DVNO

- a vida da gente é feita de silêncios constrangidos, disse eu.

- de verdades não ditas e de situações cômodas. mas dai a gente vai longe né…… – retrucou ela, distante.

- vai sim – aquiesci, frio.

Dado o falar vazio e o tratamento seco, fica a certeza de que o ciclo de cá se fecha. O não-suspirar, o não-tremer, o não-desejar torna absurda outra coisa senão o pensamento de pequena vingança. É como eu tenho dito ultimamente… “no need to ask my name to figure out how cool I am”.

Dado o carinho e as pequenas expressões de saudade silenciosa, fica a impressão de que o ciclo de lá não se encerrou, e que esta não foi a última conversa sem sentido. Ou como ela disse certa vez… “half of what I say is meaningless, but I say it just to reach you”.

Maldita memória olfativa

A última vez fora há três meses.

Então, no ônibus, uma lufada trouxe de novo aquele perfume para minhas narinas. As terminações nervosas foram sensibilizadas, o arquivo da memória prontamente acessado, as cenas e as texturas reavivadas, o corpo respondeu com um arrepio, os olhos com uma busca sem sentido e o cérebro martelou o caráter desnecessário daquelas reações todas.

Obrigado, superego.

Eu já sarei

Se você quer saber.

Mas acho engraçada a “necessidade” aparente de sempre marcar território - constatação nascida do meu egocentrismo clássico – como se viesse na calada do dia e borrifasse no lenço  um pouco mais do teu perfume. Só para deixar teu traço ali.

Mas então eu não me sinto mais preso, não vou atrás do lenço e fico feliz de ter chegado ao ponto em que sinto falta apenas do que você me dava, e não de você. Afinal, esse é o momento em que apontamos defeitos sem dó, pelo simples desejo de nos afirmarmos sãos de novo.

E eu, que elogiava tão efusivamente o tamanho e a forma das tuas madeixas, sou obrigado a me calar para não ser indelicado quanto ao teu novo corte de cabelo.

Como bem disse Chico Buarque

Recolha o seu sorriso
Meu amor, sua flor
Nem gaste o seu perfume
Por favor
Que esse filme
Já passou

Ano a ano – parte II

 

É sempre bom recordar os bons momentos de quando você ainda não é gente, não é verdade, meu povo? Pois bem, não larguei a escola na 8ª série, então vamos aos relatos do Ensino Médio.

O 1º ano começa com aquela maravilha que é o uso da farda branca de tecido, você se torna um dos grandes, tem toda aquela coisa que ninguém admite, mas que todo mundo sabe. Ninguém usa mais farda bege. É todo mundo caveira!

Foi no primeiro ano que teve um show tosco do J Quest e foi nesse show que eu peguei a irmã da menina da sétima [aquela lá do outro relato...], em mais uma demonstração de duas coisas: 1 – essa família é muito botadeira de banca; 2 – meu papo tava ficando melhor. Ao invés de dias de conversa mole e insistência cega, algo como duas horas depois das primeiras palavras, lá estávamos nós. Detalhe: até hoje não sei se é verdade, mas a menina me jurou de pé junto que não dava certo por que o namorado dela tava por lá. E tudo que eu dizia era… “e cadê esse namorado, menina, que num ta contigo?”. No fim das contas, o caba deve ter sido corno… (6)

No outro dia fui acusado por um amigo nosso em comum de ser a kind of Humbert, do Nabokov, só por que a menina fazia a 7ª série, vejam só que bobagem…

OBS: Oh, man! Eu não fui pro show por causa do J Quest, mas sim pelas bandas da cidade [Banda Atittude, Mano Crispim e outras lá...]… é bom que isso fique claro!

Mais basquete, mais tardes perdidas na escola, dois livros escritos e perdidos [era assim, eu comprava um caderno e ia escrevendo, escrevendo, escrevendo. Um livro era sobre um guerreiro da Idade Média, tinha espada, usurpação do trono, treinamento na floresta e tudo o mais. Já o outro era uma história mais real, nem lembro direito, sei que eu achava que tava escrevendo os novos romances da juventude. Ainda bem que eu perdi essas porras.], essa era minha vida. Eu não bebia, não fumava e só praticava esportes vestido. Não sei se era bom ou ruim, meu deus…

O detalhe do basquete é que meus joelhos começaram a doer demais, era muito esforço pra um cristão só. Assim, depois de um ultimato do meu ortopedista [ou pára com o basquete e faz natação ou entra na faca], vamos fazer natação. Viva a minha tendinite do capeta. Lembro que eu dei uma mini crise por isso, eu tinha acabado o meu primeiro ano de infanto, logo, seria titular do time durante a temporada inteira, e aí o corno do médico inventa de me mandar fazer natação…

Pois bem… eu continuei jogando basquete até o horário da natação e então atravessava o Diocesano inteiro correndo pra trocar de roupa e cair na piscina. Esses seis meses dentro d’água me concederam mais fôlego pras partidas que eu não abandonei e ombros um pouquinho mais largos, o que na época não fez diferença nenhuma, mas depois…

Detalhe: queria por que queria ir fazer o PAS, em Brasília, mas de recuperação em duas disciplinas, Física e Português [=O], não foi possível.

