“I’m so happy”

I’m so happy, I’m gonna join the band. We are gonna dance and sing in celebration, we are in the promised land.
[Led Zeppelin - Celebration Day, in Led Zeppelin III (1970)]

Imagine-se em 1970, andando de carro tranquilamente, com o rádio ligado. Muda de estação uma, duas, três vezes. Até que, num sinal de trânsito, você muda de estação pela última vez. Do rádio vem a voz de um locutor e o texto empolgado. “O Led Zeppelin lançou há menos de um mês o seu terceiro trabalho, Led Zeppelin III. A falta de criatividade para nomear seus discos não atinge suas músicas e, depois do primeiro single, Immigrant Song, o Led Zeppelin agora apresenta para o mundo Celebration Day“.

Entra vinheta da rádio, você espera ansioso aqueles poucos segundos que levam até a faixa começar e então…

… você acorda três minutos e trinta segundos depois com as buzinas do mundo inteiro tentando tirar você do transe em que a faixa te mergulhou.

Você então faz a única coisa que pode ser feita: engata a primeira marcha, acelera enquanto tira o pé da embreagem e segue para a loja de discos mais próxima. Afinal, depois disso, esse álbum tem que ser seu.

~ publicado originalmente em 2009 ~

The Walkmen, Heaven, uma das capas mais lindas do [meu] mundo e um trailer-amor

Ao clicar o botão “Connect” do Twitter hoje pela manhã não esperava encontrar do lado de lá uma notícia tão maravilhosa [obrigado mesmo, nana!] quanto a da divulgação da data de lançamento do novo disco do The Walkmen, Heaven. Sou fã de suas músicas, gosto de seus arranjos, de seus covers, de seu blog, de suas fotografias e acompanho com fervor e paixão cada um de seus discos, descobrindo as músicas que mais me emocionam, ficando bobo com os versos, com as capas, desejando ter todos os vinis, camiseta, apresentando ao amigos…

E aí eles anunciaram Heaven, com direito a trailer e a capa mais minimalista [essa que você viu lá em cima] de todos os trabalhos da banda. Pra ter ideia do tamanho do passo desse disco novo, o vocalista Hamilton Leithauser contou a seguinte bola no press release.

The detachement you can feel throughout our younger records is gone. We felt like it was time to make a bigger, more generous statement.

Agora que eu já tenho uma data para esperar chegar, vou dividir aqui no blog um email que enviei para um parça que ia se aventurar num festival em que o Walkmen tocaria e não sabia bem qual era a da banda. Como linkei muitos dos vídeos que já vi e revi milhares de vezes no YouTube, mantenho assim, ao invés de embedar, por motivos óbvios. Todas as fotos desse post foram retiradas do próprio blog do Walkmen. O texto abaixo é praticamente o que enviei para o amigo.


Outro dia vim arrotar coisas sobre o Led Zeppelin, falando da minha admiração pela banda e outros que tais sendo que definitivamente o The Walkmen os supera em admiração e apreço. Nos tempos de graduação, cheguei a escrever para o selo que os lançava nos EUA, o StarTime Internacional, dizendo que era estagiário de um caderno de cultura de um jornal do Nordeste que tinha uma coluna de música e que queria muito escrever sobre o The Walkmen. O cara me mandou um disco do French Kicks e outro do…. esqueci.

MTV trouxe o Walkmen para o Brasil em 2009, no Rio, para fechar um festival universitário. O MADA [Música Alimento da Alma], que rolava em Natal, os trouxe uns anos antes [nem os conhecia]. Fui ao Rio [voltando para casa afônico e incapaz de fazer outra coisa senão rir] e às vezes até agradeço não ter ido ao MADA: vídeos feitos lá me mostram um som deplorável e uma banda assustada com o calor e com o desconhecimento do público.

São os artistas que superam a minha admiração pelo Led Zeppelin porque, definitivamente, eles são os caras que falam as coisas que eu quero ou preciso ouvir e também as que eu quero e não consigo dizer – mas conectados à minha realidade e meu cotidiano de uma forma que falta aos ingleses. Sabe aquele verso do China, “estou feliz, mas às vezes choro”? É do Walkmen o posto de trilha sonora perfeita para esses momentos nublados.

