Nada como um cigarro e um copo de coca no meio da madrugada

Tenho um trabalho interessante para desenvolver no módulo de música da especialização. Pensei em levar uma coisa bem diferente, coloquei até a Billie Holiday, minha amiga, pra tocar aqui no pc.

Sem saber meio o que colocar, pensando principalmente sozinho, já que eu estou no meu segundo dia sozinho em casa, decidi levar Bonde do Rolê, com Melo do Tabaco, uma do Portishead, do disco de re-samples e loucuras chamado Toy Box [a faixa dois, VamoNessa] e aquela foda do Teófilo, A volta do Zorro.

Claro que eu não ia perder a oportunidade de mostrar alguma coisa daí. Perguntem se eu não pensei em levar alguma coisa da nelson theresa cafe, e eu bem que pensei mesmo, mas decidi não por conta da gravação ruim que a gente tem.

O bom mesmo é que esse silêncio todo que a Anchieta [eu moro no pé da freeway sim…] me proporciona não me deixa pensar verdadeiramente no que Samanthão [a CB, minha orientadora] me disse à época em que decidi vir para esse lugar maluco.

Ela dizia sempre para que eu não esperasse apenas vencer no jornalismo, mas vencer aqui também. Que se não desse certo com o jornalismo, não queria dizer que não tinha dado certo realmente. E agora, com todo esse ‘silêncio’, eu vejo que a coisa é essa mesmo. Lá na cozinha tem uma pilha de louças para lavar e eu fico pensando que talvez eu só crie coragem de fazer alguma coisa em relação a isso quando não houver mais nada limpo para eu usar.

Assim vamos seguindo, e finalmente penso no que a CB me disse tanto. Vencer aqui é saber que muitas vezes você não escolhe estar em silêncio, você é simplesmente obrigado a isso. Tanto que, para falar alguma coisa nesse apartamento eu tive que vibrar por um gol do Santos contra o Coringão, mano. Imagina aí… Pedro Jansen vibrando com futebol… me lembra as tarde regadas a clássicos no Coronel tomando cerveja, consolando amigos, jogando vídeo game e aí sim, vibrando verdadeiramente [alguém me mande parar de usar advérbios de modo, que eu não sou o Eça de Queiroz…] com os gols da minha tão amada Inglaterra.

E é nisso que eu penso. Estar em silêncio, ouvir música sozinho às 02h da manhã só pode ser coisa de gente que quer mesmo vencer aqui.

Até porque [eu nunca aprendi a usar essas porras de porquês…] hoje eu fui à Abril e o Edson Rossi disse que gostou do meu trabalho e me sugeriu [atentem para o verbo modesto/eufemista] que eu continue dando umas voltas por lá por que sempre vai aparecer alguma coisa para eu fazer.

Ótimo!, tanto que foi eu chegando lá e um dos editores me dizendo que tem uma pauta pra mim. Ou seja, mais um novo freela para Pedro Jansen. E com um passo de cada vez a gente vai chegando mais perto do que se pode chamar de vitória. Claro que eu penso também que é uma grana a mais entrando, que pode pagar minha passagem no fim do ano pra Teresina, ou me ajudar a pagar mais um mês de aluguel aqui em Sampa… porque uma coisa que eu já percebi é que eu tenho me acostumado a essa coisa de ficar sozinho e calado, e que isso faz um bem danado.

Ao contrário do que acontecia antigamente, esses momentos não me fazem pensar mais na minha situação de rapaz eternamente apaixonado pela mesma mulher para o resto da vida já aos 20, 21, 22 anos [por favor, Rosa, não entenda errado…]… Isso é tranqüilo… agora eu passo a pensar mais em coisas para o futuro, as incertezas são de caminhos que eu posso seguir ou não, se eu vou consumir mais cigarros do que venho consumindo [a minha última carteira durou mais de uma semana… sem broncas…]

Junto com esse elogio hoje, o novo freela que eu tenho nas mãos, para entregar até a próxima quarta [eu teria até segunda da outra semana, mas nada da Terra vai me fazer trabalhar enquanto Rosa estiver aqui…], tenho que continuar lendo o tal livro em inglês de teoria da comunicação, ler minhas coisas, terminar um livro curto pra começar outro, ler três coisas ao mesmo tempo, descansando a vista partindo para outro texto [engraçado, o Word acabou de me avisar que esse período ta longo demais… quão bizarro é isso? :P].

Além disso tudo, não posso deixar de contar o artigo de 14 mil toques [coisa de 10 páginas de texto] que eu tenho que fazer, adequar às normas da ABNT, colocar umas citações… bom, já tenho mais de 8 mil toques feitos na labuta grande, acho que agora é administrar o resultado… Ainda tenho que cuidar do outro freela com arquitetos fodões daqui de Sampa que vai render outra grana boa. E ainda tem a minha preguiça habitual, minha honra e reputação de vagabundo, coisas que não se pode deixar de lado… Eu valorizo sim o não fazer nada, o ócio destrutivo, construtivo, criativo, dormitativo… todas essas variações…

Uma coisa que me chamou muito a atenção esses dias é que meus amigos miguxos novinhos tipo Natália, Edson [sim, você vai ser chamado, tô torcendo…] agora estão empregados. Que o Rafa ta no MN, que a Clarissa ta no Medplan, desesperada, a bixinha…

Mas enfim, o ponto não é exatamente esse. O ponto é que eu não me toquei que esse povo ta crescendo [Rafa e Clarissa Joãozinho já tão no fim do curso mané…], sei lá, eu achava que certas coisas ficariam estáticas, mas é óbvio que isso foi algum tipo de constatação sem noção.

Meu receio é que agora fique mais que claro que o tempo ta passando, que o relógio biológico está correndo e que as pessoas que eu vi chegarem e crescerem ali no curso já tem voz própria, interesses seus, idéias suas, todo um conjunto de coisas que eu não esperava encarar. Síndrome de irmão mais velho… tenho que dar o braço a torcer e admitir que meus meninos cresceram mesmo e que agora já fazem parte do outro lado da coisa, da labuta, da pressão, do aperreio… loucuras à parte, é bom mesmo pensar que essa galera boa toda cresceu e que agora pode mostrar seu valor pro mercado. É hora da nova onda, leva de coisas boas acontecendo. Taí, voc6es estão prontos para o mundo. Só façam o favor de transarem de camisinha e tomando pílula, beleza? [sim, o cruzamento de dois métodos anticoncepcionais eleva a efetividade contra o bucho para muuuito perto de 100%]

E eu ainda não encontrei um par de patins tamanho 46…

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