Nessa época eu já tinha uma grande amiga que conservo até hoje, mas por quem eu fui apaixonado por longos 3 anos. Mas nada acontecia por que ela tinha um namorado tosco. Fazer o que…

Segundo ano começa bombando, já que a minha amiga e paixão de três anos finalmente termina com o namorado. Depois de esperar todo esse tempo, não dei a mínima chance da mocinha se defender. A primeira coisa que eu fiz depois dela me dizer que tinha terminado foi perguntar se ela queria namorar comigo. “Quer namorar comigo? E eu acho que depois de três anos, não tem outra resposta, né?”. Ela também queria, eu sabia, mas enfim, tínhamos 15 anos e não sabíamos o que estávamos fazendo. Namoramos um mês e meio e ela terminou comigo para mais de um ano de silêncio posterior. Ao fim do período de babaquice, fiz questão de restabelecer os laços e seguir com a amizade massa que temos até hoje.

Detalhe: muito depois disso fomos a um tributo a Legião Urbana [OH, MAN!] e ela ficava com um amigo meu de sala, mas antes dele chegar a gente ficou. Muito saudável, minha vida, to vendo aqui que sempre fui cafa. Quando ele chegou, ela me apresentou uma amiga dela, que eu fiquei também. Tudo graças a uma carta que eu tinha escrito esculhambando o Sérgio Martins da Veja por conta de uma matéria que ele havia feito chamada “Religião Urbana”. Um trecho da minha carta foi publicado e essa mocinha queria por que queria conhecer o tal Pedro Augusto Jansen, como foi colocado na revista. Ai, minha amiga fez o intermédio e foi só maravilha.

Não posso deixar passar o fantástico, maravilhoso, estupendo show do Raimundos. Uma das coisas mais fodas que eu já vi na minha vida!

Fim do ano, recuperação em química e uma namorada que terminou comigo do nada e por carta, no meio da recuperação! O bom foi que ela que veio atrás pra gente começar a ficar, ela era prima de uma amiga de sala, me viu no shopping e gamou, a coitada.

Dá-lhe tardes fugindo da aula de reforço pra correr até o Santa Helena e esperar pela educação física dela. Mas a vaca terminou comigo e sumiu. Foi por carta e fiquei em frangalhos no meio da recuperação. Nisso a minha melhor amiga na época soltou fogos, por que as duas não se cheiravam, a menina era meio paty, eu gostava de rock, sabe como é… Foi nesse ano que eu participei de uma edição do festival de música do Diocesano e foi a coisa mais tosca que eu já fiz na vida. E eu ainda achava que meu futuro era ser advogado, pensa aí…

Terceiro ano foi o ano mais vagabundo de todos, não aprendi nada, já não dava satisfações do meu boletim em casa, tinha escolhido o jornalismo pra me fuder ser a profissão da minha vida, ia toda terça e quinta pra Adufpi jogar basquete e paquerar uma mocinha que veio a ser minha namorada posteriormente, fazia um intensivo dias de segunda, quarta e sexta, o que me impedia de treinar, mas mesmo assim fui pra Braseela disputar uma olimpíada para estudantes por lá, vestibular, Senhor dos Anéis, aprovação…

O resto quase todo mundo já sabe… Mas eu conto mesmo assim daqui uns dias.

Ano a ano – Parte I

Eu entrei no Diocesano [ou Colégio São Francisco de Sales, como era na época do meu pai] com 6 anos. Vinha de uma escola “fraca”, mas muito legal e comia coxinha e fanta uva todo lanche.

Imagine, aos 6 anos, eu ver que um dos meus coleguinhas de sala dizia, todos os dias, na hora da saída para o recreio, que ia pegar um lanche na cantina.

Mais que depressa, deduzi que existia ali uma benesse que precisava ser utilizada o quanto antes, como um imposto a ser compensado.

Alguns dias depois a escola havia requerido a presença da minha mãe para resolver um gravíssimo problema: eu, delinqüente infantil, havia me aproveitado da benesse exclusiva do acordo entre a tia e a mãe-amiga do tal aluno que eu havia imitado. apenas ele podia pegar lanches na conta da professora, coisa que a mãe dele pagaria no fim do mês. Nem preciso dizer que fudeu a porra toda.

