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Não esqueça a minha Caloi

Eu não posso dizer que sou uma pessoa pouco afeita a tosqueiras. Afinal, já tive cabelo grande [DUAS VEZES], sou amigo do Rafael e do Ennio, torço pro Vasco…

Bom, mas aí que o Ian Black, meu amigo e colega de trabalho, conseguiu se superar. Participante do Desafio LG, ele teve que gravar um vídeo dublando uma música. A escolhida para a humilhação pública de Blacko foi What A Feeling, tema do filme Flashdance.

E daí? Daí que ele precisa de gente postando essa coisa horrenda pela internet para ganhar a prova e levar o prêmio do Desafio, um puta notebook LG.

Como sou do time do malandro e digital myth, estou cá fazendo a minha parte, ajudando o cara e queimando o meu filme. Quem sabe eu não levo o outro notebook da promoção?

Lindo, né?

Se você se animou em ajudá-lo, quer imitá-lo, ajudá-lo ou falar mal dessa tosqueira sem tamanho, basta seguir as instruções no Enloucrescendo.

A bola fora do CQC

É comum ver a cena se repetir: sempre que aquele ator/atriz conhecido por papéis bonzinhos em novelas encara um vilão daqueles bem malvados e caricatos, a população mais suscetível aos enredos dos folhetins reage. Na rua, o ator é achincalhado, agredido, ofendido. As pessoas tomam a figura do intérprete pelo personagem e fazem uma tremenda confusão. E eu sempre penso como deve ser complicado para o artista se explicar para a senhora de 75 anos que o vê no horário nobre da TV cometendo aqueles acintes contra os mocinhos. Deve ser beeeem complicado. 

O CQC 

O CQC, sigla para “Custe o Que Custar”, é um programa humorístico veiculado pela Band às segundas e sábados, capitaneado pelo jornalista e apresentador de TV, Marcelo Tas. Versão brasileira do original argentino, o programa faz uso do ditado popular “perguntar não ofende” para abordar políticos, celebridades e populares com questionamentos capciosos e pouco convenientes. Ainda que tenha um caráter paladino [verificar a primeira assertiva], as pitadas de humor do texto e da edição o transformam quase numa versão séria do Pânico da TV, programa exibido pela Rede TV e que faz humor ridicularizando incautos e celebridades

Essas informações sobre o programa só me foram possíveis depois de uma boa pesquisa a respeito. Por motivos diversos, nunca pude acompanhar o programa em nenhum dos horários em que ele é exibido. O frejo a respeito dele no Twitter, por sua vez, é sempre bem instigante, com direito a comentários apaixonados sobre o respiro de qualidade que a TV brasileira enfim ganhou, como é possível ver aqui, aqui, aqui e aqui

Esse respiro de qualidade e essa paixão despertada nos telespectadores se reflete em números. De acordo com matéria da Folha Online, o programa dobrou a audiência da emissora nas noites de segunda-feira. 

E mesmo com todo esse burburinho, nunca havia assistido ao programa.

1ª impressão

Na última segunda, 13/10, enquanto trabalhava no computador, os hóspedes que estou recebendo em casa sintonizaram na Band ali perto das 22h. Em coisa de vinte minutos começou o CQC. Não dei bola, tinha vários assuntos pendentes pra resolver. Mas as risadas de meus hóspedes não cessavam. Foi quando a chamada para o bloco de Rafael Bastos me chamou a atenção e eu finalmente me foquei na tv.

Caso o link não esteja mais disponível, veja o vídeo no próprio site da Band.

Meu único lema na vida é ‘sempre seguir em frente’. Tem uma voz interior em mim, sabe, que fica sempre falando: ‘Rafinha, não desiste. Vai, Rafinha, vai em frente’. Aparecem, é claro, alguns obstáculos fáceis de pular, outros mais difíceis, mas eu sempre dou um jeitinho…

Assim começava o texto que me chamou para a tv.

A matéria que veio a seguir tratava sobre um trem da América Latina Logística que atravessa a cidade de Sumaré, no interior de São Paulo e que perturba a vida daqueles que moram nas imediações da linha.

Tudo ok com as entrevistas na comunidade, com o problema [que, como mostra a matéria, é real, já causou acidentes e mortes e necessita de urgente solução] e até com a forma irônica com que Rafinha Bastos aborda a situação. O único problema, a meu ver, começa quando o repórter procura a América Latina Logística para ouvir o outro lado [prática defendida como fundamental pelos teóricos do dia-a-dia jornalístico] e, ao invés de procurar o setor responsável pela licitação da obra junto ao poder público, fala com a coordenadora de comunicação da ALL, Deise Silveira.