Do mesmo jeito que é a minha relação com Beatles, Chico Buarque, Led Zeppelin [também], The Strokes [no início da carreira], Radiohead [!!!] e tantos outros artistas e momentos de artistas [Bethânia, Gal, Roberto, Oasis, Silverchair e sei lá mais quantos]… Só que com eles acontece uma identificação especial, sendo que eu nunca tive esse tipo de idolatria PARA COM artista nenhum.

Vamos por discos.

Do Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone tu pode ouvir They’re WinningWake UpEveryone Who Pretended to Like Me Is GoneRevenge Wears No WristwatchThe Blizzard of ’96 [detalhe], We’ve Been Had [maior música do meu relacionamento] [no vídeo são os caras da banda], It Should Take a While e Rue the Day. Eu te diria pra ouvir inteiro, mas aí é conselho de fã e poderia se estender à discografia inteira, então vamos por partes.

Do Bows + Arrows, vem o The Rat, que tu já conhece e uma das mais famosas [foi minha introdução - foi esse vídeo o primeiro deles que eu vi, junto com We've Been Had], e duas outras que entraram numa trilha de The OC, Little House of Savages and What’s in It for Me [olha isso]. Além dessas, ouça No Christmas While I’m TalkingMy Old Man138th Street – essa aquiHang On, SiobhanNew Year’s EveThinking of a Dream I Had. Foi o disco inteiro, de novo, mas fazer o quê.

Terceiro da lista: A Hundred Miles Off. É médio um tropeço deles, porque eles exageram em tudo, parecem que tão expurgando. Rolam uns HARDCORE mas em geral é um disco ciente de que poderia ser melhor mas era isso que tinha pra hoje.

Louisiana é exagerada, vejam pelo vídeo que selecionei. Aí vamos pra Danny’s at the WeddingGood for You’s Good for MeAll Hands and the Cook [nesse vídeo que escolhi dá pra ouvir um grito meu. patético, mas quem pode me julgar? Esse outro aqui também é incrível] e Another One Goes By, que nesse vídeo é executada dentro do GUGGENHEIM. O Walkmen tem essa manha de participar de diversos programas, projetos e malandragens, de vez em quando se topa com algo desse tipo por ai. Mas os caras não estouram…

Eles têm um “quarto disco“, renegado.

Daí temos o verdadeiro quarto disco, o início da redenção, aquele que eu ouvi me perguntando se nunca mais os veria descendo o cacete novamente, o You & Me. é um disco calmo mesmo, o que o torna mais bonito ainda.

Ouça Dónde está la playaOn the WaterIn the New Year [dona de versos absurdamente lindos], Postcards from Tiny IslandsRed MoonCanadian GirlThe Blue RouteFour ProvincesI Lost YouIf Only It Were True.

No quinto disco, os caras firmaram essa marra de tocar um som mais tranquilo, mas “dramatic”, como eles dizem numa entrevista, com essa pegada BOLERO ROCK. Esperei Lisbon por meses e quando ele veio foi um bálsamo. Lembro que era uma sexta feira, ela estava no hospital há pelo menos 18 dias. Minha chefe me fuzilava e fazia cara de CU todas as vezes em que eu precisava me ausentar para ir vê-la. Nunca vou esquecer a cara que essa chefe fez quando disse que precisava ir até o hospital para transferir minha esposa da UTI para um apartamento, dentre outras coisas que me fazem ficar preocupado com a criação que os dois filhos que ela tem recebem.

POIS BEM. Nessa tal sexta feira saiu um vídeo do Walkmen tocando uma das minhas preferidas do disco novo, Angela Surf City [versão que eu vi foi a deles no Jimmy Fallon, mas a NBC mandou tirar do YouTube]. Sai do trabalho crente de que a vida ia ficar boa de novo. E ficou. (:

Ouça mais JuvenilesBlue As Your BloodStrandedVictoryWoe Is MeTorch SongWhile I Shovel The Snow e Lisbon.

No Lisbon, as B-Sides também são lindas, em especial, Orange Sunday.

Também tem eles covereando REM e Deerhunter.

Talvez se eu tivesse citado um monte de trechos das minhas músicas prediletas [todas estas que cito daqui pra cima] ficasse mais óbvio porque o Walkmen me emociona tanto, mas se alguém se aventurar a clicar em qualquer um dos links deste post, certamente vai entender em questão de segundos.

Que venha cinco de junho. (: