Ano a ano – Parte I

Eu entrei no Diocesano [ou Colégio São Francisco de Sales, como era na época do meu pai] com 6 anos. Vinha de uma escola “fraca”, mas muito legal e comia coxinha e fanta uva todo lanche.

Imagine, aos 6 anos, eu ver que um dos meus coleguinhas de sala dizia, todos os dias, na hora da saída para o recreio, que ia pegar um lanche na cantina.

Mais que depressa, deduzi que existia ali uma benesse que precisava ser utilizada o quanto antes, como um imposto a ser compensado.

Alguns dias depois a escola havia requerido a presença da minha mãe para resolver um gravíssimo problema: eu, delinqüente infantil, havia me aproveitado da benesse exclusiva do acordo entre a tia e a mãe-amiga do tal aluno que eu havia imitado. apenas ele podia pegar lanches na conta da professora, coisa que a mãe dele pagaria no fim do mês. Nem preciso dizer que fudeu a porra toda.

Daí que esse foi o grande acontecimento da primeira série [ok, vamos esquecer aqui o causo da mudança de faixa no caratê, tapão no pé do ouvido e choro irrefreável na frente de todos os meus coleguinhas. Claro que larguei o caratê]. Hum, também temos o caso da minha primeira paixão [Luciana, todo ano eu tinha uma musa, tu num sabe a tua sorte em ter falled in love só com 17 anos…], em que eu pedi ao pai da menina a mão dela em casamento. Ele disse que tudo bem, desde que ela aceitasse e a djaba disse não. [som de coisa se quebrando]

Assim, vamos até a segunda série, na qual eu lia como um doido [aliás, eu sempre li como um doido] e antes de chegar ao início do ano letivo, já tinha lido todos os paradidáticos [isso se repetiu até o fim do ensino médio]. Além de ler as fabulosas Enciclopédia Disney e saber bem antes dos meus amiguinhos o que era uma constelação [e diversos outros assuntos ligados à física, química, matemática, história… lembro até que fiz charme pra uma estudante de medicina acolá tem uns dois anos explicando pra ela o processo químico que transforma a glicose em ATP – trifosfato de adenosina, combustível das nossas células, que depois vira ADP – difosfato e que o acúmulo dessa substância leva à formação do ácido láctico, e lá vem a câimbra – ok, arraso na paquera, hein? _o/], o que não me fazia nerd, mesmo que eu fosse quase a Mônica pra responder perguntas. Medo!

Na segunda série também teve paixão, mas não lembro por quem. Na terceira série, repetição da segunda, tédio total, boas notas, aquela coisa toda.

Na quarta eu comecei a encarnar a minha faceta “Capeta em Forma de Guri” e era expulso de sala dia sim dia não. Certa vez, por uma coisa de nada, um colega de sala me tirou do sério e eu mandei o caba calar a boca, no que ele reagiu com um desafiador “vem calar!” e lá fui eu, calei a boca do menino e fui expulso de sala. Me fudi pouco nesse dia.

A 5ª série começou como outra qualquer, não me lembro de ter aprendido nada demais, os anos passavam no Diocesano de uma forma muito regular, continuava com o cão encarnado, ainda me esforçava pra jogar futsal, mas aos poucos via que a porra daquela bola nos meus óculos não ia dar certo. Também foi na 5ª série que eu li um dos melhores livros da minha vida, chamado “A Hora do Amor”, durante um mês inteiro de recreios sacrificados. Nhá!

Foi na 5ª série que aconteceu uma das minhas histórias mais legais. Menina linda + garoto seboso = paixão platônica, claro. Aí eu convenci a mocinha a conversar comigo e tals, minha mãe logo percebeu a paixonite por que eu escovava os dentes e penteava o cabelo. Um dia a mocinha e eu estávamos conversando num dos corredores mais movimentados do Diocesano e de repente ela disse “vamo pra cá…”, que era um banco menos agitado, dava pra conversar melhor. Só que o tapado aqui entendeu “eu já vou indo, tchau” [oO], saí e deixei a menina falando sozinha, o que não foi legal. Claro que ela me disse não, mas era esperado, “ela é tão rica e eu tão pobre, eu sou plebeu e ela é nobre” [arrocha a cantoria!]. Neta do João Claudino, nem digo nada! =X

Foi na 6ª que tudo começou a mudar, quer dizer, eu ainda não pegava ninguém [nem na bunda de ninguém, Luciana :P], mas descobri o basquete e com ele uma coisa fascinante chamada popularidade. Não que eu fosse o MJ do Diocesano [esse posto era ocupado por outro amigo], mas eu passei a conhecer os caras mais velhos do colégio, e falar com eles durante os intervalos e jogar com eles. Os caras não eram nerds, eram legais, e eu acabei conhecendo muita gente [mesmo!]. Nessa época eu já estudava pela manhã de novo.

7ª série eu mudei de turma e conheci mais gente ainda. O basquete me permitiu conhecer a Sanmya, e mais um monte de gente mais nova e mais velha do que eu, e a rede de pessoas conhecidas se ampliou até a incomoda situação de pessoas que eu não conhecia falarem comigo. Mas se você me acha entrosado hoje, devia ter me conhecido naquela época. Ao mesmo tempo senti a mudança de sala e tomei no cu na matemática bonito, ficando de recuperação pela primeira vez.

Aí peguei a primeira mocinha sem contatos intermediários, à custa de muito queixo e babação. Foi um beijo só e fomos embora. Eu queria mais, liguei e tals, e ela não, sofro demais, doido.

Passou e passei, fui pra 8ª no ponto de bala, passei direto, mais basquete, campeonatos, treinos segunda, quarta e sexta, das 18h às 21h, mais educação física e intervalos, minha vida era o basquete. Eu era MAGRO! Vale lembrar que desde o ano anterior eu faltava à aula de reforço pra ir jogar vídeo game ou para fazer trabalhos em grupo inexistentes. Passava a tarde inteira vadiando no colégio, lendo ou fingindo estudar na biblioteca. Eu era maloqueiro, velho!

Cenas dos próximos capítulos amanhã, que a saga ficou longa pacas!

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