É pra sempre – acostume-se a isso

Rapaz, é complicado, esse lance de viver é complicado. Eu tenho medo, muito medo dessas pessoas que se conhecem profundamente, defeitos, razões, qualidades e carências com apenas 17, 18, 19 anos. Por que eu tenho só 23, sei que tem muito tempo pela frente, mas eu me sinto cobrado quando vejo esses prodígios. A gente aprende a mentir com o tempo.

E aí quando eu abro o Orkut e vejo que ele me diz que a sorte de hoje é que “O coração é mais sábio do que a razão”, eu digo é valha, pra usar uma expressão tão típica aos meus amigos de Teresina, eu digo é couro de pica, eu digo é foda-se. Que mentira descabida, deslavada.

Eu digo mesmo é que troco meu coração meio surrado [coisas de homem são sempre mais surradas, entendam] por uma garrafa de bebida alcoólica da preferência do interessado na peça rara. Ou troco por um fígado. Por que Jeremiah Russel foi embora, debandou, saltou do navio junto com os ratos, foi varrer calçadas em Paris e de repente eu me sinto seco por dentro, sem meus personagens, sem nomes, sem idéias para conto, me viciando em doces de padaria. Stella, Jam, Phoebe e Jan se foram, e eu sinto mais falta de Jam do que de mim mesmo. O Jeremiah era foda, cara, eu queria ser ele.

Fica em paz, mafriend.

É sempre preciso começar de novo, new borns são sempre sofridos, é sempre uma coisa nova a se acostumar. Parece que você sai do seu corpo, que é sua casa, passa um tempo fora e quando volta alguém mexeu nos móveis.

 

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