A pendenga

Meu problema com a única matéria do CQC que assisti inteira é: qual razão motivou a produção do programa ir até Curitiba [cidade-sede da ALL] tentar falar com a empresa responsável pelo trem em Sumaré (SP) e qual não os motivou a não aceitarem a assessora de imprensa como entrevistada?

A assessoria de imprensa, segundo diz o verbete na Wikipedia, é um instrumento dentro do composto de Comunicação desenvolvida para as organizações, fazendo parte das atividades da área de comunicação. [...] Sua principal tarefa é tratar da gestão do relacionamento entre uma pessoa física, entidade, empresa ou órgão público e a imprensa”. Atente bem às palavras usadas: “sua principal tarefa é tratar da gestão do relacionamento entre uma pessoa física, entidade, empresa ou órgão público e a imprensa” e não responder pelas responsabilidades da empresa. Principalmente quando o repórter assume um tom incisivo, como o que Rafinha apresenta em parte da segunda metade da entrevista com a assessora. 

Quando Rafinha mostra o documento em que a prefeitura de Sumaré diz que já entrou em contato com a empresa para a resolução do problema, o que a assessora de imprensa poderia responder que fosse realmente incumbência dela? Que compromisso poderia ela assumir mesmo não sendo responsável pela opinião oficial da ALL? Zero… A assessora mesmo expõe isso quando afirma “não posso me comprometer por outras áreas”. Depois de acordo feito, o ápice do mal estar. Rafinha Bastos presenteia a assessora com uma prótese. Seria o único objetivo da matéria a ridicularização pura e simples, qualquer que fosse o alvo?

E assim que o bloco terminou, twittei o seguinte texto: “#cqc pela primeira vez vendo o programa e me perguntando: qual a graça de ridicularizar um assessor de imprensa?”.

Na terça-feira pela manhã, uma micro discussão a respeito estava lançada no Twitter, com grande troca de replies com/entre André Gonçalves e Itallo Victor. Eles defendendo a inovação e a importância do programa, eu defendendo a abordagem do causo. Foi justamente essa troca de replies no micro-blogging que originou a idéia desse artigo.

Ao meu ver, isso transforma a assessora no alvo de uma insatisfação que deveria ter outro destino e aponta uma falha que pode até passar desapercebida, mas que não deveria: seria a piada mais importante que a notícia? Estaria o CQC confundindo o ator com o personagem?

Ainda assim, o melhor é que no fim da vinheta de abertura do quadro, Rafinha diz: “aprendo com as cagadas e sigo em frente”. Essa sim, me parece uma postura adequada.

Dentro do processo

Saiu minha primeira resenha lá no Amálgama. Uma coisa que já me incomodava tinha muitos dias era o último disco do Chico, que eu não ouvia há ano. Resgatei-o da discografia, me encantei perdidamente e escrevi sobre ele.

 

 

Sabidos que somos, este texto vai para o Calo na Orelha em breve, pra não deixar a peteca cair em nenhum lado. A próxima resenha é do Momofuku, do Elvis Costello [exclusiva para o CnO], e na sequência: disco novo do The Walkmen.

Acho que é isso.

Das voltas e voltas que tudo dá

Tudo [e um pouco além de tudo, coisas que a gente nem imagina e outras que a gente torce sempre] faz voltas e tem ciclos.

No meu caso, um começa agora, outros apenas retomam a força antiga.

Assim, venho avisar que o Calo na Orelha está de volta, com resenha finalmente parida depois de um mês de gestação em meio a muito trabalho, preguiça [sim, enorme!] e procrastinação da melhor qualidade. O bom amigo Jader Pires se mandou para a Argentina curtir férias, então o retorno fica por minha conta.

Junto com os ciclos, um que nunca arrefece é o do Dois Dedos na Garganta. Temos ainda a foto da querida Ju Alves, mas em breve aparece um bom texto do André Gonçalves pra levar a coisa adiante.

Nos dias inspirados, vou escrevendo um novo conto que brotou no meio de uma viagem de metrô para o trabalho. Simples e imprevisível, como a boa piada.

E por último, mas não menos importante, estréio em breve uma coluna de música no blog/site coletivo Amálgama.

 

Coletivo por que tem um monte de gente bacana, mas a idéia e o convite foram do Daniel Lopes. Não deixem de conferir as diversas seções presentes por lá. Bom conteúdo escrito [se a modéstia me permite] por gente que manda bem no riscado.

A saga

Quantos vídeos, versões, experimentações e coisas teremos com Nude? =]

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