Em 2006, tive meu primeiro encontro com eles. A circunstância do encontro eu não recordarei. Sei apenas que foi um encontro feliz.
Foi a partir dele, por exemplo, que minha adoração por letristas nacionais passou a ter dois pólos à época. De um lado, tínhamos a dor de corno tão adorada do Los Hermanos. Do outro, a voz, o timbre e as letras confessionais de uma banda independente paulista, o Ludovic.
Dos primeiros, consegui ver dois shows e escutar ao vivo todas aquelas palavras tão queridas. Dos segundos, vi apenas um, incrivelmente mágico e intenso.
Mas essa história começou em 2006, quando eu ainda morava em Teresina e não tinha ideia de que viria para São Paulo, muito menos de quando teria oportunidade de ver um show do grupo.
Tudo que eu fazia era acompanhar o fotolog e a página da banda, alimentados pelo vocalista e sazonal baixista, Jair Naves. Imerso num tipo de fascínio simples de ser entendido quando se encara as composições do rapaz, li relato por relato, imaginando como tudo aquilo acontecera e o que levara o líder daquela banda a escrever daquele jeito sempre. E “daquele jeito” abarca clareza, vigor literário e sinceridade – três artigos de luxo atualmente.
E por ’sempre’ entenda a capacidade de escrever com as vísceras. Como…
Seria ótimo se, por uma caridade divina, uma vez em toda a sua existência fosse te dado o recurso de simplesmente apagar cinco anos da sua vida. Então, se eu o aplicasse agora, eu estaria fazendo 19 anos outra vez. Só que sabendo um pouco melhor como a vida funciona e como me posicionar frente a ela.
[jair naves, em 29.01.04]
ou…
pelo pouco que eu conheço a vida,
eu não posso me queixar
quem de todo e qualquer ataque se esquiva,
não pode se queixar
porém, aqui eu confesso:
janeiro continua sendo o pior dos mesesquando eu estiver desprevinido,
volta e acaba comigo
lembra como você era boa nisso?[ludovic - janeiro continua sendo o pior dos meses]
Então o inesperado aconteceu e eu vim para São Paulo no início de 2007. Diversos percalços me mantiveram afastado do Ludovic [chegar tarde demais a estas bandas, chuvas torrenciais, distancias ignorantes...] até o dia 19.01.08, quando pude enfim ver, ouvir e entender porque tanta gente se rendia aos shows deles. Foi uma hora e meia de pura catarse, do tipo que eu já tivera ouvindo os discos da banda, mas que ali, em meio a centenas de outros alucinados, fez muito mais sentido.
E era justamente o tradicional show de janeiro na Outs que eu já esperava com certa ansiedade.
Então, no meio da tarde de ontem, a querida Juliana Alves fez o mais difícil e me deu a péssima notícia: o Ludovic acabou.
Como dito no meu último post de 2008, a sonoridade destes caras, rascante e imprópria para ouvidos delicados, casou muito bem com os primeiros olhares que direcionei para esta selva. O incômodo gerou conforto, as dores encontraram vazão e eu ganhei uma banda para admirar.
E não vai ser o fim que vai mudar isso.






