5 livros bons de dizer que leu

Eu tenho um sério problema com livrarias. Perco [ou ganho] um tempo absurdo lendo títulos, sinopses, cheirando os livros [sim, o cheiro dos livros é MUITO importante]. Invariavelmente eu comprava algum.

Também tenho um problema com livros. Gosto deles, das formas, dos tamanhos, dos cheiros… E gosto de lê-los, claro. Mas, principalmente, gosto de tê-los. Acumular livros nas prateleiras é algo que me fascina. Fico pensando naquelas bibliotecas particulares das grandes mansões, com livros ocupando paredes e mais paredes, uma boa poltrona para leitura e um original qualquer dentro de uma redoma…

Mas, contrariando minha sede por livros não-lidos, tive um surto e quase dupliquei a quantidade de livros lidos este ano. Devorei, inclusive, alguns clássicos, já que é sempre bom fazer aquela média de que lê livros legais.

Vamos então aos “5 livros bons de dizer que leu [e que você leu mesmo]”.

1- O MANÍACO DO OLHO VERDE, de Dalton Trevisan

Temos aqui um Dalton Trevisan, lançado agora em 2008. Contista ágil e doentio, o curitibano me fez ler 128 páginas em coisa de 4h, contando a volta pra casa, a ida e a volta do trabalho no dia seguinte. Ouvindo Radiohead. Não preciso dizer que a combinação foi corrosiva o suficiente para influenciar no meu sono. E como meu sono é uma espécie de entidade que pobres mortais não alcançam, este foi o máximo sinal de que algo [ou melhor, tudo] naquele livro mexeu comigo.

2- O GRANDE GATSBY, de F. Scott Fitzgerald

O meu primeiro Fitzgerald, mesmo que eu tenha “Suave é a Noite” desde a época da faculdade. Com a dica de uma ex-love affair, aceitei o desafio de encarar a narração do autor americano novamente. Foi uma decisão acertada, sem dúvida. Principalmente pela narração, que é fantástica, e pelos “aforismos” que Fitzgerald constrói como poucos. Lido num espaço de cinco dias, as últimas linhas das 252 páginas do O Grande Gatsby são de perder o fôlego e de ficar com a dolorosa sensação de que uma história se esvaiu.

3- O JOGADOR, de Fiódor Dostoiévski

Um dos pilares da moderna literatura russa, [junto com Gogol e Tolstoi], Dostoiévski tinha no realismo a sua casa, o seu lar. Retratar a sociedade em suas minúcias, em seus pequenos e grandes qualidades e defeitos era seu esporte predileto. As digressões do autor sempre enveredavam por caminhos que levavam ao conhecimento das idéias e convicções dos personagens.

Em O Jogador, essas digressões são fascinantes, pois abordam a mente corrompida de um viciado em jogos de azar e eterno apaixonado por uma mulher que o despreza. Desespero e angústia se misturam em cada uma das 174 páginas, consumindo o leitor até o gozo das últimas linhas.

4- PERGUNTE AO PÓ, de John Fante

Arturo Bandini é um loser de marca maior, mais loser que eu ou você, tenha certeza disso. Ainda assim, Bandini é um sujeito encantador, daqueles que você fica com pena por ele ser tão estúpido. Consegue-se até rir do quão quixotesco Arturo é.

Escritor, Bandini tem uma relação patética e muito forte com seu editor, a quem vê como uma entidade. Publicou uma única história, o conto “O Cachorrinho Riu”, e se orgulha dela como se fosse a melhor coisa já escrita no Ocidente. Clássico dos clássicos, Pergunte ao Pó consegue esfregar na cara do leitor como é ruim viver com o olhar perdido do real.

Desnecessária, no entanto, a sua adaptação para o cinema. No filme, temos o irlandês Colin Farrell retratando o ítalo-americando Arturo Bandini.

5- HOMEM COMUM, de Philip Roth

Uma narrativa tão fantástica que li o livro em pouco menos de um dia. Tão fantástica que, nas últimas linhas, senti meu coração pulando algumas batidas. Tão fantástica que foi suficiente para mudar meu humor completamente. Philip Roth aborda a vida, as lembranças e os pequenos/grandes medos de um homem consciente de sua fragilidade.

Essa consciência, no entanto, não torna o livro óbvio ou cheio de clichês. A narrativa de Roth mantém o olhar do leitor apontado sempre para a próxima palavra, embora seja impossível não dar pausas dramáticas para respirar fundo, olhar para o tempo e pensar na vida. Aliás, ao fim do livro, pensar sobre a vida é o menor dos problemas.

