pessoa, apenas um problema geográfico. O que prende minha atenção é só o sentir. E repetindo a frase que me abraça sempre que esse banzo me abate, “lar é onde nosso coração está”.

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6 respostas em “Meu Eldorado

  1. tem uma mãe que leu esse texto e ficou bem orgulhosa.
    mandou até imprimir pra deixar na casa de uma certa avó.

    eu tenho medo de um futuro, mas “lar é onde nosso coração está”.

    =**

    RESPOSTA
    Ela nem imagina o orgulho que eu tenho dela. E o orgulho que ela me dá fazendo esse tipo de coisa…

  2. coloca tudo numa caxinha. calor, Mangueira, festa no Trilhos, pôr-do-sol, cheiro da casa, comida da mãe..
    e às vezes vai lá e abre. faz bem.

    depois fecha e guarda pra próxima visita.
    😉
    ;*

    RESPOSTA
    Que conselho bom, visse?…

  3. Por mais que pareçam doer, sentimentos como nostalgia e saudade de casa são coisas maravilhosas. Isso é sinal de que seu passado é feliz e merece (deve!) ser lembrado sempre ou mesmo, por vezes, revivido. Por isso, me identifiquei tanto com seu post, apesar de hoje em dia morar no bairro onde nasci e cresci.

    Continue assim, com suas saudades saudáveis, pois são tempero essencial para fazer de cada pessoa uma pessoa melhor. Parabéns pelo texto!

    RESPOSTA
    É como diz o batido ditado de que “relembrar é viver”. Acho que é isso mesmo…

    Valeu!

  4. Eu cheguei aqui e vi esse texto, justo na hora que o meu coração se enchia de saudades dos laços que tenho em Teresina.
    Apesar de nunca ter morado lá eu sinto que é minha casa também, pois o meu coração caiu um pedaço junto com os meus que lá vivem.

    RESPOSTA
    Não há lugar como aquele em que nosso coração repousa…

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