A menina, o céu da boca e a cabeça vazia

As divagações fizeram dos seios daquela menina de tão pouca idade, talvez 19, no máximo 20, seios que eram firmes como laranjas-da-terra, grandes com laranjas-da-terra, mas doces como uma manga-rosa colhida com a mão, cheirosos como uma manga-rosa, as divagações fizeram dos seios daquela menina dois grandes espectros, transparências sedutoras de si.

E começou dos seios. Eu comecei dos seios. Não dos olhos ou da boca, ou da nuca. Nunca! Comecei dos seios e ela então começou a desaparecer, vanishing, indo lisa e sorrateira pelo ralo do meu olho. Eu bebia a carne daquela menina e primeiro foram os seios. Depois, só depois, pus os olhos no seu colo, omoplatas, ombros, braços e dobras de braços e ante-braço, os punhos firmes, a boca pequena, a cara curiosa.

Aos goles ela ia então desaparecendo e sumindo. Tremia. Das pernas ao sexo, tremia. Pulsava e repelia, sentia frio. A carne levava junto os ossos, os dentes, o cabelo, ora curto, ora longo.

A menina tremia e eu sentia isso facilmente, por que ela vibrava. O peito subia e descia rápido, as narinas se abriam e comprimiam o ar entrando seco então ela estalava a língua no céu da boca. E eu queria que o céu da boca daquela menina fosse eu, e que a língua dela estalasse em mim, em todo o meu corpo e também me arrancasse a carne, aos nacos, aos pedaços. Eu queria ser alimento daquela menina, a carne no meio dos dentes dela.

Ela agora se despia. A lingerie delicada, mas provocante, intrigante. Ela sabia se despir. Primeiro os fechos dos olhos, de velcro, depois o peito, estourando o sutiã, não mostrando os seios que já repousavam em meu estômago, mostra o nada, um sensual nada, rosa e firme, os pêlos ao pé da barriga, finos e delicados, 1 2 3 não passam de 5 fios que seguraram meu olhar 2 segundos antes de encarar o sexo vibrante e trêmulo, de carnes também delicadas e rosadas e gentis. Ela não olhou para mim e nem me convidou. Só puxou meu cabelo forte, as duas mãos, e me bebeu, e eu sabia que ela então me beberia. Assim, com essa certeza, fechei os olhos e senti a língua da menina me envolvendo e meu corpo todo o céu da boca dela. E ela estalava…

É, eu bem que notei os olhos pretos. Eles me caçavam com toda a fome e sede do leão, e eu sempre acredito muito em certos sinais que tomam o rumo do horóscopo. Ou touro ou escorpião, com aqueles olhos felinos. Leão seria óbvio demais, os leões tentam a discrição. Olhares que atravessaram grande aquário do Le Petit, restaurante meu de todo almoço breve, e olhos novos pro meu cotidiano. Eu nadava em seus olhos, e nos olhos rasos mais dois peixes acompanhavam seus movimentos de pequenas bolas pretas.

De certo ela nunca teria passado por um momento tão desencapador. Eu fui desencapada, tiraram-me o casaco do dia frio e a todo o restante das vestes, que de fato não eram muito cobertas ao corpo, mas sim, eu fui despida fantasiosamente como jamais previ, ou vi acontecer com outro alguém. Sentir desejo do olhar do homem, não era vera novidade, numa cidade em obras para uma pessoa que gosta das ruas e caminhadas, já fui sim, muito olhada e espiada em breves passadas de pernas via calçadas.

Mas sentia diferença, era brutal. Era ele um homem bruto, que gostava de seios, gostava de grandes e dos meus. Sua cara me dizia coisas, do gênero, mas também tinha dúvidas. Ele avisava que eu me diferenciei do seu tipo, mas o agradava, bastante. Acredito até que nesse dia ele não sentiu fome, só uma outra espécie de fome, que a comida daquele self service francês não lhe supria. Ele queria, e eu sabia. Não ajeitava meu decote ou encompridava minha saia, esperava apenas, esperava. Ele sentou, se apresentou e só. Partimos, com todo o meu prato cheio, e a cabeça vazia. Tive um bom dia.

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