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13 respostas em “5 livros bons de dizer que leu

  1. eu tambem :
    1 ‘tenho um sério problema com livrarias’
    2 ‘cheiro os livros’
    3 ‘Acumular livros nas prateleiras é algo que me fascina. Fico pensando naquelas bibliotecas particulares das grandes mansões, com livros ocupando paredes e mais paredes’

    aaaaaaaaaaaaa
    mas tenho tantos so de arquitetura e alguns de fotografias
    ‘tão caros’

    eu olhei tanto pra ele mas naum li … vou ler !
    O MANÍACO DO OLHO VERDE, de Dalton Trevisan

    ;*

  2. só li um da lista e estive com outro em mãos e foi quase.

    mas se eu tivesse que fazer uma lista, ela teria: lolita, o segredo de joe gould (joseph mitchel), moonshadow (HQ), crônicas marcianas (ray bradbury – culpa do menezes)… só pra fazer um mix de gêneros que reviraram minha cabeça.

    🙂

  3. tenho esse sentimento com bibliotecas particulares também. até pretendo ter a minha, mas se as coisas continuarem como estão, ela vai ser cheia de livros de bolso, o que não é tão encantador assim.

    Ficou a dica de O Grande Gatsby: Rafael já me emprestou.

  4. 1-extremamente alto e incrivelmente perto (mais lindo, mais terno, mais verdadeiro e, ainda assim, mais impossível)
    2-memórias de minhas putas tristes (pra fugir do clichê de 100 anos)
    3-lolita (lido aos 17 anos, com um estupor de consciência que ainda me surpreende)
    4-maus (porque me faz querer ser diferentemente melhor do que sou)
    5-a casa dos budas ditosos (ainda vou ser promíscuo na vida)

  5. Desses, os únicos que não li foi o do Trevisan e o do tal de Philip Roth.

    A edição de O Jogador [do Dostô] que tu tem vem embutido, lá no final, o conto “O Sonho de um Homem Ridículo”? No livro que eu peguei tinha, mas era uma edição bem antiga, não sei se essas novas vem. Se não, vai atrás. Foi a melhor coisa que eu já li na minha vida.

  6. Eu fiquei muuuuito mal depois de ter entrado na Cultura em Recife, sabe uma agonia estranha que tem muita coisa que você precisa saber? queria empurrar todos por osmose na minha cabeça =~~

    O cheiro é muito importante, para mim um dos itens mais importantes ( se o livro for novo claro! se for velho, rinite me abrece forte!)

    meo, eu li um da tua lista! Fiquei tão feliz!!kkkkkkk

    Eu li O Jogador, a muito tempo atrás, quando eu não bebia e era mais inteligente! =x

    ;********

  7. Veja só, assim como vc, e tantos outros no mundo, tb tenho esse problema que coletar livros pela vida, lidos ou não lidos, mas se vc se interessa mesmo em chegar ao dia em que terá sua própria biblioteca, recomendo um curso de encadernação e restauro. E fiz, amei, e a gente acaba criando uma relação maior ainda com eles… de olhr, descobrir como formam montados, costurados… enfim, a hitória do livro não é apenas a história que esta gravada nas linhas aparentes…

    Até breve,
    Carla

    RESPOSTA
    Parece bem interessante, Carla, mas acho que minha praia é mais a leitura mesmo. Em todo caso, onde fizeste o curso?

    Abraços!

  8. Nossa…
    Eu também sou assim.
    Eu cheiro o livro, vejo o nº de páginas, a textura da capa, o tipo de letra, sobre o autor, uma folha aleatória do meio do livro, a primeira folha… Tudo.

    Eu o engulo com os olhos. Quando leio eu degusto cada palavra como quem come um manjar dos Deuses.

    Amo as palavras, amo os autores e seus respectivos personagens.

    Me apego aos personagens de uma maneira que nem eu mesma sou capaz de entender. Me pego pensando neles sem mais nem menos, principalmente em um tal de John Jacob Turnstile.

    Nada nesse mundo mexe mais com meus sentimento que um livro. Personagens que eu amo, que odeio, que quero proteger com a minha vida, que quero liquidar com as próprias mãos. “Não acredite nele!É mentira!”, ou falar coisas assim.

    Ah… Os livros. Me fazem morrer de rir, de chorar, me cegam, me dão vida. Dão emoção a minha pacata vida de rotina.

    OBS:Amei as recomendações, vou pesquisar.

    Fui…

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