Daí que esse foi o grande acontecimento da primeira série [ok, vamos esquecer aqui o causo da mudança de faixa no caratê, tapão no pé do ouvido e choro irrefreável na frente de todos os meus coleguinhas. Claro que larguei o caratê]. Hum, também temos o caso da minha primeira paixão [Luciana, todo ano eu tinha uma musa, tu num sabe a tua sorte em ter falled in love só com 17 anos...], em que eu pedi ao pai da menina a mão dela em casamento. Ele disse que tudo bem, desde que ela aceitasse e a djaba disse não. [som de coisa se quebrando]

Assim, vamos até a segunda série, na qual eu lia como um doido [aliás, eu sempre li como um doido] e antes de chegar ao início do ano letivo, já tinha lido todos os paradidáticos [isso se repetiu até o fim do ensino médio]. Além de ler as fabulosas Enciclopédia Disney e saber bem antes dos meus amiguinhos o que era uma constelação [e diversos outros assuntos ligados à física, química, matemática, história... lembro até que fiz charme pra uma estudante de medicina acolá tem uns dois anos explicando pra ela o processo químico que transforma a glicose em ATP - trifosfato de adenosina, combustível das nossas células, que depois vira ADP - difosfato e que o acúmulo dessa substância leva à formação do ácido láctico, e lá vem a câimbra - ok, arraso na paquera, hein? _o/], o que não me fazia nerd, mesmo que eu fosse quase a Mônica pra responder perguntas. Medo!

Na segunda série também teve paixão, mas não lembro por quem. Na terceira série, repetição da segunda, tédio total, boas notas, aquela coisa toda.

Na quarta eu comecei a encarnar a minha faceta “Capeta em Forma de Guri” e era expulso de sala dia sim dia não. Certa vez, por uma coisa de nada, um colega de sala me tirou do sério e eu mandei o caba calar a boca, no que ele reagiu com um desafiador “vem calar!” e lá fui eu, calei a boca do menino e fui expulso de sala. Me fudi pouco nesse dia.

A 5ª série começou como outra qualquer, não me lembro de ter aprendido nada demais, os anos passavam no Diocesano de uma forma muito regular, continuava com o cão encarnado, ainda me esforçava pra jogar futsal, mas aos poucos via que a porra daquela bola nos meus óculos não ia dar certo. Também foi na 5ª série que eu li um dos melhores livros da minha vida, chamado “A Hora do Amor”, durante um mês inteiro de recreios sacrificados. Nhá!

Foi na 5ª série que aconteceu uma das minhas histórias mais legais. Menina linda + garoto seboso = paixão platônica, claro. Aí eu convenci a mocinha a conversar comigo e tals, minha mãe logo percebeu a paixonite por que eu escovava os dentes e penteava o cabelo. Um dia a mocinha e eu estávamos conversando num dos corredores mais movimentados do Diocesano e de repente ela disse “vamo pra cá…”, que era um banco menos agitado, dava pra conversar melhor. Só que o tapado aqui entendeu “eu já vou indo, tchau” [oO], saí e deixei a menina falando sozinha, o que não foi legal. Claro que ela me disse não, mas era esperado, “ela é tão rica e eu tão pobre, eu sou plebeu e ela é nobre” [arrocha a cantoria!]. Neta do João Claudino, nem digo nada! =X

Foi na 6ª que tudo começou a mudar, quer dizer, eu ainda não pegava ninguém [nem na bunda de ninguém, Luciana :P], mas descobri o basquete e com ele uma coisa fascinante chamada popularidade. Não que eu fosse o MJ do Diocesano [esse posto era ocupado por outro amigo], mas eu passei a conhecer os caras mais velhos do colégio, e falar com eles durante os intervalos e jogar com eles. Os caras não eram nerds, eram legais, e eu acabei conhecendo muita gente [mesmo!]. Nessa época eu já estudava pela manhã de novo.

7ª série eu mudei de turma e conheci mais gente ainda. O basquete me permitiu conhecer a Sanmya, e mais um monte de gente mais nova e mais velha do que eu, e a rede de pessoas conhecidas se ampliou até a incomoda situação de pessoas que eu não conhecia falarem comigo. Mas se você me acha entrosado hoje, devia ter me conhecido naquela época. Ao mesmo tempo senti a mudança de sala e tomei no cu na matemática bonito, ficando de recuperação pela primeira vez.

Aí peguei a primeira mocinha sem contatos intermediários, à custa de muito queixo e babação. Foi um beijo só e fomos embora. Eu queria mais, liguei e tals, e ela não, sofro demais, doido.

Passou e passei, fui pra 8ª no ponto de bala, passei direto, mais basquete, campeonatos, treinos segunda, quarta e sexta, das 18h às 21h, mais educação física e intervalos, minha vida era o basquete. Eu era MAGRO! Vale lembrar que desde o ano anterior eu faltava à aula de reforço pra ir jogar vídeo game ou para fazer trabalhos em grupo inexistentes. Passava a tarde inteira vadiando no colégio, lendo ou fingindo estudar na biblioteca. Eu era maloqueiro, velho!

Cenas dos próximos capítulos amanhã, que a saga ficou longa pacas!