Reflexões ao despertar

Uma das coisas mais complicadas que pode acontecer na vida de qualquer ser humano é obedecer ao coração ou a mente no lugar dos instintos.

Dizem que é isso que faz da gente não só uma colônia meio organizada de bichos muito loucos, mas exatamente seres humanos.

Duvido. Juro que duvido. Às vezes, resistir aos instintos é não só uma prova de que você não é só uma massa humanóide rodando que nem peru doido por aí. É um atestado de que você tem algo de santo.

É como já dizia um professor meu: a lei foi feita para o homem, e não o homem para a lei. Essa é uma filosofia de outro cara, provavelmente do Boff, e não dele, mas tudo bem. Acho que eu não vou ficar com peso na consciência.

Essa busca torta pela santidade faz de nós, reles mortais, um pouco mais interessantes. Corrijo-me… essa busca pela santidade não, essa resistência aos instintos. Resistir, seja por meios físicos, psicológicos ou mentais, é um mérito a ser aplaudido de pé. Uma salva de palmas, por favor.

Outra questão que me instiga muito é a capacidade do ser humano de sentir culpa, e isso pensar tanto sobre os seus ombros como um espírito maligno ou um bigorna. E sente-se culpa por tudo, no fundo no fundo, sente-se culpa por tudo. Pelo cigarro fumado, pelas contas, pelo minuto extra na rua, pela palavra a menos no trabalho, pelo bom dia boa tarde boa noite que não se fala.

Sentir culpa é algo inerente ao human being, homem, eu tu ele, ainda mais e principalmente num país católico como o Brasil. Ser criado sob a égide [hahaha] do catolicismo nos faz assim, gaiatos pra caralho. Sentimos culpa por tudo que nosso senhor jesus cristo põe no mundo, desde a bituca de cigarro que cai no lugar errado até aquela dada sem camisinha.

E nesse primeiro volume das minhas “Reflexões ao Despertar”, há uma necessidade de se completar o texto com a produção anterior, “Reflexões durante um porre de Mangueira com Cajuína”, vide a interligação clara e óbvia das duas temáticas.

Certa vez um professor meu de português me perguntou, durante uma aula, de modo bem jogral, o que o homem seria caso a mulher não existisse. Eu, sabiamente, aos meus 14 anos [por favor, leiam as entrelinhas!], disse que sem a mulher, o homem seria apenas uma massa disforme vagando pela terra.

Ao fim da minha filosofada sem noção e altamente canastrona [já aos 14 anos, que orgulho!], um sorriso de aprovação.

Mas alguém já pensou que o Homem é um ser filho da outra o suficiente para destruir o mundo só por tesão guardado? E não adianta vir com papinho de que mulher sabe se segurar, não sente tanta falta, compensa com chocolate. O caralho! O Homem é um ser tosco, culpado e instintivo. Graças a deus a gente ambiciona uma salvação [é?], por que já se nasce pecador, pode ter certeza.

Mas aí é que vem certa graça da vida. Já se nasce com tanta coisa contando contra [ou a favor, depende de que cartilha você reza], que subverter a ordem das coisas pode ser interessante. O Homem também é subversivo, toma cerveja de manhã, fuma, trepa, também em árvore, uma confusão.

Maravilhoso, não?

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