“You start a life”

O ano de 2007 começou com diversas certezas e dúvidas, todas com seu charme e desespero. Começou com encontros, viagens [de ida e de volta, de ida sem volta].

Começou com gosto de saudade.

Quando ainda era 2006, decidi por vir embora, assim, do mesmo jeito que escrevo esse texto, de uma hora pra outra. A idéia era juntar uma grana e me mandar para Sampa, e tentar. Tentar alguma coisa, ver no que dava, o que eu poderia experimentar estando num lugar 500 vezes a minha cidade natal.

Eu teria outras opções, onde tenho família. Rio, Brasília, até Natal, o importante era mudar de ares, era tentar.

Mas eu não queria ajuda da família. Eu queria engrossar o couro sem ter tapinha de tio ou pai no fim do dia. Foi quase a decisão de um ano sabático no Japão.

Assim, as coisas foram acontecendo, 2007 dentro de 2006 e formatando essa viagem. Fim do TCC, cana, texto do Curso Abril de Jornalismo, palestra com Edson Rossi, a promessa de estágio, a ligação do povo da Abril pra dizer que eu tinha passado na primeira fase pro Curso, ir a Salvador pra segunda fase…

Enfim, começou 2007 com dúvidas e certezas. Mas as idéias que eu tive de São Paulo foram todas desfeitas logo quando sai do aeroporto, quando paguei para ir de um aeroporto ao outro quando isso é de graça, quando cheguei na residência das minhas amigas Rine e Pri e me senti em casa.

Até por que saí de lá e fui “conhecer” a “cidade”. Ônibus, 10 minutos de trânsito, Paulista. Aí sim eu percebi que tinha me fudido bonito. Achei aquela avenida a coisa mais foda da minha vida, assim, a visão do meu inferno de realizações.

E depois na FNAC… ter que ser arrastado pra fora de lá antes que eu gastasse meu pouco dinheiro lá dentro, aí as coisas foram fazendo sentido, eu fui me tocando de que aquilo tudo era grande pra caralho. E que eu estava adorando.

Mas era só o início.

Aí teve a Abril. Me virar pra chegar lá. “Congelar” no frio besta de janeiro. Ser confundido com a galera do Curso Abril, conhecer a galera do Curso Abril, minha primeira matéria, pessoas legais, sorrisos. Sair da casa da Rine, ir para um pensionato. Penar 25 dias num lugar que não tinha nem janela, que dirá espaço.

O freela de para a revista de Arquitetura. A correria pra entrevistar o povo. As contas de telefone altíssimas. A saudade.

Ir pra SBC. Me matricular na minha especialização adorada.

Tudo teve seu tempo em 2007, tanto as coisas boas como as péssimas.

Distância das pessoas que eu amo, da minha família, das coisas que eu tinha costume, do meu carro, de sofrer pra descobrir onde era cada canto que eu precisava descobrir.

Fazer freelas pra maior editora do Brasil, conhecer pessoas fodas e novos amigos, bebidas, espaços, ver coisas, diferenças, distâncias, dormir de novo dentro do ônibus, metrô… tudo de pequeno e grande de novo se apresentando.

2007 vai embora e [não] deixa saudades. Se é que vocês me entendem.

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